sábado, 7 de março de 2009

12,3%!


Este é o valor estimado para 2009 para o défice orçamental federal dos EUA em relação ao PIB! Segundo o artigo citado, de Mark Weisbrot do centro de estudos norte-americano CEPR, trata-se do dobro do 2º pior défice registado nas últimas 6 décadas!

«Obama's proposed budget has a deficit for this year of 12.3 percent of GDP -- twice the size (relative to the economy) of the next largest deficit in the six decades since the second World War.»

Isto dá uma ideia da gravidade da crise. Na Europa, a miopia, para não dizer pior, dos nossos líderes, continua a insistir numa cartilha cega. Insiste-se no cumprimento das metas do défice orçamental, quando estamos à beira de uma deflação como nunca conhecemos. A ignorância catedrática (disfarçada de rigor técnico) dos duques deste mundo - ontem na "Expresso da Meia Noite"- continua a comprometer uma saída o menos dolorosa possível para esta crise!

P.S. Eis mais um texto de Stiglitz (e Krugman), onde, apesar do que foi dito atrás, se critica as medidas tomadas por Obama como insuficientes e inadequadas:

«- Bankers can be expected to act in their self-interest... Perverse incentives fueled excessive risk-taking, and banks that are near collapse but are too big to fail will engage in even more of it. Knowing that the government will pick up the pieces if necessary, they will postpone resolving mortgages and pay out billions in bonuses and dividends.»

Ao contrário do que nos querem fazer crer (o duque!), a nacionalização (que será sempre temporária) da banca, nas circunstâncias actuais, até dá um jeitão! Aos banqueiros, pois claro!

«Socializing losses while privatizing gains is more worrisome than the consequences of nationalizing banks.»

«Trickle-down economics almost never works. Throwing money at banks hasn't helped homeowners: foreclosures continue to increase»

P.S. O Jon Stewart em grande, como sempre, a ridicularizar Rick Santelli, da CNBC, por este ter manifestado indignação pela ajuda do Estado às pessoas com dificuldades em pagar a sua casa. Considera uma ajuda de Obama aos "falhados"!

2 comentários:

AVCarvalho disse...

Todos estes empertigados comentadores, catedráticos, gestores de topo, técnicos altamente qualificados, ‘opinion makers’,... recusam-se a aceitar, antes de mais, que erraram (ou que estavam errados); e depois, que é necessário alterar os mecanismos que conduziram e explicam a crise. O mais grave é que mesmo antes de se discutir que tipo de alterações ou que tipo de mecanismos devem ser alterados, recusam-se simplesmente a aceitar o erro em que viveram dezenas de anos (o tempo das suas vidas, afinal).
Só conseguem raciocinar no contexto do mercado, de acordo com as reacções do mercado, ficam impotentes perante o mercado (pois este é que manda),... mesmo quando os manda, presumo, atirar-se da ponte abaixo! Só que a realidade tem-se encarregado de empurrar todas as intenções e decisões para além do que eles alguma vez imaginaram poder acontecer.
Até onde é que isto nos conduzirá?Ninguém o sabe neste momento, mas a posição deles mantém-se inalterada, puramente expectante: acreditam piamente (a sua sobrevivência continua a depender desta posição de fé!) que, passada a convulsão, tudo voltará a ser como dantes!
O debate de ontem na SIC (Expresso da Meia-noite), foi deveras elucidativo. Os entrevistadores, cépticos como qualquer mortal perante tudo o que está acontecer e no seu papel de lançar dúvidas e pôr questões, bem solicitavam dos 3 representantes da ‘situação a que isto chegou’ – um teórico, um técnico e um gestor, todos do topo – explicações cabais para o que sucedeu e perspectivas para sair da crise. Todos eles se mantiveram irredutíveis, recusando-se a encarar a realidade, preferindo construí-la à medida dos seus desejos! É certo que correm o risco de ela lhes cair em cima, porque ultrapassados por ela já o foram, mas não o admitem!
Na ausência de uma resposta satisfatória deste lado, viraram-se então para Louçã, a arcar sozinho as despesas da chamada à realidade e o ter de enfrentar estas ‘trutas matreiras’.
Mas foi bonito de ver o encabulamento dos três perante as explicações claras do Louçã, na questão dos off-shores ou na utilização da CGD como instrumento de política no apoio à economia. Nem sempre as prestações do Louçã me convencem cabalmente, mas há muito tempo que não via um debate com tanto interesse, não obstante ter sabido a pouco. O Louçã ganha muito com este formato de discussão, pois é aí que ele pode expressar melhor a sua natural propensão para a exposição pedagógica, na dialéctica da argumentação.
Da outra parte, o habitual e estafado refúgio nas razões do mercado! Chega de atirar areia aos olhos das pessoas. Até os entrevistadores, a parte aparentemente mais neutra nesta discussão, sentiam necessidade de se voltar para o Louçã na expectativa de encontrarem respostas racionais e com algum sentido – e não apenas os chavões do costume.
Quanto ao Duque, está transformar-se, mesmo, no paradigma da casmurrice (será o reflexo dos óculos que o ofusca?). A ‘frase’: “ A sensação que eu tenho é que a Humanidade (???) não quer sair do modelo” (!!!). Até o ‘Ricardo Costa’ ripostou, incrédulo: “Não saímos já?”
Existe alguma diferença entre casmurrice e estupidez?

José M. Sousa disse...

Excelente comentário. Merece ser transformado numa "posta". Concordo inteiramente. De facto, a incapacidade explicativa e propositiva era pobre. E o pior é que esta atitude parece ser a mesma dos governos. Estão cegos perante o desastre que se desenrola! E não é por falta de bons conselheiros, como se pode ver.