sábado, 31 de maio de 2008

Alguém me satisfaz uma dúvida ?..

De há uns tempos a esta parte que deixei de ver/ouvir o senhor comendador Joe Berardo nos ecrãs das nossas televisões; em todas as televisões e, em particular, na SIC.
Ora, será por causa disso ?..
‘Operação Furacão’ Caso Berardo envolve nata política da Madeira
Entretanto, não haverá, por aí, um qualquer jornalista que possa fazer uma pergunta ao senhor comendador :
- como é que o senhor comendador enriqueceu ?
Seria importante, no entanto, que o senhor comendador fizesse o favor de explicar a “coisa”, d-e-v-a-g-a-r-i-n-h-o, por forma a que, eu, possa perceber…

Direct@s ao ‘Centrão’

No PSD, a luta pela liderança tem sido desde o início determinada pela figura tutelar de Sócrates. Sobre questões de conteúdo, programas, políticas, alterações, apenas o vazio (quase) total. Como, aliás, era de esperar. Ainda assim, o único que arriscou algumas medidas mais objectivas em termos de alterar o actual panorama, não conta para esta decisão. Se calhar por isso é que arriscou, não tinha nada a perder.

Pelo que o resultado final parece resumir-se a encontrar o par ideal para Sócrates: a escolha entre um sósia – o assumido liberal Passos Coelho – ou uma sócia – a envergonhada social-democrata Ferreira Leite. A avaliar pelas prestações de cada um no decurso da campanha, é de esperar apenas e só a continuidade do centrão (o que significa, é certo, o seu reforço). Duma maneira ou doutra, portanto, ainda que com ligeiros retoques, meras questões de estilo, perfil, mais ou menos rimel (ou mesmo nenhum)...

Sobre o outro... Mas ainda alguém leva a sério o Sr. Lopes? Só ele mesmo e... talvez algumas ‘santanetes’ (eles e elas, é claro).

DIZER NÃO AO ASSALTO ...

E tu e eu, o que é que vamos fazer ?..

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Dia 3 de Junho : eu, vou lá estar ...


Eu, por mím, vou lá estar porque :
- «a ideia é juntar o que está disperso, juntar pessoas de esquerda sem alimentar ilusões»
- «é tempo de buscar os diálogos abertos e o sentido da responsabilidade democrática que tem de se impor contra o pensamento único, a injustiça e a desigualdade»
- «numa democracia moderna, os direitos políticos são inseparáveis dos direitos sociais»
- «se estes (direitos) recuam, a democracia fica diminuida»
E porque, também, acredito que não nos podemos, nem devemos resignar perante as dificuldades e, tal como escreveu Miguel Torga, :
“Temos nas nossas mãos / o terrível poder de recusar.”

Mas, também, o poder de afirmar e de dar vida à democracia.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

‘Prós e Contras’: dois momentos paradigmáticos

2º momento: a resolução das crises segundo Teodora
O outro momento é protagonizado por Teodora Cardoso. Tentativa desajeitada, digo eu, extemporânea mesmo, até pelo facto de surgir de alguém fortemente conotada (no mínimo) com o PS e não de qualquer dos elementos mais liberais presentes na sala (resmas deles, aliás, como de costume).
Quase em jeito de resposta ao autêntico desafio à ortodoxia estabelecida, por parte de Sérgio Ribeiro e com o propósito de mostrar mais o seu distanciamento (por receio de conotação abusiva?) do que por firme convicção, aproveitando falar-se da actual crise mundial (que começou por ser financeira e com origem nos EUA, mas já alastrou aos restantes domínios económicos e regiões do planeta), fez questão de afirmar, voltando-se para o ‘hereje’, que é aqui que se encontra ‘a grande vantagem do sistema capitalista: não podemos imaginar que o sistema capitalista vive sem crises (elas são parte integrante do sistema capitalista), mas é o único que resolve as crises’ (!). E, a concluir, a inevitável e resignada invocação divina: ‘não podemos fazer milagres’.

Ouve-se, volta a ouvir-se e quase não dá para acreditar. A lógica redundante deste raciocínio ensimesmado só encontra paralelo na pretensa ‘lei da oferta e da procura’, em que um processo meramente descritivo é apresentado como axioma científico de valor equiparável às mais consagradas leis da física, da química, da biologia,... (mais ou menos assim: a oferta cria a sua procura, a procura cria a sua própria oferta...; o capitalismo gera crises periódicas, as crises periódicas só são resolvidas pelo capitalismo... Notável!!!)

