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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Já chega!

O slogan ‘enough is enough’ da campanha de Bernie Sanders, rumo à eleição presidencial de Novembro próximo, nos EUA, parece particularmente ajustado à situação global da política mundial. Onde quer que seja, qualquer que seja o motivo, seja qual for o momento ou como quer que a ocasião se proporcione, uma raiva contida ecoa cada vez mais neste grito de revolta do candidato democrata. Com a paciência a esgotar-se por toda a parte perante a violação constante e impune dos limites da decência (aumento da desigualdade, corrupção institucionalizada, a mentira como programa político…), já nem os esforços da propaganda mediática – sempre pressurosa na explicação, justificação e defesa dos patronos que a sustentam – parecem capazes de suster ou ludibriar aquilo que se afigura a torrente imparável de uma crescente exigência social.

Este grito surgido quase em jeito de desabafo afigura-se sobretudo bem apropriado ao momento da actual UE, onde a realidade é apresentada/ transfigurada em função dos interesses financeiros regionais, de matriz teutónica, que a controlam. À medida que se foi percebendo que o OE/16 iria passar em Bruxelas apenas com alguns ajustamentos (habituais na circunstância), a frente interna dos interesses (próprios e alheios) agitou-se nervosa e, receosa de perder a oportunidade de voltar quanto antes ao poder perdido, decidiu jogar alto. Ao fazê-lo, porém, expôs as suas motivações e objectivos, desmascarou-se (se é que era necessário). É tempo, pois, de juntar a voz à de muitos democratas do outro lado do Atlântico e gritar com Bernie Sanders: já chega
 
Já chega de mentiras proclamadas sem pudor nem temor, ‘apenas’ porque quem as profere sabe que detém o poder real que comanda as decisões que contam – e em boa medida as vontades e consciências: das já ‘quase’ esquecidas promessas eleitorais não cumpridas, aos cortes temporários para consumo interno (até por força constitucional) mas apresentados em Bruxelas como definitivos e incluídos no designado ‘défice estrutural’, às nunca explicadas 'novas' medidas tendentes ao corte permanente (estrutural) de 600M€ nas pensões (que a dupla Coelho/Portas se preparava para concretizar, caso fosse poder)...

Já chega de mistificar a realidade ajustando os factos e as situações ao interesse ou objectivo do momento: a campanha da direita sobre um ‘enorme’ aumento da carga fiscal no OE/16 parece mais uma tentativa serôdia para justificar o ‘colossal aumento de impostos’ de V. Gaspar no OE/13 e só razões de má consciência dos seus autores pode explicar tal despautério, já que pouco ou nada tem a ver com a substância do orçamento em análise (como o demonstra a conclusão tirada pela própria UTAO).

Já chega de manipulação mediática e da pantomina do jornalismo isento – e dos jornalistas imparciais, sempre couraçados num tão epidérmico quanto descabido corporativismo – ou do comentário objectivo – seja de economistas, politólogos e demais ‘cientistas’ afins! De insistirem na ladainha TINA, desvalorizando a democracia (termo utilizado a cada passo nas frases que debitam nos órgãos de comunicação que os alimentam) e a inteligência dos interlocutores que ainda têm paciência para os aturar.

Já chega de aceitar como normal ou tão só tolerar as pressões da direita, dentro e fora do País, sobre as instituições europeias, as agências de rating, os mercados… Aparentemente apenas motivadas pelo objectivo de recentrar a prioridade da política actual na redução do défice público (como exigem os especuladores, perdão, credores), ao invés da actual reposição de rendimentos e da luta contra as desigualdades, o resultado, em última análise, cifra-se no agravamento das condições financeiras impostas a Portugal por via da… especulação! Esta atitude, mesquinha e traiçoeira, visando justificar apenas opções partidárias (ou a defesa inconfessável de interesses delegados), só pode suscitar em gente decente a maior repulsa por tão insidiosa perfídia!

Já chega, pois, de chantagem sobre a democracia (reduzida a mero formalismo eleitoral), sobre os países, sobre a soberania dos povos, sobre a democracia de Portugal soberano, atiçando os mercados e os especuladores, ameaçando com a subida de ratings ou a suspensão de apoios, quase apelando às instâncias europeias para uma intervenção impiedosa – e tudo dentro dos cânones de uma doutrina que já mostrou não resultar.

Já chega da despudorada ditadura dos mercados, da total submissão do poder político ao poder económico: por uma vez – desta vez – foi visível o despeito, dir-se-ia o ciúme, manifestado pelo patronato por o PS, em lugar de chegar a acordo, como de costume, com a direita para uma solução governativa, o ter feito – pasme-se! – com os ‘grupos esquerdistas’ (!!!) do Parlamento! Essa pode ter sido, talvez, a maior vitória a que se assistiu neste ainda muito embrionário processo e é esse novo ambiente político que melhor explica a afirmação de António Costa de que ‘o OE/16 ficou pior depois das exigências de Bruxelas’.
   
