terça-feira, 16 de setembro de 2008

A Bolívia diz não a um novo ‘Chile’; a América Latina faz frente aos EUA

O dia de ontem, segunda-feira, 15 de Setembro, foi particularmente profícuo no que parece poder vir a ser o início de uma nova era na América do Sul. Quando tudo fazia prever – pelo menos assim nos era ‘transmitido’ pelos nossos pressurosos meios de comunicação, mais atentos aos humores do público (as audiências, pois então!), do que à sua missão de informar com um mínimo de isenção – quando, repito, tudo se encaminhava para um muito desigual braço de ferro entre o minúsculo anão Bolívia e o colossal mastodonte EUA (aquele contando apenas com o declarado e, para muitos quixotesco, apoio da Venezuela), eis que de repente se ergue um Continente inteiro a afirmar uma posição que pode vir a ser histórica.

Após intensa acção diplomática desenvolvida ao longo do dia, três organizações regionais, cobrindo a totalidade da América Latina, México incluído, decidem declarar apoio unânime à Bolívia democrática, no que só pode ser considerado um claro e sintomático desafio ao todo poderoso vizinho do Norte. De uma penada, num só dia, Comunidade Andina, Grupo do Rio (que reúne 22 países da América Latina e Caraíbas) e Unasur (União das Nações Sul-Americanas), estilhaçaram os esforços do ‘Império’ em manterem sob seu controle, económico e político, esta região imensa (em dimensão e dificuldades), ao não terem dúvidas em manifestar apoio incondicional a um dos seus, por sinal o mais débil de entre eles (o mais baixo PIB per capita, em dólares PPC, da região). Ao afirmarem, sem equívocos, o princípio da integridade territorial (que os insurrectos ameaçavam pôr em causa), salientando a legitimidade acrescida do Presidente Morales após o referendo de 10 de Agosto último, emitiram um sério aviso e estabeleceram barreiras a todos os aventureirismos, internos e externos.

Parecem assim criadas agora melhores condições para a pacificação interna de uma Nação que apenas pretende o direito à sua própria autonomia, sem interferências abusivas, de dentro ou de fora, nas decisões tomadas pelos órgãos legitimamente eleitos em prol de uma política de desenvolvimento inclusiva (no propósito expresso de abranger populações extremamente carenciadas) e uma mais equitativa distribuição das riquezas do Pais – afinal a grande fonte de discórdia que esteve na origem desta crise.

No rescaldo da mesma (faço votos para que já o seja), emerge então essa alteração qualitativa na correlação de forças presente no Continente, em benefício de uma maior autonomia regional. Ignoro se é a primeira vez que se consegue unanimidade numa posição regional contra as posições expressas dos EUA, mas é-o seguramente na amplitude das organizações intervenientes – e isso só pode ter uma leitura que deve ser particularmente saudada: a América Latina está diferente, o Mundo está a mudar – e só pode ser para melhor!

Quanto ao resto, apetece-me apenas sublinhar a mal disfarçada ‘frustração’ de alguns meios de comunicação social por este anunciado desfecho pacífico da crise, retirando aos manipuladores do costume os ingredientes com que alimentam os instintos mais primitivos da opinião pública – na busca das ditas audiências de que eles próprios se alimentam. Notória a posição da SIC (diferentes, neste caso, RTP e TVI), em que no seu canal generalista apenas insere, de raspão, breve notícia sobre estas movimentações regionais e consequentes apoios à Bolívia – deixando seguramente o seu desenvolvimento para a SIC/N, acompanhados, decerto, de mui judiciosas e ‘pedagógicas’ análises (é necessário garantir a orientação ‘certa’ dos telespectadores) de comentadores da jaez dos Monjardinos, Marcelos e quejandos (como bem ilustra José M. Sousa, em comentário à minha anterior ‘posta’ sobre este assunto).

Que, acrescento eu, parasitam a informação com notório proveito pessoal e indigente benefício geral!

6 - 1 ; 6 - 3 ...

