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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Água mole em pedra dura …

Na legislatura que ainda agora começou, a primeira Declaração Politica do Bloco de Esquerda esteve a cargo de Fernando Rosas que abordou o tema da corrupção, um tema que está – pelas piores razões – na ordem do dia da politica Portuguesa.
Trata-se, em meu entender, de um discurso que pela sua pertinência, pela abordagem factual e corajosa com que é sustentado, merece ser lido num propósito de séria e urgente reflexão:
… a linha divisória entre quem pretende responder à emergência ou continuar a fechar os olhos é a delimitação das causas da corrupção e a escolha dos remédios com que se pretende combatê-los.
A corrupção é filha do clientelismo, do nepotismo, do caciquismo e de todas as formas de degenerescência antidemocrática do poder que se perpetua sem alternância real – ainda que, por vezes, com substituição das clientelas -, criando promiscuidades ou cumplicidades ilegítimas com os interesses, furtando-se a uma eficaz vigilância cidadã com os alçapões que cria ou mantém nas leis e revestindo essa podridão essencial com uma fachada solene de respeitabilidade.”


E, talvez pela pertinência e oportunidade do discurso, porque a luta contra a corrupção é o combate pela democracia e transparência da vida política a todos os níveis que, embora a “falar” em nome pessoal, Francisco Assis, o líder da Bancada Parlamentar do PS, afirmou que :
“as propostas que foram apresentadas pelo sr. engenheiro João Cravinho podem a cada momento ser objecto de uma reapreciação”

Vá lá, vá lá; do mal o menos …
Tenhamos ao menos a esperança – não confundir, sff, com certeza – que e tal como reza um velho ditado que :
“ água mole em pedra dura tanto dá até que fura”.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Casmurrice e/ou "camurrice" ?..

João Cravinho, ex-deputado do PS, ex-ministro das obras públicas do PS, actualmente a viver e a trabalhar em Londres onde é administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD), para o qual foi formalmente convidado por José Sócrates, o “dono” do PS, após e enquanto deputado ter apresentado um “pacote” de medidas de combate à corrupção que, em tempo e na Assembleia da República, o PS se encarregou de chumbar, foi o convidado de “Diga lá, Excelência” …
Na entrevista que, pelos vistos, deixou o PS em “estado de sítio” - e que pode e deve ser lida, e com muita atenção,
AQUI -, João Cravinho não só faz a avaliação da corrupção em Portugal, como explica os seus contornos e denuncia a putativa inércia do recém-criado Conselho para a Prevenção da Corrupção (CPC) …
O PS, lesto e pela voz de Alberto Martins, no seu bom estilo de truculência retórica que, e cada vez mais, se vem afirmando como a “voz do dono”, lá
RESPONDEU diga-se que : cobardemente, de forma intelectualmente muito cobarde, atacando o mensageiro e não discutindo - porque, pelos vistos, não interessa ao PS, a este PS - ignorando totalmente e propositadamente a mensagem.
O PS, no que ao combate à corrupção respeita, não consegue explicar ao país e aos portugueses a razão de ser do seu comportamento tão ínvio e tão dúbio nesta matéria.
De facto, e em meu entender, o combate à corrupção “pratica-se e não vive de proclamações” como arrogantemente insinuou Alberto Martins.
Pena é que Alberto Martins não se dê conta que, neste PS, é cada vez mais e só : a “voz do dono” …
É pena: quem te viu e quem te vê, Alberto Martins !..