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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Regulação e reguladores, políticas e políticos

Observo a Autoridade da Concorrência em pessoa, Manuel Sebastião de seu nome, a debitar explicações e outras considerações sobre os preços dos combustíveis. Refugia-se na apresentação dos métodos estatísticos que vai utilizar para elaborar (mais) um novo estudo que irá ficar concluído daqui a seis meses (!), em Março do próximo ano.

Por trás do intenso matraquear dos estudos projectados por esta ilustre Autoridade, interrogo-me se a personagem tem vida real – se sabe o custo dos produtos que consome, se vai às compras, se mete gasolina no carro,... – ou se não passa apenas de mais uma peça na engrenagem.

Afinal, este é o arquétipo de regulador do mercado que se diz ter falhado nas suas funções e por culpa de quem a crise teve origem. De algum modo inquieta-me saber isso, esta personagem concreta – pelo que observo e pelo que se sabe dela – não inspira confiança, mas o certo é que nada de substancial mudaria se fosse outra qualquer. Se a solução passar apenas pela melhoria da regulação, de pouco adiantará e em breve tudo voltará ao mesmo, porque é o próprio modelo de mercado que empurra e impõe a desregulação.

Compare-se com o que acontece com a alternância dos partidos do centrão em que, não obstante a dança das cadeiras governamentais, nada muda em substância (o que é até uma das razões para o crescente alheamento político das pessoas). Por uma vez experimentem, num caso e noutro, mudar as políticas, ao menos façam lá a experiência para ver no que é que dá! Assim como assim, pior já vai ser muito difícil. Sobretudo, como sempre, para mal dos mais desfavorecidos.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Vento e sol podem garantir energia para 2/3 da população mundial

Em 2030, a energia solar poderá atender às necessidades energéticas de dois terços da população mundial e a geração eólica em alto-mar, no Mar do Norte, poderá fornecer energia para 71 milhões de residências na Europa. Essas são as principais conclusões dos relatórios internacionais Geração Solar e Revolução Eléctrica do Mar do Norte (textos em inglês), lançados esta semana pelo Greenpeace. Ler mais...
( Fonte: Greenpeace Brasil / Via : esquerda.net )

quarta-feira, 28 de maio de 2008

‘Prós e Contras’: dois momentos paradigmáticos

1º Momento: um marxista 'atrevido'
Refiro, desde já, não ser um especial adepto deste programa, por razões que ainda hei-de expor noutra ocasião. Mas, do da última segunda-feira, tenho a destacar, do que vi, dois momentos particularmente elucidativos.
O primeiro ocorreu logo ao ligar a televisão, que coincidiu com o início da intervenção do Sérgio Ribeiro: a propósito do tema em debate (‘Crise económica – como vamos resistir?’), este ousou o supremo atrevimento de o abordar a partir de uma perspectiva ideológica maldita, com uma linguagem há muito proscrita dos ‘media’. Munido de notável calma e de uma lógica irrefutável, valendo-se da experiência de mais de quarenta anos como economista, recorrendo à autoridade académica de figuras tão insuspeitas como Sedas Nunes, arriscou a defesa do ‘velhinho’ pensamento marxista em contraposição à aceitação acrítica do ‘modernaço’ pensamento neoliberal, para explicar o que está a acontecer na economia mundial, que não pode ser reduzida a um conjunto de quadros estatísticos, pois por trás destes encontram-se pessoas envolvidas em determinadas relações sociais.

Por um momento, o insuportável vedetismo da apresentadora eclipsou-se, ainda tentou suscitar da outra parte uma reacção (que entretanto esboçava um sorriso entre o sarcástico e o nervoso), mas como esta não apareceu (por receio? por desdém?), limitou-se a deixar fluir o comentário do ‘atrevido marxista’. Por um momento o silêncio da sala pareceu traduzir sobretudo a perplexidade pela irrompante ousadia deste ‘out-sider’ do sistema, mas quero crer que as suas palavras, naquele contexto, soaram também como um aviso – e os avisos ouvem-se em silêncio – que a plateia entendeu, naturalmente, de modos diversos.

Transmitida a essência da mensagem, ao orador não restou, é certo, outra alternativa que voltar a debater o tema nos estritos parâmetros e com os conceitos da ortodoxia do pensamento único, o que é significativo da dificuldade em romper o muro ideológico que cerca as actuais práticas sociais e traduz os limites de qualquer actuação política. Mas fica o registo de uma intervenção feita sem o habitual recurso a camuflagens nem a rebuscadas figuras de estilo em que se acantonou o discurso alternativo, apenas com o propósito de tornar aceitável, por vezes até só audível, mensagens que doutro modo o não seriam.
Alguma coisa, pois, também aqui, parece estar a mudar. Aguardemos.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Combustíveis : e por que não nacionalizar ?..

Se a sobreposição do poder económico sobre o poder político deixou, por cá, de ser uma teoria para passar a facto consumado.
Se o mercado regulado por si próprio deixa de ter regulação.
Ora, então, porque é que eu não (me) posso interrogar :
Por que não nacionalizar? ( Mário Crespo, no Jornal de Notícias )