sexta-feira, 6 de março de 2009

Falta de vergonha!

Ainda ponderei se valia a pena perder tempo e feitio com tão reles defunto (e daí o atraso nesta nota). Certo é que a espécie estrebucha, mas continua a arrotar postas de pescada e, aqui e ali, a fazer mossas. Porque importa não esquecer que foi esta enfatuada cáfila de danados – com o seu tão decantado ‘Fim da História’ (já morto e enterrado) – que pôs o mundo de pantanas, à beira do colapso, decidi enfrentar a ‘besta’, desprovido, embora, das adequadas tonsuras e responsos.

Vem isto a propósito de um pretensioso escriba que vegeta pelas páginas do DN, apostando na provocação indiscriminada a todos quantos ousem criticar, ou tão só discordar, da teologia do mercado e da agenda liberal (terrorismo à cabeça), armado em pindérico paladino de causas esconsas – a coberto da retórica agressiva de defesa da liberdade... a defesa da liberdade que mais preza, ele e a pandilha dele, a da ‘sacrossanta propriedade privada’! Como de costume, o DN do último domingo dava guarida à jactância deste bigorrilha, sob a forma de autêntico vómito: sem vergonha nem pudor, ousa afrontar um nome tão prestigiado como o do Dr. Fernando Nobre (FN).

Já por aqui escrevi antes sobre FN, homem de grande dignidade, inquestionável integridade e reconhecido exemplo de solidariedade. Que não enjeita a participação cívica e a oportunidade de intervir politicamente, como acontece agora na qualidade de mandatário da candidatura do BE ao Parlamento Europeu. A sua actividade, exercida em cenários de alto risco, em prol de múltiplas causas humanitárias em todo o mundo, apela a uma enorme coragem física e força de carácter, a austeridade é mesmo a única forma de sobrevivência nas condições de extrema dureza das situações a que ocorre. Características que – vá-se lá saber porquê... – não agradam a alguns!

Num estilo absolutamente repugnante, ainda que de forma estrábica e canhestra, este desprezível homúnculo não se coíbe de recorrer à negação da realidade e de utilizar o insulto, para melhor impor os seus pontos de vista. Acoutado no pomposo título de sociólogo – o que, na sua perspectiva, lhe garante cobertura para toda a espécie de dislates, mas que na realidade nada diz sobre a(s) actividade(s) que exerce (???), a não ser a de enfatuado diletante – no chorrilho de impropérios a que recorre, não se sabe o que mais surpreende:
- Se a ousadia de tentar denegrir ou mesmo sonegar a acção humanitária desenvolvida pelo Dr. Fernando Nobre, depreciativamente atribuída ao ‘espírito missionário que o embala’(!) – comparativamente, afinal, com a sua reles actividade prosélita de diletante ressabiado!
- Se a pesporrência do insulto soez e despropositado a um pensamento crítico (forjado no contacto com a realidade absurda de um mundo de profundas desigualdades), assumidamente livre, coerente e independente – proferido por uma mente perturbada e sem norte após o estrepitoso desmoronar do mito neoliberal.


Mas qual o pretexto para esta sanha cruzadista? É que FN – para além do seu apoio ao Bloco – no seu ‘blog’ pessoal (‘Contra a Indiferença’) ousou questionar a lógica liberal da ‘guerra contra o terrorismo’, pondo em destaque contradições que, no mínimo, deveriam fazer pensar (ao invés de reagir de forma pavloviana) – até por serem o testemunho vivido de situações reais! – em contraste com o discurso meramente especulativo, construído à base dos mais vulgares clichés liberais, de quem se toma por iluminado (pouco importa se por Deus – como Bush! – se pela razão – como gosta de exibir a maioria deles, talvez na tentativa de exorcizarem outros fundamentalismos religiosos). Todo este fervor sectário tem a sua Meca no Ground Zero (convergência de cumplicidades nostálgicas, pretexto para inflamadas diatribes). Mas a liturgia a que se entregam não consegue esconder o objectivo desta sua fúria securitária: a defesa do livre mercado e da propriedade privada, afinal o ‘santus santorum’ do sistema!

Normalmente o ego desta canalha é descomunal, 30 anos de poder quase incontestado fizeram-nos sentir os únicos detentores da verdade, alguns pensaram mesmo ter atingido o Nirvana do pensamento. A queda política de Bush, associada à crise económica, veio apressar a sua ‘debacle’ ideológica e enterrar definitivamente a famigerada tese do ‘Fim da História’ (o seu autor, honra lhe seja, já se havia antecipado a decretar-lhe o óbito!). O estertor em que se debatem torna-os raivosos, mas já dificilmente perigosos!


Aliás, tudo o que este assanhado liberal produz tem o cunho do sectarismo mais enviesado, mas por vezes bem elucidativo. Por exemplo, noutra parte da mesma prosa, a confissão, feita a propósito dos Óscares e depois de um chorrilho de comentários a despropósito sobre os males que afectam o cinema actual (para se ‘aliviar’ das tensões que o angustiam – por todas e à cabeça, o Iraque e o aquecimento global!), de que ‘das dezenas de filmes nomeados este ano, vi(u) parte de um e fugi(u) apavorado’!!! Qual o filme? ‘Milk’, sobre o assumido homossexual americano!

Afinal, do que este homem (?) precisa mesmo é de ir ao divã. Do psiquiatra, claro.

3 comentários:

José M. Sousa disse...

Estava a tentar adivinhar qual era o anormal - entre vários - que escreve no DN. Por acaso, falhei!

Mas este, de facto, é um deles! Nem merece ser nomeado, realmente!

Carlos Borges Sousa disse...

Excelente posta do AVCarvalho.
O Zé tem razão; de tantos anormais que proliferam no DN - a começar no próprio Marcelino - este, no entanto, é demais ... e, como tal, sobressai.

AVCarvalho disse...

Apesar de não ter sido propositado deixar por nomear o avantesma, mantê-lo incógnito acabou por ser o mais avisado. Como aliás fez o próprio Dr. Fernando Nobre, no comentário reproduzido no seu ‘blog’ em resposta aos insultos dessa peça. E eu também já me tinha referido a ele, em comentário à posta ‘Europeias 2009...’ (onde transcrevi um excerto dessa resposta), sem nunca identificar a assombração.
Esta aparente charada acaba, afinal, por ter o seu significado: é que este ‘anónimo’ – bem identificado pelo Zé Sousa – representa toda a cambada de neoliberais acossados, porque sabem que têm os seus ‘Dias Contados’: resta-lhes apenas e cada vez mais o amargo sabor do insulto e do impropério.
Também por isso não merecem ser nomeados.