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sábado, 12 de dezembro de 2009

Copenhaga na Crise global

Incertezas, insatisfação, oportunidades...

Apesar das tentativas oficiais pretenderem fazer crer que o pior da crise já passou, verdadeiramente ninguém parece fazer fé em tanto optimismo, tenha ou não já sido afectado, directa ou indirectamente, por ela – e não, não fica a dever-se ao descrédito das fontes! Tudo, afinal, se resume à dura e crua realidade. À realidade sentida, percebida ou até mesmo só intuída pela esmagadora maioria das pessoas. Em Portugal, seguramente (afinal o mal já vem de longe e a instalada anemia parece não ter cura), mas também um pouco por todo o Mundo!

Longe estão de se encontrar assegurados, sequer delineados ou em vias de o ser, os prometidos mecanismos de regulação e outros (quando no auge do perigo se temia o pior, e o pior era mesmo a derrocada do sistema!), destinados não só a resolver a crise, como sobretudo a evitar a sua repetição. Certo, os mesmos desejos, os mesmos propósitos haviam já sido formulados – e tentados – em ocasiões anteriores, sempre com os mesmos pífios resultados. Expressivos apenas na insatisfação, no desespero, no medo, na humilhação a que se reduz a incerteza e a crescente sensação de vidas permanentemente adiadas, sem perspectivas de qualquer futuro.

À tese dos que consideram e insistem (eles lá saberão porquê) que isso resultou sobretudo devido à ganância, perfídia, desvios de carácter ou quaisquer outros desvarios dos detentores do poder, económico e político, tenho vindo a contrapor a de que, não descurando tais aspectos, circunstancialmente importantes, o essencial se deve procurar antes no carácter predador do próprio sistema, cuja lógica de funcionamento, baseada na expansão contínua, ameaça arrastar tudo e todos na sua derrocada. De tal modo que a grande preocupação (ou esperança, conforme a perspectiva), porventura a única, que por estes tempos todos apregoam como forma de se ultrapassar a crise e devolver os empregos perdidos, reside na miragem do ‘crescimento económico’, tido como indispensável para inverter uma situação em contínua degradação.

Também por estes dias decorre em Copenhaga, promovida pela ONU, a Conferência das Alterações Climáticas, a 15ª tentativa de se encontrar uma fórmula, vertida num compromisso à escala global, que permita contrariar ou mesmo evitar as consequências nefastas, potencialmente catastróficas, que o rápido aquecimento do planeta provocado pelo efeito de estufa – em resultado da acção do homem, já não há volta a dar-lhe! – irá desencadear sobre toda a vida na Terra. Aparentemente, pois, os objectivos do que se discute em Copenhaga conflituam com os da tradicional via de desenvolvimento, uma vez que tem sido ‘este’ (dito imprescindível) crescimento económico, movido e dominado pelo motor da expansão capitalista, o principal responsável pela difícil, e porventura já irreversível, situação geoambiental (não é só climática) em que o Mundo actualmente se encontra.

Os mais optimistas parecem depositar uma fé inabalável numa ilimitada (!) capacidade tecnológica para a inverter e impedir as catástrofes que se anunciam (e salvar o Mundo do precipício, nem que isso aconteça só no último momento!), indo até muito para além do que permitiria deduzir-se de uma pretensa neutralidade da técnica face aos interesses dominantes (o que, como se sabe, é irrealista pensar-se). Certo é que o tempo escasseia e a eficácia de uma acção oportuna cada vez se apresenta menos provável.

Ora, no clima de profunda crise económica instalado a nível global (com todo o rol de incertezas, de insatisfação, de humilhações,... de abertura à mudança) e perante o grau de confiança permitido pelos dados que a ciência já dispõe sobre os efeitos das alterações climáticas, uma convicção parece afirmar-se: nunca como agora se reuniram condições tão favoráveis à denúncia dos responsáveis por este estado de coisas e à consequente desmontagem dos mecanismos sociais que o propiciaram (incluindo o perverso desaproveitamento da capacidade científica e técnica – perverso até na perspectiva do próprio sistema!).

