quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Verdade da(s) mentira(s) …


Assim, por junto, BCP, BPI, BES e Santander Totta, os quatro maiores bancos privados a operar em Portugal, tiveram em 2010 um resultado líquido positivo de 1.430 milhões de euros.
Ganharam, por dia, e por junto, 3,9 milhões de euros.
Em 2009, estes quatro bancos, haviam gerado um resultado líquido de 1.430 milhões de euros ( só : - 10 milhões de euros que em 2010) e, assim, e por isso, pagaram 306 milhões de euros de impostos.
Porém, em 2010, e para um resultado liquido em linha com o de 2009, estes bancos, por junto, pagaram menos 56% que no ano anterior, sendo assim a taxa real de imposto para a banca de apenas 9,4%.
Afinal, e por mais que se esfalfe o Governo e, em particular, o Ministro das Finanças em proclamar declarações de fé (?) que as medidas de austeridade são para todos, o facto é que este Governo soube ( e de que maneira) sacrificar salários e prestações sociais, enquanto que, na prática e como se constata, criou condições objectivas para que a banca não esteja a contribuir com qualquer esforço para o equilíbrio orçamental.
3,9 milhões de euros de lucro por dia : é obra.
O governo, este governo, como se constata é forte com os fracos e fraco, muito fraco com os poderosos.
É a vida; é uma questão de opção ...
Ou melhor : é uma questão de política.
E muito pior : de (uma) política neoliberal.

1 comentário:

AVCarvalho disse...

É mesmo uma questão de política. De opções políticas. E muito embora o cerco mediático impeça a divulgação, até mesmo o conhecimento, das alternativas à política seguida (o famoso pensamento único), talvez agora com a moção de censura do BE seja possível distinguir (1) quem de facto ‘alinha’ com estas políticas – e as sustenta, para além de todas as declarações fazendo crer o contrário; e (2) quem delas se demarca – e, bem assim, qual o conteúdo (e a viabilidade) de uma outra opção política, que outras soluções são possíveis para que a mudança aconteça.
Essa é, a meu ver, a grande vantagem desta iniciativa do Bloco: clarificar quem é que, na prática, sustenta estas políticas de austeridade – que todos criticam e que tem responsáveis – e quem afinal está disposto a dar a cara por uma alternativa, seja ela qual for (de esquerda ou de direita, é útil clarificar as opções).
Jogada de risco, é certo. O resultado, se tudo isto acabar em eleições, pode bem ser uma solução ainda pior que a actual. Mas era necessário e urgente desmascarar este jogo de permanente chantagem em que (sobretudo) o PSD estava a apostar como forma de maior desgaste do PS – o famoso pântano guterrista – na mira de capitalizar descontentamentos e apoios, e assim chegar ao poder mais confortável (em maioria). O calculismo saiu-lhes furado e vão ter que se definir mais cedo do que contavam.
É a vida!