Ontem, a primeira ronda do Quadro de Qualificação do Campeonato Nacional correu-me bem, muito bem : ganhei por 6-1 e 6-3; o meu adversário, para além de pessoa cortês, demonstrou um desportivismo exemplar …
Carlos, quem sabe se, um dia destes, quer no Clube de Ténis do Paço do Lumiar - o meu Clube -, seja no C.I.F. - o seu Clube - não marcamos a “desforra” ?..
Hoje, às 12h30m jogar-se-á a segunda ronda; a “coisa” promete ser algo diferente uma vez que, e na circunstância, o meu adversário emprestar-me-á, estou certo, outras dificuldades, desta feita, muito mais acrescidas.
A ver vamos …

Outra vez o ‘Chile’?

A comparação já não é original, a muitos outros ocorreu também o paralelo, mas isso é o que menos importa. Ou então importa pela coincidência, o que reforça as preocupações. Começam a perfilar-se, na Bolívia, os fantasmas de um ‘novo Chile’ ao tempo de Allende, com as oligarquias, tal como então – e tal como então, com o despudorado apoio ianque –empenhadas em não perderem privilégios, mesmo que isso implique afrontar o Estado democrático. O confronto pode mesmo vir a assumir a forma de guerra civil, para onde os ditos oligarcas não se importarão de arrastar todo um povo se vislumbrarem que passa por aí a defesa dos seus interesses particulares.

Atenho-me, por enquanto, a constatar apenas as reacções tíbias dos meios políticos e mediáticos ditos democráticos deste Ocidente inebriado (ou anestesiado) pelas delícias da sociedade de consumo (que é, como se sabe, o produto da fórmula milagrosa ‘democracia + mercado’) e limito-me a destacar um pormenor semântico: até agora em nenhum desses meios eu vi classificar os acontecimentos daquilo que eles representam na realidade – uma insurreição aberta contra o Estado democrático – e os seus promotores e cabecilhas tratados como realmente merecem – criminosos e fora da lei.

Tivesse ela origem oposta, de reivindicações que fossem por melhores condições de vida de populações carenciadas dos bens mais elementares e o coro mediático acorreria a clamar contra a desordem e as instituições democráticas em perigo, a vozearia das chancelarias e da diplomacia erguer-se-ia contra os seus impulsionadores, porventura até apodados de perigosos terroristas. E nem será necessário invocar o Bush e respectiva pandilha como únicos possíveis fautores de tais dislates...

A contrabalançar a pusilanimidade (ou cumplicidade?) dessas reacções assépticas e apesar do destempero de alguma linguagem, a posição indignada, mas firme e clara, de Hugo Chavez. Mas será ela suficiente?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Ténis : "Campeonato Nacional de Veteranos"


A partir de hoje, e enquanto o (meu) engenho e a (minha) arte mo permitirem, vou estar por aqui

sábado, 13 de setembro de 2008

A ‘lasca’

Não consigo evitá-lo, foge-me mesmo o pé para o chinelo, para a brejeirice. Que me perdoem o trocadilho fácil e, pior ainda, a ‘rasquice’ baixa (a pior das ‘rasquices’) a que recorro para aqui trazer a candidata à vice-presidência dos EUA pelo Partido Republicano. Escolhida, não tenho dúvidas, para cavalgar a onda de popularidade gerada em torno da ‘outra’ candidata mulher, a Hillary Clinton. Apenas, pois, por ser mulher. De quem ainda sabemos pouca coisa - o bastante, porém, para se começar a esboçar, desde já, um perfil sinistro.

Do seu passado glorioso sobra esse título magnífico de ‘Miss Alasca’ (um honroso 2º lugar, ainda assim o suficiente para fazer jus ao cabeçalho desta crónica rasca!), porventura a melhor credencial para ter sido eleita pelos ‘barões’ republicanos (não, não é uma contradição, estes republicanos aspiram todos ao genuíno baronato, o ‘made’ in Europa – no mínimo!). Para o arquétipo ser perfeito só lhe faltava mesmo ser loura (pormenor que os ditos barões facilmente relevaram, perante as restantes credenciais exibidas).

