quarta-feira, 17 de junho de 2009

O "troca-tintas" ...

O Dr. Victor Constâncio, governador do Banco de Portugal (BdP), e um dos mais bem pagos governadores dos Bancos Centrais da Europa, quando ouvido no Parlamento no âmbito da Comissão de Inquérito ao BPN, às tantas, e com aquele seu (dele) muito característico ar enfatuado, acusou os deputados da referida Comissão de ignorantes, admitindo que da parte do BdP terá havido lugar a alguma ingenuidade sem, contudo, admitir quaisquer responsabilidades de/na supervisão.
Contudo, fora do Parlamento, no VII Fórum da Banca e Mercado de Capitais, o nosso principescamente bem pago senhor governador do BdP, lá informou que, afinal :
O sistema bancário "sombra" vai desaparecer com o reforço da regulação que resultará desta crise, afirmou hoje o Governador do Banco de Portugal (BdP), que acrescenta que os auditores "têm falhado muito" e também em Portugal .
Afinal, e pelos vistos, sempre falhou qualquer coisa;
o que não falhou, de certeza e com certeza, foi o seu (dele) chorudo ordenado ...

1 comentário:

AVCarvalho disse...

Não pude acompanhar a audição, por completo, mas tenho ideia que o Constâncio não chamou ‘ignorantes’ a todos os deputados da Comissão, mas apenas ao Nuno Melo. E quanto a mim, bem, pois este, no tom populista que caracteriza o CDS, acusando mais que inquirindo, insinuando mais que provando (com base em informações – ou suspeitas – veiculadas pelos jornais!), demonstrou saber ‘cantar de ouvido’, mas não perceber sempre do que falava (foi o caso da que originou tal epíteto). O seu único propósito era a defesa de uma tese: a crise deve-se, sobretudo, às falhas dos reguladores (nem é da regulação). Com rosto e tudo: o Vitinho pôs-se a jeito...
Quanto ao resto, mantenho o que tenho vindo a defender por aqui: a meu ver, quem tem interesse em insistir nas falhas dos reguladores para explicar a crise são os liberais, pois isso permite-lhes apontar, como principal causa dela, o erro humano. E concluir que, afinal, “o sistema é bom”, só há que substituir as pessoas que falharam. Sentem-se até cada vez mais confiantes, os arreganhos tornam-se mais ousados. A agressividade alardeada pelo Melo na inquirição do Vitinho (e ontem do Teixeira) não tem freios, nem senso, nem decoro.
A insistência da esquerda nas falhas dos reguladores é, a meu ver, uma estratégia no mínimo arriscada: (1) não se discute o essencial – e o essencial começa na natureza dos ‘off-shores’ e no destino a dar-lhes, mas sem acabar aí!; e (2) vê-se a reboque da direita – o grosso das atenções em torno deste caso foi para o Melo, que conseguiu marcar a agenda que mais lhe convinha, concentrando o debate nos reguladores e cavalgando a agitação mediática provocada pela inquirição em benefício da sua campanha para o PE!
Haveria, sim, que insistir nas verdadeiras causas das fraudes financeiras, da lavagem de dinheiro das mais obscuras e impenetráveis proveniências, das mais ardilosas manigâncias de fuga ao fisco,... A criação dos ‘off-shores’ visou exactamente permitir que determinadas operações financeiras escapassem à regulação. Até lhe chamaram ‘d-e-s-r-e-g-u-l-a-ç-ã-o’! Afinal de que é que se queixam agora? Pena é que boa parte da esquerda esteja a ir nesta conversa!