
A propósito da discussão em torno das taxas do BCE e da evolução da Euribor, no contexto do turbilhão da crise financeira, económica e moral, ver esta "postagem" no "Futuro Comprometido".

Portugal, pela voz do MNE, informou-nos que vai reconhecer o Kosovo e juntar-se ao restrito clube de países (pouco mais de 40 dos 203 que existem) que já o fizeram. Apenas duas perguntas:
Faleceu, hoje, em Ponta Delgada, vítima de doença prolongada, o Veríssimo Borges. Tinha 60 anos e fazia o favor de ser meu Amigo.
Observo a Autoridade da Concorrência em pessoa, Manuel Sebastião de seu nome, a debitar explicações e outras considerações sobre os preços dos combustíveis. Refugia-se na apresentação dos métodos estatísticos que vai utilizar para elaborar (mais) um novo estudo que irá ficar concluído daqui a seis meses (!), em Março do próximo ano.
O dia seguinte ao da comemoração da República, arrisca-se a ficar na História (caseira, mas ainda assim com letra grande) a vários títulos. Para além do recorde alcançado pela queda da Bolsa (acompanhada, aliás, pela generalidade das suas congéneres, a nível mundial); da declaração do Ministro das Finanças garantindo a segurança das poupanças dos portugueses, ‘aconteça o que acontecer’; do estudo do ACP confirmando a concertação de preços entre as gasolineiras (mesmo em plena crise, onde estão as regras da concorrência?), ao final da noite fomos mimoseados com declarações surpreendentes (apenas pelo desaforo do gesto, que não pelo seu mais que consabido conteúdo!).
Os episódios da crise sucedem-se e não dão mostras de abrandar. Ontem foi, mais uma vez, um ‘dia negro nas Bolsas de todo o mundo’ (assim foi noticiado pelos ‘media’). Esta queda generalizada apresentou mesmo valores inéditos na de Lisboa, a rondar os 10% – a maior de sempre na história do PSI 20 – mas foi igualmente muito acentuada nas restantes, com valores também não muito diferentes.
É indisfarçável a atrapalhação e o incómodo dos liberais perante a crise financeira, sobretudo pelo carácter intervencionista da resposta que se encontra a ser preparada para a ultrapassar, a única possível dada a sua dimensão e as circunstâncias que a rodeiam. Os malabarismos linguísticos e mentais a que se sujeitam convocariam um gesto de dó e piedade não fosse dar-se o caso de estarmos a tratar com calculistas insensíveis, que à primeira oportunidade não terão qualquer rebuço em de novo recorrerem e atiçarem os instintos mais primitivos, onde seguramente não cabe aquele tipo de sentimentos. Mesmo quando, por resquícios de pudor ou mera táctica política, o contestam, a sua cartilha impõe-lhes a defesa, na prática, do ‘salve-se quem puder’ em que se baseiam as regras da selva e do primitivismo humano.
Então, será um governo de esquerda aquele que privatiza as empresas públicas ao invés de as defender ?
Hoje, cheguei aos Açores - para ser mais preciso à Ilha de S. Miguel e, ainda e mais rigoroso, à Cidade de Ponta Delgada - onde, a 19 de Outubro p.f. , decorrerão eleições para a Assembleia Legislativa Regional.
V – O vazio da (não)resposta neoliberal
"colocando em igualdade de circunstâncias o emprestador tonto e o credor ponderado."
Primeiro o debate estava programado, havia ficado aprazado para 26 de Setembro, mas a pretexto da crise – financeira, dizem eles – ou melhor, da necessidade de se encontrar uma solução para a mesma, com dificuldades de última hora, levou um dos candidatos a pedir o seu adiamento. O outro recusou, precisamente com o argumento de que agora, em plena crise, é que ele mais se justificava.
A nova alcunha do Governo é 'LATINHA'...«discriminatory policies that have undercut journalists’ freedom of expression,workers’ freedom of association, and civil society’s ability to promote human rights in Venezuela»
«it focuses on the impact that the Chávez government’s policies have had on institutions that play key roles in ensuring that human rights are respected: the courts, the media, organized labor, and civil society.»
Excertos retirados do sumário executivo.
Ou seja, a HRW avalia a situação dos direitos humanos na Venezuela considerando ter havido politicas discriminatórias que limitaram a liberdade de expressão dos jornalistas, a liberdade de associação dos trabalhadores e a capacidade da sociedade civil de promover os direitos humanos na Venezuela. Põe o enfoque, nas suas palavras, em instituições que desenpenham um papel chave na garantia pelo respeito dos direitos humanos: os tribunais, os media, o trabalho organizado, e a sociedade civil.
Do meu ponto de vista, as conclusões deste relatório são tendenciosas e profundamente enviesadas, reflectindo uma visão da Venezuela que se confunde com a perpectiva dos sectores privilegiados da sociedade venezuelana. Para além disso, o "timing" da sua publicação segue um padrão já verificado anteriormente: surge a menos de 2 meses de importantes eleições para governadores de Estado e "alcaides".
No entanto, o próprio relatório da HRW reconhece pontos positivos muito importantes, mas nas conclusões valoriza-os de forma desigual
Esta realidade das rádios comunitárais tive oportunidade de a constatar em viagem recente ao país.
Mais uma vez a HRW valoriza o caso da RCTV, emissora que não viu renovada a licença de emissão no espaço público radioeléctrico (que, relembre-se, é um recurso escasso) num acto legítimo do Governo da Venezuela. A propaganda sugere que a estação foi encerrada, o que é falso. A estação emite agora por cabo. A verdade é que o espaço das frequências estava praticamente monopolizado por TV's privadas cujos conteúdos pouco tinham a ver com a realidade nacional.