Das intervenções tidas logo após ter sido indigitada para o cargo, percebeu-se, enfim, que a senhora milita no radicalismo mais fundamentalista – enfileira convicta e galhardamente, por exemplo, ao lado daqueles abencerragens creacionistas que acreditam piamente descender (todos em linha directa, acrescento eu, pois nem pode ser de outro modo) de Adão e Eva, esses mesmo, os míticos personagens bíblicos – e, suprema caução das virtudes mais retrógradas, sendo mulher pouco deve perceber de política, ou seja, é incompetente bastante para um cargo que pertence por direito (divino?) aos homens, é, em suma, a flor na lapela do ‘verdadeiro’ candidato (convenhamos que nem o McCain merecia isto!). Dois predicados de peso, portanto, e que, a juntar ao obtido no referido concurso de beleza, se demonstram essenciais para impressionar o eleitor americano médio, na sua versão mais integrista uma aparentemente discrepante mescla de machista e misógeno. Já quanto às eleitoras, será sociologicamente muito interessante ver qual vai ser a sua reacção...

Pois a ‘lasca’ – perdão, a Palin – deu uma entrevista (a exposição mediática é um dos saudáveis problemas das democracias, mesmo as mais controladas) onde, a propósito do conflito do Cáucaso, não teve rebuços em admitir – a isso foi ‘empurrada’ pelo entrevistador, que se limitou a seguir a lógica dos princípios que, com tanta prosápia e falta de senso, a entrevistada expendia – a possibilidade de os EUA virem a declarar guerra à Rússia... se a Geórgia, entretanto por si incentivada a aderir à NATO, solicitasse o apoio aliado.

A ligeireza com que esta ‘dona de casa’ – apropriado epíteto que tomo de empréstimo a Mário Soares, quando este, há uns anos (então de forma infeliz, diga-se), brindou a sua concorrente à Presidência do Parlamento Europeu com tal ‘mimo’ – decide da guerra, em nome do Mundo inteiro, é deveras arrepiante. Este autêntico pechisbeque da política, ou está a armar-se (ao pingarelho, por enquanto), ou é completamente inconsciente (perante os predicados anunciados é o mais provável) ou então é redondamente parva (indo à etimologia da palavra, claro) – e ponto!

Num mundo cada vez mais dominado por loucos perigosos, só cá faltava mesmo esta paródia da ‘dama de ferro’!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Luta política: pragmatismo vs. sectarismo

Não sei se é sintomático ou se indicia algo de novo na política de alianças do PCP, a abertura manifestada às restantes forças de esquerda na entrevista dada por Jerónimo de Sousa ao Expresso de sábado último. Nomeadamente as repetidas referências ao BE – organização que invariavelmente lhe suscitava um sorriso de desdém (que se adivinhava mesmo quando não era possível comprová-lo, como seria neste caso) – e sobretudo o tom e o contexto em que são expostas, fazem supor, por parte do entrevistado, a atribuição a este partido de um estatuto de ‘organização de esquerda confiável’ (pelo menos para efeito de alianças partidárias), coisa que não é de menos importância. Até aqui – muito a contragosto, diga-se – só o PS detinha esse estatuto e percebia-se porquê: afinal a maioria do ‘povo de esquerda’ continua a votar neste partido, o que de modo algum pode ser ignorado, sociológica e eleitoralmente.

E isso não obstante o aparente interlúdio que constituiu toda a polémica suscitada em torno de um texto publicado no Avante!, cujos propósitos, ao questionar a natureza revolucionária do Bloco e ao atribuir-lhe o epíteto de reformista (???), parecem enquadrar-se sobretudo no esforço interno de formação ideológica dos seus militantes, que a tanto aspira um artigo publicado num órgão partidário. Entende-se até o constante confronto estabelecido a partir de citações rebuscadas para produzir um determinado efeito – a menorização do BE – uma vez que o objectivo final é afirmar a supremacia ideológica do PCP no seio das esquerdas, no âmbito das teses vanguardistas de que ainda não abdicou nem consegue libertar-se.

É precisamente esta histórica pretensão (tornada obsoleta, mais que não fosse, pela própria complexidade da realidade social actual), que torna o PCP preso de um quase cabalístico hermetismo, incapaz de compreender a absoluta necessidade de um espaço de debate em que o confronto de ideias e de perspectivas diferentes se deve estabelecer num plano de igualdade. Apesar de nem sempre bem conseguido, tem sido essa, a meu ver, a vantagem do Bloco: a fórmula em que assenta a sua acção política, mais de ampla confluência de vontades e sensibilidades, do que da afirmação de princípios exclusivistas, corresponde melhor às condições sociais actuais e proporciona um ambiente mais propício à descoberta de novas soluções políticas (ainda que o torne propenso a um certo ecletismo ideológico, também o torna, contudo, mais imune ao sectarismo). Num tempo em que sobram as interrogações e escasseiam as respostas, é mesmo imperioso combater todos os fundamentalismos – sem prejuízo, é bom afirmá-lo, da firmeza na defesa dos princípios básicos sintetizados no triplo ideário herdado da Revolução Francesa, aqui sem falaciosas defesas do primado de um sobre os restantes, pois a viabilidade concreta de cada um deles depende da dos demais.