Resta então saber, para além dos discursos e dos compromissos oficiais, até onde irá ser possível aproveitar-se esta oportunidade para se repensar o funcionamento do nosso actual modo de vida e se tentar esboçar um novo modelo de organização social; até onde nos será permitido contestar algumas verdades tidas como absolutas e resgatar-se o sopro de esperança num outro futuro, num futuro alternativo ao que nos querem impor!

Utópico? Talvez, mas... que futuro sem utopia?

domingo, 7 de junho de 2009

“É tarde demais para ser pessimista”

À hora a que a maioria das televisões acompanhava os derradeiros momentos desta ‘campanha triste’, a RTP2 transmitia, sob a forma de documentário, mais um sério aviso sobre ‘este’ desenvolvimento que está a consumir o planeta. Aos argumentos cruzados a propósito do ‘caso BPN’ (roubalheira dos ex-PSDs, de um lado, responsabilidades do ‘BP’, do outro – o CDS a impor a sua agenda mediática às prioridades das europeias em tempo de crise!), a “2”, através de um bem documentado e fundamentado ‘Home – o Mundo é a nossa casa’, alertava para o possível esgotamento dos recursos naturais até ao final do século. Da água, origem da vida, à agricultura, base da sobrevivência humana.

Sem grandes novidades – a não ser, talvez, o tom cada vez mais negro com que estes avisos vão sendo emitidos – durante hora e meia foram apresentados e actualizados os principais dados que os cientistas vão coligindo sobre o rápido processo de carbonização da atmosfera e dos seus principais efeitos no frágil equilíbrio ambiental. Como por exemplo:
- Que tendo a espessura do gelo da calota do Árctico reduzido cerca de 40% nos últimos 40 anos, se prevê o seu desaparecimento até 2030 (alguns avisam que tal pode mesmo acontecer já em 2015!), desaparecendo com ele o ‘efeito de albedo’ (uma espécie de ar condicionado da Terra) e influenciando a ‘circulação termohalina’ das correntes marítimas, o que alteraria todo o clima terrestre;
- Que o acelerado processo de degelo dos glaciares da Gronelândia, que representam 20% de toda a água doce do planeta, caso não seja travado, pode traduzir-se num aumento de 7 metros no nível dos mares, inundando vastas zonas costeiras fortemente habitadas, obrigando à deslocação de centenas de milhões de pessoas!
- Que, com o aquecimento global e o degelo, o metano retido nos solos gelados da Sibéria (o ‘permafrost’) pode libertar-se, o que virá a resultar numa catástrofe de dimensões inimagináveis;
- Ou que 20% da Humanidade consome 80% de todos os recursos da Terra!

Resta-nos então apenas concluir, com o documentário, que “é tarde demais para ser pessimista”! Mas isso obriga a muito mais mudanças do que as pessoas parecem dispostas a fazer. Mudanças políticas de fundo, é certo, mas sobretudo e naturalmente, mudança dos hábitos quotidianos mais simples na vida de cada uma delas.

Que não haja ilusões. Isso só se tornará viável se as pessoas forem a tal obrigadas. Pela força das circunstâncias – a pior maneira – ou pela força das normas – a ‘pérfida’ maneira. Primeiro, porque ninguém estará disposto a acatar normas que interfiram com o seu actual nível de conforto; depois, porque nenhum político das actuais democracias – o regime dominante daqueles 20% mais predadores de recursos – aceitaria afrontar os seus eleitores nesse seu conforto básico. O que implicaria um enorme volte-face nas actuais condições sócio-demográficas do denominado ‘mundo ocidental’. Incluindo também nos próprios comportamentos políticos da sua classe dirigente!

A convulsão gerada na sequência da crise actual (ou crises, importa aqui recordar que a primeira foi a energética, com o disparo dos preços do petróleo, prenunciando o rápido esgotamento dos recursos!) é bem mais do que uma simples ‘crise de crescimento’, como tem vindo a ser tratada. Não sei se é já o estertor do sistema, duvido. Mas sei que só poderá ser ultrapassada se as mudanças forem bem mais radicais e drásticas que as até agora adoptadas (ou as que se aprestam a sê-lo). Sob pena de as circunstâncias virem a impor a ‘sua’ solução. A pior, seguramente!

