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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Música Celestial …


O vento consome-se.
Deleita massacres mensagens atlânticas com orquestras de mil e tal violinos.
É o ciclone a enraizar invernias cuspido das latitudes as muitas sinfonias.
O berço.
O arpão no rasgo das rotas
caça o maestro dono da ilha.
Da casa.
Leva o tecto do mar.
O bafo das cagarras.
O desafino.
Levamos nos olhos o transporte.
A carícia das mãos no corpo da rocha.
A baleeira no canal à deriva.
O vento consome-se com.
Some-se.
Deleita massacres mensagens atlânticas
com orquestras de mil e tal violinos.
O esqueleto do mar
rocha abaixo sem estaleiro.
Que vai ser disto ?
Outra vez o rumo a destruir
o leme e o cardume no colo do xaile.
Outra vez
outra voz
a promessa adiada.


Sidónio Bettencourt

terça-feira, 28 de abril de 2009

As Ilhas Desconhecidas

“As Ilhas Desconhecidas”, de Raul Brandão (1876-1930), um dos principais livros de viagens da literatura portuguesa e, mui provavelmente, o maior escrito do último século, relata de forma surpreendente a vivência do autor na sua digressão pelos arquipélagos dos Açores e Madeira, entre Junho e Agosto de 1924.
Trata-se de um relato fascinante de Raul Brandão em que (nos) explica de forma mágica, intensa e apaixonada, numa linguagem visual e pictórica as paisagens, as tradições, o modo de vida e costumes insulares que pode(rá), agora e em boa hora, ser visto na RTP1, num documentário de Vicente Jorge Silva.
Ora, e para quem não teve a oportunidade de ver, eis a primeira e a segunda parte do documentário.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Açores: Morreu o escritor Dias de Melo

Faleceu o professor. Tinha 83 anos. Era “picaroto”, da Calheta de Nesquim, Ilha do Pico.
Lá, em S. Miguel, por volta de 1966 e/ou 1967, tive o privilegio de o ter conhecido, de ter privado com os filhos, de ter sido seu vizinho e Amigo; vivia, eu e então, na Rua do Paiol e o professor, com a família, na Rua do Lagedo, em Ponta Delgada.
Como escritor, deixou-nos um legado de mais de uma trintena de livros oferecendo, assim, às actuais e vindouras gerações, recortes sobre as gentes dos Açores , a sua forma de viver, de ser e de estar, quer nas nossas Ilhas, seja na diáspora.
Convém, entretanto e em sua memória, não esquecer – sobretudo, agora, nos tempos que correm – que o professor foi um resistente, um anti-fascista que foi perseguido pela PIDE, a policia politica do fascismo, que o obrigou a abandonar S. Miguel, onde era professor efectivo.
À família do professor Dias de Melo e, em particular, ao Américo - que pese embora morarmos no mesmo bairro, de sermos vizinhos em Telheiras, só nos encontramos acidentalmente – as minhas condolências.
Até sempre, professor, e obrigado !!!