Costuma salientar-se, as mais das vezes de forma depreciativa, o facto de, ao contrário do que acontece no resto da Europa, em Portugal subsistir, muito para além do efeito das conjunturas, uma importante base social que se assume à esquerda da social-democracia (PS e PSD). Nas conjunturas de crise, como a presente, esta base social tende a crescer, à custa do Bloco Central social-democrata. E só não cresce mais, porque a atracção pelo voto útil na alternativa mais viável de poder (o PS), é potenciada pela fragilidade das restantes forças partidárias de esquerda, fragmentadas pelo espírito de grupo e incapazes de centrar a prática política no essencial – e o essencial passa, hoje, pela desmitificação do mercado (contra todos os fundamentalismos), pela afirmação de uma cidadania responsável (contra a subalternização da política), pela preservação do ambiente (contra a sua persistente e criminosa destruição) – pontos em que, afinal, é possível construir um largo consenso ideológico. Difícil, mesmo, apresenta-se a tarefa de o transformar em político - prevalecem sempre os interesses de grupo, sejam eles quais forem!

É por isso que, retomando agora o início destas considerações, importa ver nos próximos tempos (e nas lutas eleitorais que se avizinham), qual a posição que irá prevalecer no PCP, se o pragmatismo revelado pelo seu Secretário Geral, se o sectarismo evidenciado pelo articulista do Avante! – sobretudo como é que isso se irá traduzir na prática política!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Marcha contra a Precariedade

O Bloco de Esquerda vai organizar uma Marcha contra a Precariedade.
Na próxima Sexta, Sábado e Domingo, a Marcha contra a Precariedade está em Lisboa e na Margem Sul, cumprindo-se, assim, a primeira etapa.
Nos dias 19, 20 e 21, a segunda etapa da Marcha percorrerá os distritos do Porto, Aveiro e Braga.
Eu, vou lá estar porque embora a precariedade afecte mais os jovens, é cada vez mais um problema de todos; porque, e segundo o INE, Portugal tem :
- 560 mil desempregados
- metade dos desempregados não recebe subsidio de desemprego
- em dez anos, o número de precários cresceu 50%
- 70% dos jovens não encontram emprego um ano depois de se formarem
- 330.000 pessoas precisam de ter mais de um emprego
- se o Código do Trabalho for aprovado, 70% das convenções colectivas caducarão em 2010

AQUI o Programa completo da Marcha contra a Precariedade.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Res Publica = funeral das Fundações Antero de Quental e José Fontana …

Com muita pompa e circunstância, com a costumeira e escandalosa propaganda, José Sócrates, muito bem acolitado, lá “lançou” a Res Publica, um think tank presidido pelo insigne “socialista” António Vitorino.
O que José Sócrates e os seus acólitos não referiram, escamoteando o facto de forma propositada, foi que o nascimento deste think tank ( um termo mais “moderno”, muito mais apropriado à “dimensão” e à “modernidade” do actual secretário-geral do PS ) está directamente relacionado com o funeral das Fundações Antero de Quental e José Fontana.
Sócrates, já em 2005 que perseguia o objectivo da criação de um think tank; a “coisa”, com uma terminologia estrangeirada, sempre teria, assim, um toque mais “modernista”, muito mais condizente com a sua ( de Sócrates ) condição de “homem moderno” e, vai daí, em vésperas do congresso do PS , em Novembro de 2005, deu claras instruções no sentido de colocar as Fundações Antero de Quental e José Fontana à venda.
E, assim e com José Sócrates, se faz a “modernidade” no PS.
Até quando ?..