De qualquer modo, quem quer que visite a Venezuela pode constatar a total liberdade de expressão, com inúmeros grandes jornais da oposição e vários canais de televisão da oposição de cobertura nacional.
Manifestamente, não compreendo este aspecto do relatório da HRW.
MOVIMENTO LABORAL / SINDICATOS
«However, firing workers who exercise their right to strike, denying workers their right to bargain collectively, and discriminating against workers because of their political beliefs does not promote union democracy.»
Isto é absurdo! Eu estive em plena campanha eleitoral para o sindicato da SIDOR e as listas candidatas eram inúmeras. Quem lê isto ainda pensa que as condições laborais eram melhores antes!
O ministro do trabalho respondeu assim:
«Labor Minister Roberto Hernández emphasized the historical context, saying that past governments "divided the labor movement by way of murder, torture, and jailing. There are fifty years of division that we are trying to reconstruct.»
De facto, no caso da SIDOR, foram os trabalhadores que exigiram a sua nacionalização a que o governo deu cobertura. Sucede, por vezes, que a repressão dos trabalhadores é feita por autoridades estaduais, por vezes ligadas a interesses locais. Nunca como agora, o movimento sindical teve tanta liberdade e representatividade.
«It has fired and blacklisted thousands of workers in the state oil company who engaged in legitimate strike activity, and later threatened to remove all remaining workers who did not support Chávez.»
Este é um dos pontos que revela a má-fé do relatório da HRW. Qualifica como "legítima actividade grevista" o lock-out convocado pelo Patronato (Fedecámaras) havido durante cerca de dois meses entre 2002-2003 designado por "Paro Petrolero".
Tratou-se de uma verdadeira sabotagem económica! Apoiada por sindicatos pouco representativos, para não dizer corruptos. Nunca os EUA ou sequer Portugal admitiriam uma "greve" daquela natureza, que provocou uma recessão profundíssima, com uma quebra de 24% do PIB!!!
É preciso ter em conta a realidade venezuelana onde a economia paralela representa quase 50% do PIB, e, portanto, onde o nº de trabalhadores sindicalizados é mínimo, representando um sector privilegiado, e sobretudo aqueles da PDVSA (petrolífera nacional).
Tratou-se, portanto, de um movimento político e não laboral:
»Sin embargo, la situación experimentada en Venezuela entre diciembre de 2002 y febrero de 2003 no se configura legalmente dentro del concepto internacionalmente aceptado de huelga, ni en ninguna de sus categorías.»
«Sin embargo, los motivos que perseguía la convocación de este Paro Petrolero nunca fueron laborales, sino que más bien políticos, toda vez que el objetivo fue presionar al presidente Chávez para que sustituyese su política económica de corte socialista por una más proclive al libre mercado»
A SOCIEDADE CIVIL
«Yet, while it is reasonable for a government to investigate and prosecute credible allegations of criminal activity, as well as to regulate foreign funding of civil society groups to promote greater transparency, these measures have gone beyond these legitimate forms of accountability and regulation.»
De facto muitas organizações americanas, sob a capa de ONG’s, não fazem mais do que financiar sectores da oposição, que ao invés de defenderem os interesses da Venezuela, defendem na realidade os interesses externos representados por minúsculas elites. Também tive a oportunidade de o constatar pessoalmente, para meu sincero choque, numa reunião com um dos líderes da oposição, Sales Romer, que supostamente até será dos mais moderados!
Uma delas é a NED (National Endowment for Democracy), as tais que procuram o “democracy building” à bomba e pró-mercado!
A SEPARAÇÃO DE PODERES
POR FIM
Há um aspecto interessante neste tipo de ONG’s de direitos humanos com base nos EUA. É que consideram/valorizam como direitos humanos praticamente e apenas, tal como aliás o Governo dos EUA (que nunca ratificou a Convenção das Nações Unidas sobre Direitos económicos, sociais e culturais) os direitos políticos e cívicos.
Ou seja, pouco importa que se viva na miséria e ignorância desde que a lei permita que se vote, como se fosse possível exercer uma cidadania responsável naquelas condições.
Após o empolamento “orquestrado” por Cavaco Silva, depois de expurgados os artigos considerados inconstitucionais pelo respectivo Tribunal Constitucional, o (novo) Estatuto Politico-Administrativo dos Açores foi, ontem e de novo, aprovado na Assembleia da Republica.
Faleceu o professor. Tinha 83 anos. Era “picaroto”, da Calheta de Nesquim, Ilha do Pico.
Acho importantíssimo este artigo do Dr. Mário Soares, acerca da CRISE SISTÉMICA na senda dos que, ultimamente, nos vem presenteando …
Em jeito de declaração de interesses, uma confissão :
O meu Amigo José Sousa, do Futuro Comprometido, aceitou o nosso convite para passar a ser contribuidor residente, aqui, no/do “Quebrar sem Partir”.
O Vaticano disse que a teoria da evolução é compatível com a Bíblia, mas não planeia um pedido de desculpas póstumo a Charles Darwin pela fria recepção emprestada há 150 anos.
I – A resposta estatal – mais uma vez! – à crise liberal...
Hoje, começa a 2ª etapa da "Marcha contra a Precariedade"
Ora, nem mais : 4-6 e 0-6 …