Mas deixando de lado a análise à tautologia de tais raciocínios (profundamente enraizados e tidos como intocáveis no discurso da ideologia corrente, cuja razoabilidade ninguém se atreve a questionar), atenhamo-nos, apenas, ao conteúdo de tão peremptória e fulminante proposição – o sistema capitalista é o único que resolve as crises – para perguntar: Resolverá mesmo? Com que custos, humanos e materiais? Quais as sequelas históricas? E até quando?
Apetece dizer: vai chegar o dia (é a 'lei da vida') em que o capitalismo já não conseguirá resolver coisa nenhuma, restando apenas saber se, nessa altura, ainda restará alguma coisa. Porventura, bem mais cedo do que muitos esperam, seguramente bem mais tarde do que muitos desejam.

‘Prós e Contras’: dois momentos paradigmáticos

1º Momento: um marxista 'atrevido'
Refiro, desde já, não ser um especial adepto deste programa, por razões que ainda hei-de expor noutra ocasião. Mas, do da última segunda-feira, tenho a destacar, do que vi, dois momentos particularmente elucidativos.
O primeiro ocorreu logo ao ligar a televisão, que coincidiu com o início da intervenção do Sérgio Ribeiro: a propósito do tema em debate (‘Crise económica – como vamos resistir?’), este ousou o supremo atrevimento de o abordar a partir de uma perspectiva ideológica maldita, com uma linguagem há muito proscrita dos ‘media’. Munido de notável calma e de uma lógica irrefutável, valendo-se da experiência de mais de quarenta anos como economista, recorrendo à autoridade académica de figuras tão insuspeitas como Sedas Nunes, arriscou a defesa do ‘velhinho’ pensamento marxista em contraposição à aceitação acrítica do ‘modernaço’ pensamento neoliberal, para explicar o que está a acontecer na economia mundial, que não pode ser reduzida a um conjunto de quadros estatísticos, pois por trás destes encontram-se pessoas envolvidas em determinadas relações sociais.

Por um momento, o insuportável vedetismo da apresentadora eclipsou-se, ainda tentou suscitar da outra parte uma reacção (que entretanto esboçava um sorriso entre o sarcástico e o nervoso), mas como esta não apareceu (por receio? por desdém?), limitou-se a deixar fluir o comentário do ‘atrevido marxista’. Por um momento o silêncio da sala pareceu traduzir sobretudo a perplexidade pela irrompante ousadia deste ‘out-sider’ do sistema, mas quero crer que as suas palavras, naquele contexto, soaram também como um aviso – e os avisos ouvem-se em silêncio – que a plateia entendeu, naturalmente, de modos diversos.

Transmitida a essência da mensagem, ao orador não restou, é certo, outra alternativa que voltar a debater o tema nos estritos parâmetros e com os conceitos da ortodoxia do pensamento único, o que é significativo da dificuldade em romper o muro ideológico que cerca as actuais práticas sociais e traduz os limites de qualquer actuação política. Mas fica o registo de uma intervenção feita sem o habitual recurso a camuflagens nem a rebuscadas figuras de estilo em que se acantonou o discurso alternativo, apenas com o propósito de tornar aceitável, por vezes até só audível, mensagens que doutro modo o não seriam.
Alguma coisa, pois, também aqui, parece estar a mudar. Aguardemos.

Indiferentes : até quando ?..

Isto é “apenas” o maior e mais grave falhanço da democracia portuguesa.

Mui provavelmente, por isso e no entretanto, Mário Soares, em artigo de opinião, afirmou no DN que :
" ... depois de duas décadas de neoliberalismo, puro e duro, (...) uma boa parte da esquerda, dita moderada e Europeia, parece não ter ainda compreendido que o neoliberalismo está esgotado.../... que a saúde, a educação, o desemprego, a previdência social, o trabalho, são questões verdadeiramente prioritárias.../...urge fortalecer o Estado para os tempos que aí vem e não entregar a riqueza aos privados. Não serão eles [os privados], seguramente, que irão lutar, sériamente, contra a pobreza e reduzir drasticamente as desigualdades. "

Entretanto, para não "destoar" e pelas vozes de umas tantas "carpideiras", o PS responde aos avisos de Soares.