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Os “atrasos” de Manuela Ferreira Leite …

Após um longo silêncio (?), Manuela Ferreira Leite (MFL), qual “esfinge” no feminino, lá se dispôs a aparecer em público tal como, de resto, havia prometido e encerrou a Universidade de Verão do PSD com um discurso que, de tão vazio de ideias (próprias), acabou por ser ( o discurso ) mais que óbvio …
MFL, qual novidade (?), proferiu criticas à governação, acusando José Sócrates e o PS de “um clima de mistificação só possível porque está apoiado por uma máquina de comunicação e de acção pouco democrática”
Ainda, e em clima de grande novidade (?), MFL - discursando para uma plateia, onde e na primeira fila, pontificavam, entre outros, “jovens” como Luís Marques Guedes, Vasco Graça Moura, João de Deus Pinheiro, José Aguiar Branco e, claro, o inefável António Borges - adiantou que :
“o Governo confunde autoridade com autoritarismo, esgota-se a impor quando devia ouvir, despreza o estatuto da oposição e abafa qualquer tentativa de participação séria e democrática”.
Pois, que grande novidade D. Manuela …

Só é pena, mesmo, que a Senhora não perceba (?) que, em/na politica ( e não só ) o "nú nunca se deve rir do mal vestido" …
Ah... e já agora, D. Manuela, será verdade aquilo que, incrédulo (?), li nos jornais e que fontes do seu gabinete (re)confirmaram :
- que a Senhora não entregou, em tempo útil e como deveria ser e a quem de direito, a respectiva declaração de IRS ?..
Pois é, D. Manuela, convém que em/na política ( e não só), não se esqueça que : o "nú nunca se deve rir do mal vestido" ...
Percebeu ?..

Eleições nos Açores : faltam 41 dias ...

BE Açores quer eleger deputado nas eleições regionais
Zuraida Soares (na foto), coordenadora regional do Bloco de Esquerda, anunciou que o BE-Açores :
" assume o firme propósito de alcançar representação parlamentar e contribuir para arejar a democracia nos Açores, a qual sucessivas maiorias absolutas têm empobrecido e deteriorado".
O Bloco de Esquerda vai concorrer nos nove círculos eleitorais.
Segundo a agência Lusa, a coordenadora do BE-Açores falava, em conferência de imprensa realizada Sábado, no final de uma reunião da Comissão Coordenadora Regional, que aprovou a candidatura do Bloco às eleições regionais de 19 de Outubro de 2008.
Zuraida Soares encabeçará as listas pelos círculos eleitorais da ilha de São Miguel e regional de compensação. Em São Miguel, o número dois da lista será o independente Veríssimo Borges, dirigente da Quercus.
Zuraida Soares declarou que o Bloco de Esquerda quer eleger, pela primeira vez, um deputado regional para confrontar o governo com políticas à esquerda e, durante a campanha, dará destaque à denúncia da pobreza e das desigualdades sociais nas ilhas.
"O BE/Açores fará um combate sem tréguas às políticas anunciadas pelo PS, e secundadas pelo PSD e CDS, de privatizar serviços públicos essenciais", salientou ainda a coordenadora regional do BE, apontando os casos dos transportes aéreos, portos, saúde e saneamento.

domingo, 7 de setembro de 2008

A verdade cruel dos números : metade dos trabalhadores ganha menos de 600 euros

1,677 milhões de portugueses, ou seja, quase metade do total dos trabalhadores por conta de outrém, tem um salário inferior a 600 euros. O estudo do INE revela também que um terço dos empregos criados no segundo trimestre de 2008 oferecem salários mensais abaixo de 310 euros.
José Sócrates não perdeu a oportunidade para se congratular com a criação de 37 mil empregos no segundo trimestre, fazendo as contas à promessa eleitoral dos 150 mil novos empregos. O que não disse é que um terço destes novos empregos são remunerados abaixo dos 310 euros.
No final de Junho, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística publicados no semanário Expresso, esta era a realidade para 151 mil trabalhadores, número que inclui os 22 mil desempregados que integram acções de formação profissional a ganhar cerca de 200 euros por mês. No escalão mais alto dos salários, acima dos 3000 euros mensais, estão apenas 22,6 mil trabalhadores, maioritariamente do sector dos serviços.O chamado subemprego visível, que se refere a pessoas que trabalham a tempo parcial, mas não por opção própria, é estimado pelo INE em 72 mil pessoas, num total de 123 mil que trabalham menos de 10 horas por semana e 630 mil com contratos em part-time.