Talvez a solução, afinal, esteja na simplicidade das coisas. Talvez a solução da energia, por exemplo, esteja na fotossíntese. Tal como se refere no documentário, ‘basta imitar as plantas e procurar captar a energia do sol’. Se tudo fosse assim tão simples...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A água que vale água ...

"Todos os dias morrem seis mil pessoas devido à falta de água potável e destas, 80% são crianças. A cada 15 segundos morre uma criança devido a uma doença relacionada com a água."
A água embalada Earth Water é o único produto no mundo com o selo do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), revertendo os seus lucros a favor do programa de ajuda de água daquela instituição.
Com a criação da Earth Water pretende fazer-se a diferença e melhorar estas estatísticas assustadoras. Ao desenvolver o conceito "You Never Drink Alone" pretende-se criar solução para a falta de água mundial.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Mais um "malabarismo", uma grande mentira deste Governo …

Saber se Portugal é um país energeticamente renovável pode ser mais complicado do que parece. A Quercus denunciou que o método utilizado pelo Governo está a inflacionar os valores da produção de electricidade a partir de fontes renováveis dos “reais” 26,7 por cento para os 42 por cento.
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( Via : Ecoblogue )

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Colapso - Ascensão e queda das sociedades humanas ...

“ As instituições podem minar até as sociedades mais fortes “
( Jared Diamond )
Numa altura, nestes tempos que correm, em que andamos cada vez mais distraídos, em entrevista à Visão desta semana, o Professor Jared Diamond , autor do livro “C0PLAPSO”, recentemente editado pela Gradiva, volta a deixar sérios alertas; eis um excerto da referida entrevista :
P - O que pode levar ao desaparecimento de uma sociedade ?
R- Uma combinação de cinco razões: os danos ambientais, as alterações climáticas, os inimigos, os amigos ou parceiros comerciais e as instituições, sejam políticas, económicas ou religiosas. Comecemos pelo ambiente. Ao longo da História, sociedades que dependiam das árvores acabaram com as florestas para fazer lume e para a construção de casas. Foi o caso do Líbano, de Marrocos, grande fornecedor do Império Romano, ou dos Maias. Quanto ao clima, fala-se hoje muito das alterações causadas pelo Homem, mas elas podem dever-se também a causas naturais. Na Europa, o clima ficou mais frio nos séculos XV e XVI e a Gronelândia não sobreviveu.

P – Há hoje algumas sociedades em risco ?
R – Todas, devido à globalização. Os problemas de uns países passam depressa para os outros. Mas digamos que a Noruega está menos em risco que a Itália, pois é auto-suficiente em petróleo e o Governo preocupa-se com os recursos naturais. E a Nova Guiné usa ainda instrumentos de pedra. Se houver um desastre natural no Ocidente, quem pode fazer instrumentos de pedra. Eles sabem. São dois bons exemplos.

Enfim, uma pequeníssima achega no sentido de (re)colocar a questão

sábado, 27 de dezembro de 2008

Um discurso ‘anti-capitalista’ contra a teoria do ‘Aquecimento Global’ ?

Detenho-me, por momentos, num desses programas que, por estes dias, pretendem fazer o balanço do ano que agora finda e perspectivar o que aí vem. É na SIC/N, pelo moderador (Martim Cabral) presumo que se trate do ‘Internacional SIC’, o tema deve incidir sobre esta área, portanto. Chego quase no fim e por isso admito poder ter perdido alguma coisa de relevante para o tema que aqui me proponho trazer. Penso que não, porque ele é introduzido a ‘talhe de foice’, para elucidar um raciocínio que vem de trás (confesso que não o apanhei, não cheguei a tempo, portanto).

Tão pouco consigo identificar o comentador, ao contrário da tese por ele apresentada, mais ou menos do seguinte teor: ‘O aquecimento global é um mito (o tema é até introduzido nos seguintes termos: ‘é como o mito do aquecimento global’...). Trata-se do maior esforço alguma vez feito pelo capitalismo para se reconverter e se salvar. À conta do aquecimento global floresce toda uma indústria de novas tecnologias – uma nova revolução industrial – tendo como objectivo responder ao pânico criado por uma tese que, afinal, carece de demonstração científica. Este é, aliás, o grande mérito do Al Gore, na sua cruzada pelo ambiente. Não é por acaso que, por trás deste esforço tecnológico, se encontram as maiores petrolíferas.’

