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terça-feira, 21 de setembro de 2010

A SIC e os comentadores económicos do costume

Há dias, de tanto ver Medina Carreira na SIC Notícias, tive o atrevimento de escrever ao Mário Crespo o seguinte:

«Caro Mário Crespo

Com o devido respeito, já aborrece a presença de Medina Carreira no seu programa. Para além de já não ser minimamente original, e sem prejuízo de reconhecer a sua seriedade e a validade e pertinência dos seus argumentos, seria mais interessante que de quando em vez ele fosse confrontado com alguém que oferecesse alternativas para além de uma ditadura de supostos iluminados que só percebem de finanças. Este país é pequeno, mas não tanto. Maior diversidade e contraditório seria interessante. Ou então organizem um debate com ele e alguém, igualmente sério, mas com perspectivas distintas.»

Como se vê, não se trata de desvalorizar as análises e os alertas de Medina Carreira. Trata-se sobretudo de discutir saídas para o problema da crise económica. Aqui, manifestamente, Medina Carreira e os outros comentadores residentes do "Plano Inclinado" deixam muito a desejar, como, muito a propósito, assinala Jorge Bateira, economista contribuidor do blogue "Ladrões de Bicicletas". na carta aberta a Mário Crespo que pode ser lida aqui.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

BPP : os riscos de contágio e/ou um plano disparatado para a salvação ?…

Com o aval do Estado, e por um período de seis meses, seis bancos vão emprestar 450 milhões de euros ao Banco Privado Português (BPP).
O governador do Banco de Portugal (BdP), Vitor Constâncio, justificou a operação com a falta de liquidez do BPP e os «riscos de contágio que aquela situação comporta»
Enquanto o BdP analisa várias denúncias de clientes do BPP contra o ex-administrador João Rendeiro, o Bloco de Esquerda considerou financeiramente disparatado o Plano de Salvação do BPP.
Assim, em alternativa, e em meu entender muito bem, o Bloco de Esquerda «propõe que o BPP venda os activos de que dispõe, para obter o financiamento necessário, e que os seus donos reforcem o capital para pagar as dívidas do seu banco» .
E para actuar no sentido de conseguir a limpeza do sistema financeiro, o Bloco de Esquerda anuncia que vai propor uma nova lei que determine:
a) A proibição de crédito a sociedades offshore de dono incógnito (o que aconteceu no BCP e BPN),
b) A obrigatoriedade do registo das operações internacionais de capitais, para evitar a especulação em offshores,
c) A tributação dos movimentos especulativos de curto prazo, para privilegiar as aplicações seguras de longo prazo,
d) O agravamento da punição de banqueiros que promovam operações ilegais, em particular de branqueamento de capitais,
e) A protecção a testemunhas que denunciem os casos de corrupção e de branqueamento de capitais,
f) A possibilidade de levantamento do segredo bancário dos responsáveis partidários, autárquicos e de outros sectores e empresas particularmente sensíveis.


E, agora, quem vai duvidar da bondade ou, se preferirem, da "radicalidade" desta proposta ?

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Os fundamentais do fundamentalismo e as cantigas do Prof. Cantigas

De vez em quando deparamos na televisão com autênticas figuras de opereta a tentarem interpretar peças para as quais não têm o mínimo de qualidades canoras. Foi o caso, ontem, de um professor do ISEF, ‘Cantigas’, de seu nome, que da cantiga em palco apenas decorou o refrão. Ou pelo menos não conseguia (ou não sabia, não queria,...) sair dele. De modo que, fosse qual fosse a deixa, a resposta ia dar sempre ao mesmo: ‘A oferta e a procura. São os fundamentais da economia . A explicação está nos fundamentais’. E martelava obsessivamente no estribilho como se de uma explicação matemática se tratasse, ao mesmo tempo que parecia sorrir. Sorria de quê, afinal? Da santa ignorância de uns? Da resistência à evidência de outros?

Tudo isto a pretexto das projecções macro-económicas do PIB e da inflação anunciadas pelo Governador do BP. Pelo meio, muitas considerações a propósito, que invariavelmente tinham sempre como refúgio a explicação sacramental: esquecemos os fundamentais (por um lado), a oferta e a procura (por outro). Papagueado com esta insistência, o matraqueado refrão explicava tudo: a subida da Euribor, o aumento dos combustíveis, a crise alimentar, as inundações na China (perdão, entusiasmei-me, esta não consta das citações do Prof. Cantigas).
O entrevistador (Mário Crespo) quis saber mais sobre a crise alimentar, a sua relação com a crise da energia. Já não preciso os termos exactos da resposta, mas a sua cartilha reza mais ou menos que: por um lado o aumento da procura do petróleo provocou a subida do seu preço e a escassez de combustíveis no mercado mundial; por outro, a abundância de cereais (lá está, excesso na oferta) propiciou de forma natural, racional e lógica (!!!) o desvio de parte dos stocks cerealíferos para a produção de biocombustível. O Crespo ainda tentou contrapor: mas a subida dos preços alimentares daí decorrente não afectou sobretudo os pobres? (Espaço para o convencido professor se recompor).‘Pobres? Pobres sempre os haverá’!

É confrangedor assistir às cambalhotas a que se sujeitam estes fundamentalistas – por via dos ‘fundamentais’ da economia, que tanto invocam! – apenas para manterem um simulacro do ‘equilíbrio perfeito’ da pomposa, pretensiosa e muito pobre ‘lei da oferta e da procura’. A que ‘os pobres’, por definição, não têm acesso, nem do lado da procura, muito menos do lado da oferta.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Mais uma revisão (em baixa) do crescimento da (nossa) economia


O ministro das finanças, Teixeira dos Santos, face A estimativa rápida do INE informa o País que o governo revê, mais uma vez e em baixa, o crescimento da (nossa) economia.
É que, segundo o INE, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu, em volume e no 1º trimestre deste ano e face ao periodo homólogo, 0,9% o que representa uma desaceleração de 50% relativamente ao trimestre anterior (1,8%).
Mais uma excelente performance, portanto e sem dúvida, do governo de Sócrates ... considerando que somos, só, o pior dos piores paises da zona euro.