quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ainda a propósito da entrevista de Soares a Chavez – (1)

A ‘cosmética’ da voz do dono
Não obstante o atraso relativamente à sua divulgação, vale bem a pena retomar aqui a entrevista de Mário Soares a Hugo Chavez, não só pelo seu próprio conteúdo, com muito por onde escolher, mas também por alguns comentários que suscitou, significativos do estado ‘canino’ – não há outro termo – a que desceu determinada comunicação social (ou os seus ‘ditos’ jornalistas), reduzida, nuns casos, de forma consciente, na maioria das vezes, admito, inconscientemente, à condição de ‘voz do dono’. Mesmo que este ‘dono’ se detecte apenas no enfeudamento acéfalo ao denominado ‘pensamento único’, forjado ao longo dos últimos trinta anos de domínio absoluto do neoliberalismo. Que foi, como se sabe, objecto de experimentação e ensaio, por parte dos ‘Chicago boys’, Friedman e C.ª, no dramático laboratório do Chile de Pinochet, de má memória.


De tal modo que, ultrapassado o sobressalto ‘Allende’, o sub-continente parecia ter entrado, definitivamente (estava-se no auge da tese do ‘Fim da História’, entretanto também já descartada), na normalidade da ‘pax americana’ sob tutela do imperial vizinho do Norte. Mas, de repente, a aparente serenidade deste equilíbrio viu-se abalada por acontecimentos que, não obstante a sua genuína origem democrática, ousaram pôr em causa essa hegemonia. Os sinos soaram a rebate logo com o Lula, no Brasil – afinal, a sua recuperação para o sistema até nem pareceu muito difícil. Mas depois veio o Chavez que, para além do discurso agressivo (por vezes mesmo, excessivo e de cultivar amizades pouco recomendáveis – a mais emblemática, com o ‘proscrito’ Fidel), decidiu utilizar o enorme potencial energético do seu país, como via para tornar a Venezuela menos dependente do ‘Império’. O mais grave, porém, é que a experiência venezuelana passou a ser produto de exportação, com as necessárias adaptações, para um crescente número de países vizinhos.

A entrevista do ‘bonacheirão’ Soares ao heterodoxo Chavez, surge, assim, como uma espécie de frete democrático a este ‘facínora’ anti-democrático, uma ‘operação de cosmética’ de acordo com a abalizada opinião do encartado jornalista Joel Neto, nome escarrapachado no DN, jornal de referência (?). Perante a manipulação da opinião pública a que tem sido sujeito o entrevistado, quem ousará duvidar do acerto desta tese, tanto mais que, em paralelo, corre essoutra da deriva esquerdista do solícito veículo que se prestou a tal frete? Soares terá mesmo começado a entrevista, imagine-se, “com uma pergunta cheia de pressupostos destinados a legitimar democraticamente o seu interlocutor”. Ora, pensava eu que o ‘homem’ tinha sido legitimado democraticamente através de sucessivas e disputadíssimas eleições e vem agora esta luminária esclarecer-me que ‘não senhor’, afinal quem o legitima são figuras sinistras como Soares e os seus nefandos pressupostos.

A menos que se trate apenas de uma questão de estilo, dado que o tom cordato do entrevistador Soares – este, de acordo com o encartado comentador, não terá feito “uma só pergunta incómoda” – de modo algum se coaduna com o estereótipo de jornalista agressivo, impertinente e presunçoso, tão em voga na comunicação social actual, tão ao gosto do espectáculo mediático nacional, tão ao jeito do pensamento único!
Pensamento único ou pensamento castrador?
Basta de pensadores castrados!

Pronto : começou a campanha eleitoral para as eleições legislativas de 2009...

" ...um politico não entra em choque com a realidade"
[ José Sócrates, em entrevista a (de)correr na RTP1 ]
Começa, assim e formalmente, a campanha eleitoral para as próximas futuras eleições legislativas ... de 2009.
«A Mentira é a recriação de uma Verdade. O mentidor cria ou recria. Ou recreia. A fronteira entre estas duas palavras é ténue e delicada. Mas as fronteiras entre as palavras são todas ténues e delicadas. Entre a recriação e o recreio assenta todo o jogo. O que não quer dizer que o jogo resulta sempre.»
Ana Hatherly, in «O Mestre

Extraordinária(s) competência(s)...

Inspecção-geral das Finanças detectou 43,5 milhões de euros de despesas irregulares relacionadas com “pessoal e outros”.
É, tanto quanto se sabe, mais um buraco nas contas do Estado o que, de resto, nem tem sido nada extraordinário, dada a manifesta (in)competência deste (nosso) governo.
Extraordinária, sim e desta feita, é a observação extraordinária do senhor ministro das finanças que, isto, afinal :
nada tem de extraordinário.