( Via : esquerda.net )

sábado, 6 de setembro de 2008

Regressado de férias? Não. Ainda a recuperar de um trauma...

Ora vamos lá a ver se é mesmo desta. Depois de um longo e forçado interregno, provocado por um previsível, mas nunca desejado (e não acautelado, valha a verdade!) quase terramoto informático caseiro – só quando tal acontece é que nos apercebemos da dependência em que estamos destas novas tecnologias e dos transtornos que provoca qualquer alteração na sua disponibilidade – volto aqui para prosseguir a minha actividade ‘bloguística’ de forma tão regular quanto possível. Ainda que a base tecnológica não seja ainda totalmente estável, já dá, espero, para arranhar qualquer coisa. Certo é que, entretanto, mais pelo desgaste mediático a que foram sujeitos, do que por perda da sua actualidade (que a maioria deles ainda conserva), perdi a oportunidade de abordar, com o desenvolvimento que mereciam, alguns assuntos bem interessantes que ocorreram neste período.

Foi o caso da ‘Guerra da Geórgia’ e de toda a envolvente diplomática que a rodeou, sobretudo com o episódio ocorrido, já depois de terminada, da declaração de independência unilateral das duas províncias separatistas, a Ossétia do Sul e a Abecázia, seguida do imediato reconhecimento por parte da Rússia, sob pretexto do precedente aberto com o Kosovo. Afinal, depois deste, quem se atreve a atirar a primeira pedra? Os principais fautores do Kosovo, com Rice e Merkl à cabeça, bem se esfalfam a bramar que os dois casos não são iguais. Mais avisado, neste caso, o Amado (lusitano) vai dizendo que é possível estabelecer o paralelismo. Vamos ver é até quando consegue ‘destoar’ dos que regem a orquestra!

Mas foram dois acontecimentos recentes ocorridos na América Latina – a tomada de posse do ex-bispo Fernando Lugo como Presidente do Paraguai e a confirmação referendária do Presidente boliviano Evo Morales – que sobretudo importaria destacar, pelo reforço que representam do aprofundamento do movimento de emancipação da tutela, económica e política, do poderoso vizinho do Norte. A avaliar pelo que passam diariamente Chavez, Morales ou Correa (do Equador), a tarefa de Lugo não se apresenta nada fácil, nomeadamente quando decidir empreender a já anunciada reforma agrária (1% da população controla 77% das terras!), na tentativa de resgatar um país em que cerca de 40% da população é pobre (20% em pobreza extrema). Não tenho dúvidas que, se (e quando) essas medidas começarem a ser postas em prática, a comunicação social “normalizada” (ou seja, quase toda) de imediato se levantará indignada, apodando o novo regime de populista, pré-ditatorial,...

Ou então podia ainda dar-me para aqui trazer, mais uma vez (oportunidades não faltaram!), alguns dos meus particulares ‘ódios’ de estimação: da banalidade do pensamento da Teresa Caeiro, à boçalidade do comportamento do Jardim, ou mesmo ao já muito vergastado e cada vez mais descorado ‘boneco’ do Pinto da Costa (nas palavras do próprio).

O Verão tem destas coisas. Misturam-se assuntos sérios, com os minúsculos dramas de trazer por casa, grandes convulsões e a expectativa de profundas mudanças, com uma simples alteração dos hábitos rotineiros e aburguesados. O que, de algum modo, acaba por me transmitir a medida das dificuldades que enfrentam as inadiáveis mudanças que as sociedades – e o planeta – exigem. Porque tocam nos comportamentos e nos hábitos adquiridos!

