“O doce embalo de julgar que cumpre um destino tem levado o dr. Cavaco ao incomparável incidente de ser preceptor das nossas vidas.
Desde a rodagem de um carro até aos acasos da fortuna e os desacertos da História o empurram para lugares cimeiros da Nação nada de entendível esclarece o enigma.
(…) Foi um primeiro-ministro medíocre; é um Presidente da República sem estofo.
Quando fala, o discurso é ambíguo, desbotado e triste, quando não funesto.
Acontece vezes de mais,
Uma delas foi há poucos dias, numa daquelas cerimónias em que senhores consideráveis e visivelmente bem instalados discreteiam sobre a redenção da Pátria e a salvação do povo.
Quando o dr. Cavaco fala, ninguém resiste à sagacidade portentosa das suas meninges.
(…) Que homem é este que nos coube em sorte ?..
Baptista-Bastos, in Diário de Noticias
1 comentário:
Entre o 'enigma' proposto pelo Batista-Bastos ou o 'génio das banalidades' como o havia etiquetado o Saramago, não sei por qual optar.
Já sei. O melhor é adoptar os dois. Porque ambos se ajustam como uma luva ao personagem.
Mas permanece a pergunta: afinal, que homem é este? E como é possível termos tão pouca sorte com esta sorte de políticos?
Talvez, como reza o ditado, cada povo tenha mesmo os líderes que merece. Triste povo este, então!
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