Esquerda e Cultura: o futuro já não é o que era ...


Dias : 4 e 5 de Julho


Lisboa, Fábrica Braço de Prata


ENTRADA LIVRE até às 22:00 Programação: Miguel Portas


Ver : PROGRAMA

terça-feira, 1 de julho de 2008

O futuro e o sentido da Literatura …

«Lembremo-nos que a literatura, porque se dirige ao coração, à inteligência, à imaginação e até aos sentidos, toma o homem por todos os lados; toca por isso em todos os interesses, todas as ideias, todos os sentimentos; influi no indivíduo como na sociedade, na família como na praça pública; dispõe os espíritos; determina certas correntes de opinião; combate ou abre caminho a certas tendências; e não é muito dizer que é ela quem prepara o berço aonde se há-de receber esse misterioso filho do tempo - o futuro.»
( Antero de Quental, in «Prosas da Época de Coimbra» )

segunda-feira, 30 de junho de 2008

“Sócrates : o menino de Ouro do PS” - emoção e afectividade; quanta ternura no lançamento do livro …

Sócrates/biografia: Dias Loureiro diz-se "emocionado" com "afectividade" do primeiro-ministro

Hoje, houve lugar ao lançamento do livro/biografia “Sócrates: o menino de ouro do PS”, cuja apresentação esteve a cargo de duas “eminências”: António Vitorino, do PS e Dias Loureiro, ex-secretário geral do PSD, ex-ministro dos Assuntos Parlamentares, ex-ministro da Administração Interna ( nos tempos do cavaquismo ); ex-presidente da mesa do congresso do PSD, actual Conselheiro de Estado e homem de negócios, de muitos e variados negócios.
Dias Loureiro, às tantas e na sua dissertação, afirmou, provavelmente com muito conhecimento de causa, que :
"Só quem está atento aos detalhes pode fazer grandes coisas”
Pois, quão interessante não seria dar à “estampa” um livro com a obra deste (outro) autêntico “Senhor de Ouro dos Negócios”, outrora “menino de ouro”, nos/dos tempos Cavaquistas.

Oh ... Jaiminho, porque não te calas ?.. Já que, no que respeita a Marcelo estamos "conversados"...

Ao que parece, Marcelo Rebelo Sousa ter-se-á referido a Jaime Silva, actual ministro da agricultura, como «O maior incompetente»
Por sua vez, Jaime Silva, ainda e agora ministro - até quando ? - retorquiu que :
Marcelo tem «problema de honestidade intelectual»

domingo, 29 de junho de 2008

Porque fui na Marcha LGBT ?

Ontem, participei/desfilei na Marcha LGBT. Fi-lo, com gosto e convicção. Enquanto membro do SOS-Racismo e porque quero ser/estar solidário com tod@s aquel@s que são discriminados.
Entretanto, e para memória futura, eis a intervenção do Carlos Alvarenga, em representação do SOS Racismo, proferida no final da Marcha :

Porque viemos à Marcha?

Porque o SOS Racismo é uma organização que acredita que o mundo justo é aquele que promove a igualdade de oportunidades para todos e todas ao mesmo tempo que assegura todas as expressões da diversidade individual e colectiva, e isso inclui, obviamente, o direito à liberdade das orientações sexuais e afectivas.
Porque o SOS Racismo acredita que o combate à discriminação se faz no plural, e que toda a luta pela promoção da igualdade é, e deve ser, a luta de todas as organizações que participam do Movimento Social Português.
Porque o SOS Racismo acredita que a marcha é antes de tudo um compromisso com a democracia, um exercício de cidadania em respeito à dignidade humana, além de um posição inequívoca em relação às discriminações que minorizam e marginalizam grupos.
Porque o SOS Racismo entende que há muitas formas, e cada vez mais perversas, de humilhação, de criação de estereótipos, de marginalização e segregação de homens e mulheres por causa de suas origens étnicas, orientação sexual, religião e cultura. E na Europa Fortaleza de hoje, redefine-se de forma institucionalizada em Bruxelas, a criminalização da imigração. Estamos aqui por uma Europa de liberdade sexual, de liberdade de circulação para todo e todas, por uma Europa sem cidadãos de segunda categoria!
Porque nós, no SOS Racismo, somos todos e todas homens e mulheres, gays, lésbicas, transgéneros, bissexuais, heterossexuais, negros e negras, ciganos e ciganas, nativos e imigrantes, velhos e novos, e acreditamos que sim, que um outro mundo é possível quando se tem no horizonte a possibilidade da igualdade.
Carlos Alvarenga - SOS Racismo

sábado, 28 de junho de 2008

U f f !!!