José Sócrates, qual "socialista de plástico", reconheceu o "momento de dificuldade" que Portugal atravessa manifestando "total compreensão" pelos problemas que afectam a população, mas recordou a "situação social muito desequilibrada" deixada pelo PSD.

Ora, perante isso, perante tudo isso, só acho, mesmo, que os socialistas (que, ainda e agora, militam neste PS) não podem, de todo, ficar indiferentes a esta actual Direcção Politica do PS
que é uma parte activa da neoliberalização gradual do país, que gerou uma imensa fractura social e um modelo económico que, e tal como reconhece Mário Soares, está esgotado.

Sendo assim, e por tudo isso, até quando vamos continuar, mesmo, indiferentes ?..

terça-feira, 27 de maio de 2008

Combustíveis : e por que não nacionalizar ?..

Se a sobreposição do poder económico sobre o poder político deixou, por cá, de ser uma teoria para passar a facto consumado.
Se o mercado regulado por si próprio deixa de ter regulação.
Ora, então, porque é que eu não (me) posso interrogar :
Por que não nacionalizar? ( Mário Crespo, no Jornal de Notícias )

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Liberais envergonhados?

Mas a história dos ‘liberais enrascados’ não fica apenas por ali.
Esbravejando por tudo quanto se lhes ofereça como areópago publicitário para as suas ideias e pessoas, sabendo do eco que tais alaridos encontram numa opinião pública desorientada, porque fustigada por golpes sucessivos aos seus já muito depauperados recursos, arengam em defesa da tese (nada ortodoxa segundo os cânones liberais), de que o Estado tem de intervir para pôr cobro à imparável escalada dos preços nos combustíveis. Uns mais liberais que outros, é certo, advogam como medidas, ora a redução dos impostos que sobre eles impendem, ora o combate à especulação dos preços. Mas como, sabendo que esta se gera sobretudo no exterior? Ninguém sabe.

Importante mesmo é ficar registado perante a opinião pública que fulano, cicrano ou beltrano, todos liberais convictos de ‘antes quebrar que torcer’, demonstraram denodado empenho ao lado dos espoliados e ofendidos na luta contra este autêntico saque ao bolso do consumidor. A ocasião tanto pode ser proporcionada por uma campanha de candidatos a candidatos à governação (PSD/PC, de Passos Coelho), como fabricada em operação montada, para maior impacto mediático, do outro lado da fronteira (CDS/PP, das duas ‘coisas’). Com voz trémula, embargada pela comoção – “coitadinhos dos pobrezinhos” – balbuciam entaramelados conceitos em torno, pasme-se, da necessidade de reforço do Estado Social!

Ou seja, a coerência na defesa do mercado livre conhece 'apenas' um limite: o dos interesses. Sejam eles económicos, políticos ou meramente de promoção pessoal. Invoca-se (ou exige-se mesmo) a intervenção do Estado sempre que dá jeito uma ajudazinha ao mercado, é que também ele, por vezes, evidencia as suas falhas, demonstra-se manco... Moldam-se, enfim, os princípios à medida dos interesses. Afinal, alguma coisa de novo?

Liberais enrascados?

E, de repente, levanta-se um clamor frenético, vindo sobretudo do lado que, supostamente, menos era esperado, porque dito liberal, exigindo a ... intervenção do Estado. Para actuar ao nível da segurança do País ou dos cidadãos? Para aplicação de uma justiça mais célere e (já agora) mais justa? Para um qualquer protesto diplomático perante uma alegada ofensa à honra da pátria? Para, vá lá, corrigir situações de extrema penúria na defesa da dignidade das pessoas? Estas, de facto, as quase únicas áreas que os liberais toleram e admitem para a intervenção do Estado. Em tudo o resto é ao mercado que compete decidir, já agora livre de constrangimentos - por razões de neutralidade económica e de eficácia nos resultados, acrescentam.

