sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A crise e a falta de decência e de vergonha ...

«[...] Tornou-se um lugar-comum desta crise:
este não é um tempo de ideologias, mas de acção.
Mas há acções que, de tão escandalosas, nos deviam alertar para a ideologia que nunca caduca:
a da decência e da vergonha na cara.

...Tudo isto seria grave em qualquer circunstância, mas numa altura de crise é pior.
A desigualdade entre grandes e pequenos empresários é gritante.
E a protecção dos fracassos dos primeiros tapa a possibilidade de ascensão dos segundos.»
(Editorial do ‘’Jornal de Negócios’’)

2 comentários:

Anónimo disse...

Meu Caro,
Até o insuspeitíssimo "Jornal de Negócios", pela pena do seu ilustre director - o neocon Pedro Guerreiro - se indigna com esta falta de decência e de vergonha.
É caso para se dizer :
- ao estádio a que isto tudo chegou
bfs

AVCarvalho disse...

Não posso estar mais de acordo com os ‘comentários’ deste habitual ‘comentador’ das ‘nossas’ televisões. Nem tenho com que contestar, em nada, tudo aquilo que ele aqui afirma. É até usual eu concordar(nem sempre, é certo, como se verá a seguir) com os genéricos comentários que ele produz. Mas...
Cheira-me que há aqui mais que comentários judiciosos e conjunturalmente correctos. Com base em declarações suas produzidas noutras circunstâncias, tentaria traduzir as minhas suspeitas através de dois populares aforismos:
O primeiro – ‘gato escondido com o rabo de fora’ – porque até parece, com as medidas agora propostas (justíssimas, diga-se), que ele defenderia a nacionalização indirecta (via CGD) do BCP. Mas... para continuar ou para, passada a crise e a aflição, se privatizar TAMBÉM o único banco do Estado – dentro do princípio liberal de que tudo o que é gerido pelo Estado é mal gerido e potencial fonte de corrupção? Como, aliás, ficou demonstrado na presente crise (Madoff,...)!
O segundo – ‘lágrimas de crocodilo’ derramadas sobre a pouca sorte das até, imaginem lá, ‘tributadas’ (!) PME – porque reproduz um tema glosado e abusado no discurso político (e no técnico-político) em torno das ‘coitadinhas’ das PME, sobretudo depois que foi criado o tão contestado (pudera!) PEC – Pagamento Especial por Conta (IRC ou IRS). Com as criativas contabilidades que por aí pululam, quantas destas empresas (ou empresários em nome individual) apresentavam lucros? 5, 10%? E os impostos das outras 90%?
No mais, reafirmo, até estou de acordo com tudo o que ele escreve. Só não sei se de forma genuína ou com que propósito. A menos que me demonstre o contrário e mesmo que, por vezes, o seu discurso soe anti-neo-liberal...
É que ‘gato escaldado da água fria tem medo’!