domingo, 21 de fevereiro de 2010

Catástrofe



Se alguém tem dificuldade em perceber as consequências das Alterações Climáticas, medite nestas imagens. O Governo Regional da Madeira, e o Funchal em particular, devem estar cientes que este tipo de acontecimentos poderá ocorrer com maior frequência que no passado, devido às Alterações Climáticas. Como explicava Anthimio de Azevedo a Madeira está numa zona de transição (confluência de massas de ar quente e ar frio que podem levar a nuvens com 11 kms de altitude!) Este foi um fenómeno extremo num Inverno já de si extraordinariamente chuvoso ( ver aqui também). Como explica este artigo, uma atmosfera e um oceano mais quentes aceleram o ciclo hidrológico aumentando o vapor de água que circula na atmosfera, ou seja, há mais água na atmosfera que cairá nalgum sítio com redobrada violência:

«The fact that the oceans are warmer now than they were, say, 30 years ago, means there’s about, on average, 4 percent more water vapor lurking around over the oceans than there was, say, in the 1970s.»

Por isso é urgente uma monitorização detalhada da actual ocupação do território em sitios críticos, para que isto não volte a ter no futuro a dimensão que se vê.

3 comentários:

AVCarvalho disse...

As imagens do que ocorreu na Madeira (estas e outras que vamos conhecendo) são impressionantes e trazem à memória aquelas outras do tsunami asiático. Nestas alturas só ocorre dizer que as forças da natureza são imparáveis e, todavia, alguma coisa podia e devia ser feito para as prevenir (ou pelo menos conter em limites mais humanos, por assim dizer). Para além dos fenómenos associados às alterações climáticas - que se sabe irão recrudescer e cada vez com mais violência - também é necessário ter em conta um mais correcto ordenamento do território. Hoje ouvi falar (não conheço a realidade da Madeira e por isso recorro a testemunhos que considero autorizados) em sítios que importa reflorestar (a Madeira tem sido fustigada com incêndios violentos de Verão - mais um efeito passível de ser associado às alterações climáticas...), com leitos de ribeiras demasiado apertados e estreitos para pluviosidades normais (quanto mais para este tipo de intempéries),...
Temo, no entanto, que estes acontecimentos, por maior dramatismo que contenham, não sejam suficientes para alertar devidamente para os perigos que encerram, quer quanto aos efeitos mais que certos das alterações climáticas, quer quanto às nefastas consequências do desordenamento urbanístico e ambiental. É que passada a borrasca e curadas as feridas...

José M. Sousa disse...

Eu diria que um ordenamento do território "convencional" óptimo não resistiria perante toda a água que desabou - numa hora 52 litros por metro quadrado no Funchal e ainda mais no Areeiro (montanha).
Para evitar situações semelhantes - muito prováveis - esse ordenamento provavelmente terá que ir muito para além do que era considerado exigível em situação "convencional".

José M. Sousa disse...

IM: "A precipitação ocorrida em Fevereiro, até dia 22, de 426 mm corresponde a cerca de 70% do valor total anual médio."