Disparos em Portimão tratou-se de «brincadeira de mau gosto», diz... a senhora Governadora Civil de Faro, enquanto que o Presidente da Câmara de Portimão atribui a índividuos que costumam disparar contra sinais de trânsito

[ PS1 - porém, aquando dos disparos, o "menino de ouro do PS" já estava a repousar no Hotel, mui provavelmente de 5 estrelas...]
[ PS2 - seria interessante saber se as despesas da estada de José Sócrates no Algarve foram custeadas enquanto secretário geral e/ou primeiro ministro; é que a "nuance" pode(rá) fazer alguma(s) diferença(s) ...]

Tão incompreendido que é o senhor CEO da Galp ... tadinho !!!

Hoje : Dia da Marcha LGBT

Eu, vou lá estar porque quero ser/estar solidário com tod@s aquel@s que são descriminados; porque, afinal, é disso que se trata ...
(leia o folheto)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Bem, por enquanto são (só) sondagens ...

PS - 35,2 %
PSD - 30,8 %
BE - 12,3 %
CDU - 11,1 %
CDS - 6,7 %
Segundo o barómetro político Marktest são, por enquanto e só, intenções de voto ...

Uma (outra) Verdade Inconveniente

A Oxfam, uma organização não-governamental dedicada ao combate à pobreza no mundo, divulgou um relatório, «Another Inconvenient Truth», no qual diz que a substituição de combustíveis tradicionais por biocombustíveis levaram mais de 30 milhões de pessoas à pobreza e em nada contribuem para combater as alterações climáticas. Segundo o documento, as chamadas «políticas verdes« dos países desenvolvidos contribuirão para o aumento dos preços dos alimentos, o que atinge mais os pobres. O texto cita dado do Banco Mundial, que estima que o preço dos alimentos subiu 83 por cento nos últimos três anos.
O relatório da Oxfam crítica os subsídios e incentivos fiscais concedidos por países ricos para apoiar sua própria produção de biocombustível. Os países ricos gastaram cerca de 15 mil milhões de dólares no ano passado para apoiar a produção de biocombustíveis ao mesmo tempo em que impedem a entrada do etanol brasileiro, que é mais barato e que é muito menos prejudicial para a segurança alimentar global e para o meio ambiente, afirma este relatório. Este é o mesmo montante, segundo a Oxfam, necessários para ajudar os pobres a enfrentarem a crise de alimentos.
Para a Oxfam o etanol brasileiro é o mais favorável biocombustível do mundo. O relatório afirma que:
«Embora a produção de etanol brasileiro esteja longe de ser perfeita e apresente vários problemas sociais e de sustentabilidade ambiental, este é o mais favorável biocombustível no mundo em termos de custo e equilíbrio de gases do efeito estufa». O documento inclui uma comparação com o biocombustível proveniente do milho produzido nos EUA, dizendo que sua produção é muito dependente de combustíveis fósseis, representando «um dos piores» equilíbrios entre gases do efeito estufa e uso de energia. O relatório pede ainda à União Europeia que cancele a meta de fazer com que 10 por cento dos transportes usem biocombustíveis até 2020. A Oxfam estima que a meta da UE pode multiplicar as emissões de carbono 70 vezes até 2020.
(Via : Notas ao Café/O Globo )

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Transgénicos: sim ou não ?

27 de Junho / Sexta-Feira / 18h
Os Bacalhoeiros - R. dos Bacalhoeiros, 125, Lisboa
Com a participação de:
Jorge Nascimento Fernandes (biólogo);
Paula Tavares (bióloga);
Fernando Ramalho (moderador).
( Iniciativa integrada no lançamento do Atlas do Ambiente do Le Monde Diplomatique )

quarta-feira, 25 de junho de 2008

terça-feira, 24 de junho de 2008

Vale e Azevedo : o “bobo” e/ou o único “troféu” da justiça portuguesa ?..

