sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O Plano de "Salvamento" Bancário Alemão

Veja-se a diferença entre o nosso governo "socialista" e o governo alemão, de "direita",...Trata-se acima de tudo, a meu ver, de pura decência e responsabilidade na gestão da coisa pública!


«The government's 500 billion-euro rescue plan, announced Oct. 13 and passed by parliament four days later, comes with strings. It not only requires that the state be granted a stake in banks that apply for funds, as in the U.K, it also makes financial institutions cap manager pay at 500,000 euros, relinquish bonuses, abandon businesses the state decides are risky, and pay dividends only into the state-run fund.» Fonte : Bloomberg

Ou seja, em troca dos 500 mil milhões de euros para apoio à banca, o governo alemão exige não só uma participação no capital, como impõe um tecto salarial para os gestores de 500.000€ (quando anteriormente eram normais salários de 2-3 milhões) e a perda de bónus; o Estado dispõe também da prerrogativa de vetar negócios que considere arriscados e impõe ainda o pagamento de dividendos apenas para um fundo gerido pelo Estado.

«has all but abandoned a goal to balance the budget» - Além disso, o governo alemão mandou às urtigas o cumprimento do défice!

1 comentário:

AVCarvalho disse...

Estamos ainda no início da crise e, insisto, irá ser o evoluir dos acontecimentos, mais que as intenções, a determinar o tipo de medidas a ser adoptadas, em especial no que respeita ao modelo de controle do sistema financeiro. Que, espero, possam levar, por exemplo, ao controle dos ‘off-shores’, se não mesmo à sua extinção (controlar um ‘off-shore’ parece mesmo uma contradição dos termos!).
Até agora essas medidas têm-se resumido à socialização dos prejuízos, com o unânime e sintomático apoio dos partidos da direita e a oposição da esquerda. E, que se saiba, ainda não emergiu nenhum congénere de Keynes que possa desempenhar, em 2008, o papel que aquele assumiu na década de 30. Nem, provavelmente, emergirá. As condições objectivas, hoje, são muito diferentes (globalização,...) e, paradoxalmente, o sistema dispõe agora de mais soluções de defesa, mas estas revelam-se menos eficazes (tal como nos antibióticos, também as sociedades ganham imunidade a certas medidas, pelo que as soluções têm de ser mais radicais para obterem eficácia).
Para já impera o pragmatismo, o mesmo que levou à rápida salvação/nacionalização de um conjunto significativo de bancos, um pouco por todo o mundo (desmentindo a teoria da crise localizada: ela pode ter eclodido mais cedo nos EUA, mas encontrava-se já, larvar, em muitos outros sítios!).
Ao mesmo tempo multiplicam-se aqui e ali medidas avulsas, mais ou menos decalcadas, evidenciando uma grande desorientação dos responsáveis políticos, chamados à linha da frente no ataque à crise. Algumas eram impensáveis ainda há poucos meses. O certo é que a pouco e pouco alguns deles lá vão adoptando, a contragosto, disposições que podem vir a constituir, no futuro, um conjunto de normas de conduta de grande impacto pedagógico e difícil retrocesso. As opiniões públicas e os partidos políticos, têm aqui um papel decisivo.
Ainda agora a procissão vai no adro...