Como digo, não sei se me escapou alguma coisa de importante nesta formulação teórica, aparentemente anti-capitalista. Descoberto o vilão, as petrolíferas, há que rejeitar tudo o que elas produzam (por receio de contaminação?), incluindo, portanto, as inovações tecnológicas de combate ao aquecimento global. Considerando-se culpado o mensageiro, recusa-se também o conteúdo da mensagem. Não percebo sequer por que razão se não deve aproveitar o ‘pretexto’ (partindo da validade de tão peregrina teoria) para então se poder ganhar maior eficiência no uso de recursos escassos e reduzir-lhe os efeitos nocivos sobre o ambiente – ao menos quanto a isso há unanimidade.

A História está cheia de relatos semelhantes, de tentativas goradas de oposição ao avanço tecnológico, na sua essência, libertador da servidão a que o homem se encontra sujeito. Como o dos luditas, na Inglaterra do início da revolução industrial – cuja generosidade não se questiona – atirando os teares mecânicos ao mar na vã esperança de protegerem os seus empregos artesanais. Não sei se, no caso vertente, se trata apenas de generosidade, o que sei é que existem ‘lobbies’ fortíssimos, precisamente ligados aos interesses petrolíferos, constituídos com o propósito de desacreditarem a teoria do aquecimento global, para isso recorrendo ao testemunho de ‘cientistas’ a quem não sobram escrúpulos para se fazerem pagar por se prestarem a tal papel!

E sei também que, a manter-se a presente tendência de aumento na atmosfera de gases com efeito de estufa (por força das emissões de dióxido de carbono, com origem sobretudo na queima de combustíveis fósseis), as consequências podem vir a revelar-se devastadoras para o modo de vida actual. Não surpreende, pois, que a comunidade científica venha alertando, cada vez com maior insistência e crescente veemência, para alguns dados insofismáveis que apontam para a eminência de catástrofes ambientais de imprevisíveis consequências (naturais e sociais). Aliás, perante ‘apenas’ a hipótese do aquecimento global e os cenários delineados, bastaria a dúvida sobre as suas causas para exigir uma atitude de prudente precaução (que a ONU já adoptou como princípio) que conduzisse à adopção de medidas preventivas e não o irresponsável alheamento ou o provocador afrontamento (apelidando-a de catastrofista).

Abundam na História (mais uma vez aqui convocada) exemplos de civilizações desaparecidas na sequência (ainda que não por razões exclusivas) de catástrofes ambientais e do precoce esgotamento dos recursos, provocadas por mau uso na exploração destes ou aplicação de técnicas desapropriadas. Dos habitantes da Ilha de Páscoa, aos Vikings, aos Maias,... tudo, aliás, bem documentado, no título, de leitura obrigatória, ‘Colapso’, de Jared Diamond, de que acaba de sair tradução em português (obrigado pela sugestão, José de Sousa). No ponto crítico em que se encontra já este problema, hoje, pouco importa que as medidas para o contrariar sejam ditadas por interesses egoístas ou orientadas por valores mais altruístas. Quando muito poderá aqui aplicar-se a sabedoria popular vertida na velha máxima: ‘Deus escreve direito por linhas tortas’. Ainda que convenha ficar atento aos seus desenvolvimentos.

É que, por esta altura, o mais importante é mesmo fazer alguma coisa a tempo de evitar que a situação se torne irreversível. Sob pena de poucos restarem para fazerem jus aos imaculados princípios que alguns, agora, tentam impor aos outros – mas que quase de certo não praticam.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Hoje, é o Dia Mundial da Conservação do Solo

Degradação do solo aumenta e afecta um quarto da população mundial

A degradação do solo está a aumentar em muitas partes do mundo, segundo um estudo divulgado pela FAO, com dados referentes a um período de 20 anos. Definida como o declínio a longo prazo na função e na produtividade de um ecossistema, a degradação do solo está a aumentar em gravidade e extensão, afectando mais de 20% das terras agrícolas, 30% das florestas e 10% dos pastos. Cerca de 1,5 mil milhões de pessoas, um quarto da população mundial, depende directamente dos solos que estão em processo de degradação. Ler mais...
( Via : Ecoblogue )