Mas aguardemos então por novas oportunidades de temas para abordar. Não faltarão, decerto, no Outono que já se anuncia.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Vento e sol podem garantir energia para 2/3 da população mundial

Em 2030, a energia solar poderá atender às necessidades energéticas de dois terços da população mundial e a geração eólica em alto-mar, no Mar do Norte, poderá fornecer energia para 71 milhões de residências na Europa. Essas são as principais conclusões dos relatórios internacionais Geração Solar e Revolução Eléctrica do Mar do Norte (textos em inglês), lançados esta semana pelo Greenpeace. Ler mais...
( Fonte: Greenpeace Brasil / Via : esquerda.net )

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

USA - Jornalista Amy Goodman presa à porta da Convenção Republicana

Milhares de pessoas manifestaram-se contra a guerra do Iraque à porta da Convenção Republicana que nomeou John Mccain como candidato à presidência dos EUA. A polícia prendeu 286 pessoas, entre as quais a jornalista do Democracy Now Amy Goodman, que é também colunista do Esquerda.net. Amy dirigiu-se ao protesto para procurar dois colegas agredidos brutalmente pela polícia.
Vê o vídeo da sua detenção. Ler mais...
( Via : esquerda.net )

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A “coerência” do rosa e do laranja …

Sem que, pessoal e particularmente, me cause qualquer espécie de confusão, bem pelo contrário, registo que o inenarrável António Vitorino, qual “socialista moderno”, é um dos prelectores da Universidade de Verão do PSD …
Entretanto, hoje e em mais uma acção de propaganda, José Sócrates, qual “socialista moderno”, apresentou-se com uma vistosa gravata alaranjada…
Sinais do(s) tempo(s) onde, pelos vistos, já não dá para "disfarçar" a coerência de/das cores …

Comissão da OMS diz que justiça social é questão de vida ou de morte

A Comissão sobre Determinantes Sociais da Saúde, da Organização Mundial de Saúde, divulgou um relatório em que conclui que as desigualdades sociais e de acesso à saúde provocam a morte prematura de milhões de pessoas. "A justiça social é uma questão de vida ou de morte", afirma o relatório, que resume um trabalho de investigação que durou três anos. O relatório adianta propostas para que se melhorem as desigualdades sanitárias numa geração. Ler mais...
( Via "Esquerda" )

A cabala

Sempre pensei que o processo Casa Pia cumpriu objectivos político-partidários muito concretos. Tratou-se de decapitar a direcção socialista de então, liderada por Ferro Rodrigues. A luta contra a pedofilia é outra coisa porque a pedofilia não se iniciou com o processo Casa Pia nem acabou com ele, infelizmente. Espero que o processo tenha ao menos permitido minorar o sofrimento de algumas das vitímas e ajudar a prevenir outros crimes.Relativamente aos acusados no processo não tenho a ideia préconcebida de que sejam culpados. Gostaria de receber a decisão da justiça como algo em que nós os cidadãos podéssemos confiar, fosse ela qual fosse. Isto sem colocar em questão o sagrado direito dos acusados a recorrerem das sentenças. Mas não vai ser fácil. Todos eles estão há muito acusados no tribunal da opinião pública. Ora isso é algo intolerável em termos democráticos.Quanto a Paulo Pedroso o seu processo cumpriu os objectivos políticos a que se propôs. Mesmo agora que a justiça veio concluir ter o ex-dirigente socialista razões do Estado quantos se reconhecerão nessa decisão? Tudo seria mais fácil se a decisão fosse acusatória. Aí o consenso seria muito mais fácil. Se temos tantas vitimas, como neste infame processo aconteceu ao longo de décadas, como poderemos sobreviver sem culpados, sobretudo culpados notórios para os quais canalizemos os nossos ódios, frustações e medos?Sempre me cheirou neste processo à pior canalhice política e estou convencido que ele impediu um Governo do PS, efectivamente de esquerda, liderado por Ferro Rodrigues e capaz de fazer alianças à sua esquerda e de concretizar uma plataforma política promotora de um desenvolvimento assente num reforço da justiça social.
( Via : Pedra do Homem )

domingo, 31 de agosto de 2008

Mensagem urgente aos professores

(...) No ano lectivo de 2008/09, a avaliação de desempenho será para cumprir integralmente, conforme o monstruoso ECD do ME e a respectiva regulamentação, salvaguardando, apenas, o facto de ser experimental. Quem não foi avaliado no ano lectivo de 2007/08, será avaliado agora em relação aos 2 anos lectivos. É clarividente que estas leis têm como objectivo favorecer as falsas estatísticas e destruir os professores, para obter votos da população a qualquer preço e para poupar dinheiro. São medidas do mais descarado populismo! O maior azar seria este ano lectivo decorrer com tranquilidade, o que iria consolidar estas leis! Quanto mais turbulência houver, melhor é para os professores! Não devem procurar soluções aparentes e duvidosas, mas denunciar o que está mal. Leis inexequíveis não se podem cumprir; leis erradas não se devem cumprir! (...)
( Publicado por Moriae; ler tudo em : A sinistra ministra. )