Desta feita, porém, o insistente pedido de intervenção diz respeito, imagine-se, ao próprio funcionamento do mercado: o mercado dos combustíveis, dizem, está descontrolado, exige-se a intervenção do Estado. O pretexto é, ele próprio, uma prova de que a defesa do mercado livre só funciona num sentido, que a auto-regulação do mercado é uma falácia (logo que se sinta ameaçado ou em risco...): afinal, em Espanha, os nossos vizinhos passeiam-se à conta de um gasóleo e gasolina mais baratos 20 ou 30 cêntimos!
A única novidade, se é que o chega a ser mesmo, reside no tempo desta peça. Ela desenrola-se precisamente logo após o governo (um dos anteriores a este), ter decidido liberalizar o mercado dos combustíveis. Afiançava-se, então, que a maior concorrência iria permitir benefícios para o consumidor. O que se passou, afinal, foi exactamente o contrário. Os preços nunca mais deixaram de subir. Não por culpa da concorrência, mas do mercado, apressam-se a esclarecer. Mas então a concorrência não é componente essencial do mercado? Perplexidades bastantes perante a «concorrência» de tantos factores a contribuir para baralhar e, o que é pior, espoliar o indefeso consumidor.

Não fora a choruda sorte que nestas alturas generosamente atinge os que mais lucram com as teorias liberais, dir-se-ia que os pressurosos paladinos deste liberalismo serôdio andam mesmo com grande azar. A confirmação, afinal, de que a intransigência na liberalização do mercado se rege 'apenas' por uma máxima política: socialização dos riscos, privatização dos lucros.

Uma boa notícia : Colóquio Letras, grátis !..


Ao longo de cerca de dez anos a Colóquio/Letras coligiu de forma sistemática informação detalhada sobre os textos publicados nas suas páginas com o objectivo de vir a disponibilizar, ao seu público e à comunidade científica em geral, novas formas de exploração de conteúdos que ultrapassassem a linearidade, e até a temporalidade, da difusão da publicação impressa.

Em todos os pontos de acesso e formas de exploração da informação, estão agregados os próprios textos e imagens da Colóquio/Letras (com a excepção dos números mais recentes). Este serviço valoriza inequivocamente o investimento feito pela Fundação Calouste Gulbenkian ao longo de tantos anos na Colóquio/Letras.

domingo, 25 de maio de 2008

GALP : diatribes e boicotes ...

Tenho recebido, ultimamente, quer por e-mail, seja por SMS, múltiplas mensagens no sentido de aderir nos dias 1, 2 e 3 de Junho , ao boicote dos produtos GALP.
Ora, para mim, e muito mais importante que aderir ao boicote acho, outrossim e de enorme utilidade para a nossa “higiene mental” , termos conhecimento dos recém - eleitos Órgãos Sociais da Galp e, porque não (?) cruzarmos estas personalidades com outras personalidades devidamente “estribadas” noutras empresas do PSI20 e não só…
Depois, poderia ser igualmente interessante “descobrir” as listagens dos assessores e consultores das referidas empresas.
E, então, seria muito mais interessante (?) descobrirmos que, por "lá" - quem sabe (?) - temos tanta gente "conhecida" !..

