
Já não bastavam os mais de um milhão e 100 mil votos obtidos nas anteriores presidenciais, à margem de qualquer apoio e estrutura partidárias, faltava agora a prova de que este tipo de apoios (já certo o do Bloco, previsível o do PS) podem vir a demonstrar-se contraproducentes – mas para os apoios! Aviso que surge quase em jeito de recomendação, como quem diz: ‘Cuidado, este candidato não é de confiança, é independente’! Faz lembrar a celebrizada boca do ‘Coelhone’ inúmeras vezes glosada no ‘Contra Informação’, ao manifestar a ‘sua’ falta de confiança em todos os que não fossem filiados (ou arregimentados?) no PS: ‘estes independentes são muito imprevisíveis’!
Este súbito desvelo com que a direita parece querer olhar pelos interesses da esquerda seria deveras enternecedor, não fora tão denunciado, pois não consegue esconder os propósitos que a anima. Porque, logo a seguir, os dois (Xavier e Pacheco) mal conseguiram disfarçar o incómodo pela disponibilidade manifestada por Alegre para se candidatar (até agora é ao que se resume a sua candidatura), ao afirmarem que se Cavaco Silva tinha dúvidas para avançar como candidato, essas dúvidas desvaneceram-se perante tal anúncio. O que não deixa de ser curioso e particularmente sintomático por parte de quem, momentos antes, formulara tantas cautelas em resultado da ‘independência’ do candidato, sem perder o ensejo de manifestar sobranceiro desdém pela fragilidade da candidatura.
É que, depois do burlesco (ou pretensioso?) dramatismo que rodeou o episódio do ‘Estatuto dos Açores’; da pantomina montada em torno das ‘escutas’ (género ‘gato escondido com o rabo de fora’); das ‘tiradas técnicas’ a envolver mal disfarçados apoios políticos tão do agrado dos seus apaniguados; das insuportáveis manifestações de falta de gosto (aquela delambida ‘cena’ das vaquinhas a caminho da ordenha! – embora gostos não se discutam!) e de cultura (o que já é mais grave!) – só faltava mesmo que nos saísse um Presidente independente, ainda por cima prezando a cultura, que é coisa que vai escasseando e faz muita falta!
(Cultura? Quem precisa dela?)
Haverá tempo para se voltar ao assunto, pois ele ainda só agora começou. Para já fica apenas o breve registo da disponibilidade manifestada por um candidato independente que a direita se apressou já a apresentar como incómodo à esquerda!
Hum...!
Sem comentários:
Enviar um comentário