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A verdade da vergonha : NÃO SÃO NÚMEROS, SÃO PESSOAS

[ Com a devida vênia, (re)produzimos um texto/reflexão de Helena Pinto sobre a pobreza em Portugal ]
Não são números, são pessoas
Por : Helena Pinto
Neste verão surgiu uma nova polémica e quase que uma guerra de números em torno do Rendimento Social de Inserção. Não se trata apenas de uma guerra de números ou de estatísticas: é uma questão central da nossa democracia. Trata-se da pobreza em Portugal e cada número é uma pessoa - uma criança, um idoso, uma trabalhadora que ganha um salário que não chega para as suas necessidades elementares e da sua família.
O Governo sabe que as estatísticas sobre a pobreza andam sempre atrasadas e aproveita essa folga. Ajudado pela propaganda e por uma dose quanto baste de demagogia, diz que os números se referem às governações anteriores. Neste caso chuta para trás. Enxota as responsabilidades. Aproveita a folga e foge do debate sobre os números actuais.
Mas os números saltaram para a rua. Os números do ranking das fortunas e os números das famílias que para sobreviverem têm que recorrer ao Rendimento Social de Inserção. Basta comparar o valor das fortunas, dos activos, das acções na Bolsa e o valor da prestação média do Rendimento Social de Inserção - 88 euros mensais. Palavras para quê?
O Bloco de Esquerda tem insistido na denúncia de que a pobreza está a aumentar no nosso país. As desigualdades aumentam, com especial relevo para as desigualdades salariais, que são escandalosas.
A alteração das regras de acesso ao subsídio de desemprego e ao subsídio social de desemprego criaram mais dificuldades aos desempregados e às desempregadas. Os métodos de funcionamento dos Centros de Emprego conseguem, qual arte de mágica, passar milhares de pessoas de desempregados para a categoria eufemística de "inactivos".
Bastava analisar os mapas do próprio Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social para perceber o que se estava a passar com o Rendimento Social de Inserção: um aumento exponencial de beneficiários.
E não vale a pena entrar na guerra dos números e das percentagens e nos truques da coexistência de dois sistemas durante um determinado período, como veio agora fazer o Ministério de Vieira da Silva.
Não são números, são pessoas. É a imagem do fracasso das políticas neo-liberais. É a pobreza a aumentar.
Digam o que disserem, justifiquem como justificarem, o facto é que, em relação ao Rendimento Social de Inserção, em Fevereiro de 2007 os beneficiários eram 286.163; em Maio de 2008 já eram 329.569 e em Julho de 2008 atingiram os 334 mil. Este aumento está directamente relacionado com o desemprego, com os baixos salários, com o aumento dos bens essenciais.
Importa ainda esclarecer um dado fundamental: os cálculos do limiar da pobreza são feitos com base em fórmulas europeias, em que o que é levado em conta são os rendimentos medianos por adulto do país. Portugal tem dos rendimentos mais baixos da União Europeia. Não será difícil concluir que ser pobre na Suécia ou ser pobre em Portugal não é exactamente a mesma coisa.
E por onde anda a nova geração de políticas sociais?
As políticas sociais que não se limitam a conter a pobreza, mas aquelas políticas sociais que retiram as famílias da pobreza, que rompem com os ciclos que passam de geração em geração, as que criam empregos, que promovem a redistribuição da riqueza. E dessas pouco ou nada sabemos, para além do aumento do abono de família e do subsídio pré-natal, únicos e parcos exemplos do primeiro-ministro para ilustrar o combate à pobreza.
Até em relação ao Complemento Solidário para Idosos, bandeira emblemática do PS, o Governo não pode pedir meças. Enredou os idosos numa teia burocrática e num rol de exigências completamente desproporcional, que o êxito desta medida, destinada a 400 mil idosos, não ultrapassa neste momento os 80 mil beneficiários. Simplex só para a empresa na hora. Para os idosos e idosas foi um calvário de burocracia, só alterado 3 anos e meio depois, para ver se chega às eleições com outros números para mostrar.
Helena Pinto
( in : esquerda.net )