Vale e Azevedo está, de novo e por via da comunicação social, na ordem do dia.
Lê-se, nos jornais, que habita numa luxuosa “mansão” e desloca-se num Bentley com motorista. Em Londres.
Há oito anos que Vale e Azevedo “anda” a ser julgado. Cumpriu seis anos de prisão. De cadeia; atrás das grades.
Vale e Azevedo, até parece que, por toda essa Comunicação Social (nos) é apresentado como um herói. Não como um bandido.
O problema, o grande problema é que Vale e Azevedo é exibido como praticamente o único “troféu” da justiça portuguesa nos/dos negócios de “colarinho branco”.
Repito : o único “troféu” da justiça portuguesa.
Bem se esfalfa Sua Excelência o Senhor Procurador Geral da Republica a explicar, ao país, que “tudo e todos são investigados em Portugal”.
É verdade. Sabe-se, lê-se nos jornais e ouve-se nas Tvs que Bancos, Comendadores, Operações Furacão estão em curso.
Porém, todavia, contudo não há quaisquer consequências.
Pelo menos não se “vê” resultados.
Não se “vislumbra” que um qualquer “colarinho branco” à excepção, claro, de Vale e Azevedo, haja sido condenado; que tenha sido, tal qual Vale e Azevedo, preso.
Ninguém, pelo menos, que se saiba. Ninguém que a Comunicação Social tenha, pelo menos, publicitado.
A safadeza é condenável, venha de onde vier, e toda ela, a safadeza, merece censura e, assim e por isso, acho que todos os criminosos, depois de devidamente julgados, devem pagar pelos seus actos.
Porém, e em Portugal, não se “vê”, não se “sente” que a justiça esteja realmente a funcionar.
Pelo menos, e enquanto cidadão, é legitimo que me interrogue, que me preocupe e que exija que a justiça, no meu País, possa funcionar por forma a que não aconteça que "uns ladrões roubam e são enforcados; outros roubam e enforcam" como refere o Padre António Vieira no Sermão do Bom Ladrão.
Enfim, toda esta “cena” com Vale e Azevedo é, infelizmente e em meu entender, uma derrota da/para a Justiça Portuguesa

Para que a Mentira não tome conta da Verdade !..

Manuel Loff, historiador e professor de História Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, acaba de lançar um livro intitulado “ O Nosso Século é Fascista ! – O mundo visto por Salazar e Franco”, onde analisa as ditaduras Ibéricas.
Neste livro, Manuel Loff sustenta que “ é claro que houve fascismo em Portugal e que o salazarismo foi a adequação que as direitas portuguesas fizeram de um modelo fascista à conjuntura portuguesa”
Ora, numa altura em que uns “artistas”, e numa clara tentativa de/do branqueamento do regime fascista de Salazar, tentam lançar a confusão quanto ao modelo político, social, cultural e económico seguido por Salazar é importante, muito importante o aparecimento deste livro.
Manuel Loff, (em)presta, assim, um excelente contributo para que, afinal e no “tempo” da ditadura fascista de Salazar, a Mentira não tome conta da Verdade.
Leia, a este propósito, aqui uma entrevista de Manuel Loff ao DN.

Congresso Feminista : dias 26, 27 e 28 de Junho

( Ver Programa aqui )

segunda-feira, 23 de junho de 2008

E, nós, por cá ?..

Bruxelas adoptou o programa Bruxellair para combater a poluição do ar e o tráfego, encorajando os automobilistas a renunciar à utilização do seu carro (entregando a matrícula) durante um ano em troca de um passe para todos os transportes públicos (incluindo bik-sharing e car-sharing) ou de uma bicicleta (de valor até 440 €). Existem também incentivos semelhantes para abater carros antigos. ( Via : Ecoblogue )
PS - nós, por cá, podemos ficar descansados (?) uma vez que :
o Governo está a elaborar Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas.
Mas, será que podemos, mesmo, ficar/estar descansados ?..

Hoje : apresentação do Livro de Clara Queiros "Um Retrato de Emma Goldman"

Dia 23 de Junho (segunda-feira), pelas 19 horas
Livraria Assírio & Alvim - Rua Passos Manuel, 67 B - Lisboa
Apresentação : Irene Pimentel
( Com 17 anos Emma Goldman emigrou com sua irmã mais velha, Helene, para Rochester, Nova Iorque, para morar com sua irmã, Lena. Lá trabalhou muitos anos na indústria têxtil e em 1887 casou-se com um colega de trabalho, Jacob Kersner.O enforcamento de quatro anarquistas depois da Revolta de Haymarket levou Goldman à militância e a conhecer outra proeminente figura do anarca-feminismo, Voltairine de Cleyre. Com vinte anos ela torna-se uma revolucionária. Abriu mão de seu casamento e família, viajou para New Haven, CT, e depois para a cidade de Nova Iorque.Goldman e Kersner mantiveram-se legalmente casados garantindo a ela sua cidadania estado unidense.) http://pt.wikipedia.org/wiki/Emma_Goldman