quinta-feira, 20 de maio de 2010

Especuladores à solta …


Quando rebentou a crise financeira, ouvimos promessas de reformas.
“Nada vai ficar como dantes”, repetiam Obama, Angela Merkel, Sócrates ou Durão Barroso.
Dois anos depois, vemos que era tudo mentira : os especuladores nunca tiveram tanto poder como agora.
Nos últimos meses, o seu alvo tem sido o euro.
Como a bolsa anda mal, os especuladores apostam na desvalorização da moeda única através do ataque à dívida pública dos países mais vulneráveis.
Quanto maior for o risco de bancarrota do país, mais se valorizam os seguros da dívida detidos pelos especuladores.
A Grécia foi primeiro, Portugal está agora sob ataque. Mas os governos que se queixam dos especuladores devem ser os primeiros acusados.
Foram eles que deram liberdade de acção aos abutres do mercado.
A Europa liberal envelheceu obcecada com a moeda única.
Agora, com o euro em risco de ruína, fica à vista que o “europeísmo” dos negócios gez da União Europeia um projecto anémico e dominado pelo egoísmo das elites de cada país.
É necessária uma resposta coordenada da União Europeia e a criação de mecanismos de solidariedade entre os países-membros.
A principal potência económica, a Alemanha, domina hoje o Banco Central Europeu em nome do controlo da inflacção.
Esta prioridade é errada e tem alimentado a crise.
É absurda a situação criada nesta crise financeira, os Estados financiaram os bancos privados com juros baixos.
Depois, os mesmos Estados foram pedir dinheiro emprestado, a juros altos, aos mesmos bancos que antes salvaram.
Para desarmar os mercados especulativos, a Europa deve criar uma agência de notação pública e independente, que avalie as finanças públicas com rigor e transparência.
E o Banco Central Europeu deve poder financiar os Estados, em vez de os deixar à mercê dos tubarões da alta finança.
Entretanto, e até ver, os especuladores continuam à solta ...

(Via : Jornal do Bloco)

1 comentário:

AVCarvalho disse...

Angela Merkel, ontem, numa conferência em Berlim sobre regulação financeira, veio recordar que há quase dois anos foi proclamado pelos líderes do G-20 a necessidade de reforma da regulação e supervisão. «Foi o que prometemos às pessoas. Agora, quase dois anos depois, perguntam-nos o que aconteceu. Temos de começar a agir». E numa surpreendente tirada: «As pessoas questionam-se: que poderes ainda têm os políticos?» Afinal, a questão mais pertinente.
Obama, por sua vez, acaba de ver aprovado no Senado um pacote de medidas, cujo alcance só mais tarde se apurará. Desconfio da sua eficácia, tanto quanto das intenções, mas esperemos para ver...