Já chega, enfim, de humilhação produzida pela globalização da indiferença (Papa Francisco dixit); do aumento constante das desigualdades e até da insultuosa promoção de políticas para empobrecer (!); de se viver pendurado na corda bamba da especulação financeira (e ao sabor dos seus volúveis humores); da impunidade perante a obscena ‘optimização fiscal’ – com suporte legal na ‘concorrência fiscal’ entre países, até mesmo dentro da UE – permitindo aos mais ricos (e só a eles) a fuga de milhares de milhões de euros às suas responsabilidades sociais…

Já chega, em especial, de condescendência/ reverência/ subserviência perante o pesporrente Schauble, ao que parece apostado em impor à Europa um novo jugo feudal sob tutela germânica, agora que a enorme exposição aos mercados por parte do Deutsche Bank ameaça rebentar-lhe na boca – e é pela boca que morre o peixe! Perante as malfeitorias já praticadas (a destruição da Grécia é apenas o exemplo mais paradigmático), não é de todo desapropriado, atribuir-lhe o epíteto que à época representava a origem de todos os males: a besta! 

Mas já agora, à esquerda – importa afirmá-lo, também – já chega de demonstrações sectárias ou de excesso de zelo, as mais das vezes inúteis ou de nulo efeito prático, apenas esgrimindo ou alardeando sucessos colectivos como feitos próprios, ou reivindicando mais do que aquilo que se sabe ser possível obter, nas actuais circunstâncias, numa tão inoportuna quanto contraproducente concorrência partidária, sem nexo mas perigosa.
 
Já chega... 

BASTA!!!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Clientes e contribuintes: a pretexto da crise, no biombo da democracia

A crise instalou-se e – agora já é oficial, Passos assim o declarou – veio para ficar! Pelo menos nos efeitos devastadores que provoca na vida das pessoas e que, ao perdurarem, irão forçosamente aprofundar-se. Bem podem vir falar – como já o fazem! – de recuperação económica, da evolução (finalmente) positiva dos indicadores que medem a desgraça, até mesmo do sucesso do programa de austeridade! Depois de destruir vidas e riqueza inutilmente (a avaliar pelos resultados obtidos comparados com os objectivos prosseguidos), a contrapartida de tanto êxito é, pois, a persistência de um elevado desemprego, o exílio de milhares de jovens qualificados obrigados a emigrar, a permanência dos cortes (provisórios, diziam!) nos salários e nas pensões, a extorsão fiscal responsável pelo estrangulamento das classes médias, a caminho da destruição.

Torna-se cada vez mais evidente que a crise foi um pretexto, um oportuno biombo que permitiu esconder os reais propósitos do sistema, a forma encontrada pelo capitalismo para reganhar os níveis de rentabilidade que lhe asseguram a sobrevivência. Depois de esgotado o expediente do crédito como forma de suprir a quebra de rendimentos da procura, dada a compressão salarial que já vinha ocorrendo – na actual conjuntura, sobretudo os clientes do negócio financeiro (nas suas diversas componentes, de especulação ou de crédito) – o sistema viu-se obrigado a recorrer ao saque directo sobre as pessoas, sob a forma de extorsão fiscal sobre os contribuintes, precarização das relações laborais, destruição de direitos sociais.

Com base nas designadas políticas de ajustamento orçamental, substituem-se os clientes (dos vários ‘negócios’ financeiros) pelos contribuintes e impõe-se ao conjunto da sociedade um gigantesco saque fiscal, ao mesmo tempo que se reduz o peso do Estado Social e aumentam as desigualdades. O espólio assim obtido transfere-se, sem pudor, para o insaciável e imutável sistema financeiro, em nome da sua sustentabilidade. Mais ainda, a crise permitiu impor, sob chantagem, todo um programa de transformação social assente na violenta regressão de direitos, implicando um claro retrocesso civilizacional!
 
A crise das dívidas, sublinhe-se uma vez mais, teve a sua origem no sistema financeiro. O elevado endividamento, público e privado, é, pois e antes de mais, o resultado das políticas de desregulação financeira, base para o desenvolvimento de agressivas campanhas de crédito (nas suas múltiplas formas, algumas bem capciosas) propícias à expansão de rentabilidade imediata, tornando-o no principal responsável pela bolha do crédito (mais de 95% da emissão de moeda em circulação resulta do crédito bancário). Ora, importa reafirmar que a ‘estabilização’ do sistema financeiro representou para o contribuinte europeu um encargo 10 vezes superior ao conjunto de todos os resgates aos Estados que o solicitaram, beneficiando desses apoios sobretudo a banca da Alemanha, França e Reino Unido!

Mas não é só a crise que tem servido de biombo às reais intenções dos donos do mundo. A democracia é igualmente utilizada como pretexto para se impor a tese da expansão do mercado (o principal expediente do sistema para garantir rentabilidade) ao resto mundo. Primeiro no Iraque, depois na Líbia, por agora na Síria (ainda em aberto), o objectivo real das intervenções externas de modo algum corresponde ao proclamado propósito de democratização de regimes a todos os títulos ignominiosos. É que os regimes instalados após essas intervenções (ou o que se adivinha no caso da Síria, infestado de fundamentalistas), em nada melhoraram relativamente às anteriores ditaduras, pelo contrário, conseguem ser piores em muitos dos aspectos que mais afectam a vida das pessoas. O que se passa na Ucrânia, hoje o destino preferido dos habituais ‘conselhos democráticos’ do Ocidente, não é muito diferente dos anteriores. A miragem dos manifestantes na reivindicada ‘europeização’, para além da óbvia disputa de lideranças regionais em ambiente de grande insatisfação popular, reproduz sobretudo a necessidade sistémica de uma maior abertura dos mercados ao... ‘Ocidente’!

Cá como lá, importa conseguir distinguir em cada momento, para além de todos os biombos erguidos pelo dominante pensamento único, o essencial do acessório, o prioritário do secundário, na complexa realidade social. O espectáculo pífio a que temos assistido ultimamente, com a direita e a esquerda a esgrimirem mirradas percentagens sobre a pindérica evolução positiva da economia portuguesa, só não se qualifica de patusco porque ele esconde a dramática realidade de vidas em desespero. Mas é elucidativo do modo como a esquerda em geral encara as saídas para a crise e se deixou arrastar para um campo que sabe não poder vencer – não obstante a consciência das limitações, nas actuais circunstâncias, à acção dos partidos ou à pedagogia do diálogo/confronto de ideias (mesmo que não descambe na demagogia ou num seu arremedo). A resistência a um sistema insaciável por natureza, que não olha a meios para conseguir sempre maiores lucros – afinal o segredo da sua longevidade e, em última análise, a única forma de garantir a sua sobrevivência! – já advirá mais em razão dos excessos cometidos (fragmentação regional, erosão social, talvez até uma nova crise bancária,...) ou, sobretudo, dos limites físicos à sua própria expansão (escassez de recursos, ambiente,...).

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Verdade da(s) mentira(s) …


Assim, por junto, BCP, BPI, BES e Santander Totta, os quatro maiores bancos privados a operar em Portugal, tiveram em 2010 um resultado líquido positivo de 1.430 milhões de euros.
Ganharam, por dia, e por junto, 3,9 milhões de euros.
Em 2009, estes quatro bancos, haviam gerado um resultado líquido de 1.430 milhões de euros ( só : - 10 milhões de euros que em 2010) e, assim, e por isso, pagaram 306 milhões de euros de impostos.
Porém, em 2010, e para um resultado liquido em linha com o de 2009, estes bancos, por junto, pagaram menos 56% que no ano anterior, sendo assim a taxa real de imposto para a banca de apenas 9,4%.
Afinal, e por mais que se esfalfe o Governo e, em particular, o Ministro das Finanças em proclamar declarações de fé (?) que as medidas de austeridade são para todos, o facto é que este Governo soube ( e de que maneira) sacrificar salários e prestações sociais, enquanto que, na prática e como se constata, criou condições objectivas para que a banca não esteja a contribuir com qualquer esforço para o equilíbrio orçamental.
3,9 milhões de euros de lucro por dia : é obra.
O governo, este governo, como se constata é forte com os fracos e fraco, muito fraco com os poderosos.
É a vida; é uma questão de opção ...
Ou melhor : é uma questão de política.
E muito pior : de (uma) política neoliberal.

domingo, 29 de novembro de 2009

Weird & Wonderful !..

O Boletim Estatístico do mês de Novembro, publicado pelo Banco de Portugal, revela que 2009 poderá ser o ano em que os portugueses mais investiram em paraísos fiscais.
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(Via : Esquerda )

sábado, 31 de maio de 2008

Alguém me satisfaz uma dúvida ?..

De há uns tempos a esta parte que deixei de ver/ouvir o senhor comendador Joe Berardo nos ecrãs das nossas televisões; em todas as televisões e, em particular, na SIC.
Ora, será por causa disso ?..
‘Operação Furacão’ Caso Berardo envolve nata política da Madeira
Entretanto, não haverá, por aí, um qualquer jornalista que possa fazer uma pergunta ao senhor comendador :
- como é que o senhor comendador enriqueceu ?
Seria importante, no entanto, que o senhor comendador fizesse o favor de explicar a “coisa”, d-e-v-a-g-a-r-i-n-h-o, por forma a que, eu, possa perceber…