sábado, 24 de maio de 2008

Solidariedade

Na situação actual em que se encontra o nosso País, deveria existir um sentimento generalizado de bom senso e espírito de missão.
Os portugueses ficariam extremamente sensibilizados se os exemplos começassem de cima que, como todos sabemos, é um tema já muito rebuscado e fracassado, sempre que se fala ou até se pensa em semelhante tal.
O aparelho de Estado não prescinde das suas mordomias e tal como um Pai que não oferece bons exemplos a um filho também os nossos actuais e ex-governantes não dão sinais, quanto mais os tais exemplos, de solidariedade e compreensão, por quase tudo o que de muito mau tem acontecido e continua a acontecer.
Eles dizem que se preocupam e compreendem os sacrifícios de quem tem baixos salários e baixas reformas, sem nunca usarem o termo miseráveis, porque isso afecta o intelecto, não é bom para o ego e provoca náuseas. Mas o facto é que eles, os miseráveis, aí estão, todos os dias, cada vez mais.
Não consigo perceber, à semelhança do que se passa nos países nórdicos, porque é que os nossos governantes não se deslocam para os seus locais de trabalho pelos seus próprios meios, de transportes públicos ou nas suas próprias viaturas, tendo depois à sua espera, os respectivos carros oficiais e motoristas.
Não são histórias, muitos de nós já lemos e ouvimos falar destas evidências. Isto acontece porque são diferentes, porque são melhores, porque são todos cidadãos iguais entre si, existindo a diferença sem diferenças. Não é um paradoxo, simplesmente é assim!
Não percebo como os nossos ex-Presidentes da República não prescindem, não digo de todas, mas de algumas das suas mais dispendiosas benesses pelos serviços prestados à Nação, seria uma prova de solidariedade para com os mais desfavorecidos. São exemplos deste tipo que baixam a despesa pública, a carga fiscal e moraliza todos os outros à volta. Enquanto não se verificar este raciocínio, ninguém vai a lado algum e continua tudo mal, porque estão sempre todos à espera que haja um Messias que apareça ou que se adiante. É triste a nossa sina!
Penso que desta vez o Messias só virá quando todos tomarem consciência que temos de ser, «Um por Todos e Todos por Um ».
Ainda há pouco, ouvia na televisão, o Sr. Santana Lopes opinar sobre determinadas medidas para combater a pobreza e lembrei-me que quando ele chegou à presidência da Câmara de Lisboa não se esqueceu de encomendar um automóvel de topo de gama, mas por outro lado, esqueceu-se que o dinheiro para a referida compra também era um contributo dos impostos dos pobres, sim porque, os pobres também já pagaram e pagam impostos e é exactamente por causa destas mentalidades que ainda e cada vez mais pobres, os tais pobres. O antecessor deixou um bom automóvel. Era preciso um topo de gama que custou uma fortuna? Há muitos bons patrões de grandes empresas privadas de sucesso que embora ricos não esbanjam assim tanto dinheiro. O Estado não é rico, o País tem muita gente na miséria e meus Senhores, é preciso que haja respeito por quem anda a pagar impostos. Que eu saiba não votei em nenhum referendo para a compra de um topo de gama. Será que sentiu inveja do Rolls-Royce do Herman José? Mas o Herman é rico e o dinheiro é dele, não é o nosso.
Falsos moralistas que falam, falam, mas não dizem nada, como habitual. Cortinas de fumo!
Obviamente, mudei de canal, exactamente como nos serões de domingo, do canal 1.
Quando quero ouvir falar de pobreza falo com um pobre e sinceramente começo, peço desculpa pelo termo, a ficar chateado com tanta mentira, falsos moralismos de quem e donde vêm e de tanto chico esperto.
De facto o orador é bom mas a anestesia é tão forte que pode até matar. A quantidade de açúcar nos discursos de outros oradores também pode provocar danos irreparáveis.
Enquanto não chegarem os bons e verdadeiros exemplos, enquanto pensarem que o povo anda a dormir e não vê e enquanto pensarem que tudo não passa de fumaça, acautelem-se quando as paredes dos estômagos começarem a ficar coladas, porque aí, já não vão a tempo de lições de fraternidade e solidariedade, aí vamos todos sentir quanto custam os abusos e as incompetências dos convencidos iluminados.
Como os princípios e a educação dos filhos são da competência dos Pais, também toda a máquina que governa o povo, Presidentes, Ministros, Deputados, Todos, são responsáveis e devem executar as suas missões como missionários, porque se assim não for, de outro modo, não fazem falta nenhuma, deem o lugar a gente bem intencionada, que embora pouca, ainda existe.
São bem conhecidas algumas dessas Pessoas.
Deem bons exemplos porque o Povo somos nós todos e o que precisamos desesperadamente de acreditar é que assim, e só assim, será possível acreditar num Portugal melhor e tão bom como os famosos países nórdicos de quem tanta inveja temos.
Os exemplos dados são só alguns porque há quase uma infinidade deles e mais eficientes.
É uma questão de bom senso. Só isso.

Como distribuir o que não existe?

Apanho Teresa Caeiro, a solitária Branca de Neve dos sete anões, perdão, deputados, do CDS/PP (por enquanto ainda são onze, mas em breve a história se encarregará de corrigir esta anomalia), no ‘Frente a frente’ da SIC/N, com Saldanha Sanches. Ainda a propósito da discussão sobre as conclusões do Relatório Sobre a Situação Social na UE, que dão Portugal como o país da Europa mais desigual na repartição do rendimento e na tentativa, canhestra, de explicar o fenómeno, dá-lhe então para filosofar sobre a coisa. Adrega mesmo estabelecer a diferença entre esquerda e direita, reafirmando uma vulgaridade boçal: a direita preocupa-se primeiro em gerar rendimento para depois o distribuir, a esquerda preocupa-se apenas em o distribuir (mais ou menos nestes termos).
Tese que, só por si, basta para fundamentar a óbvia superioridade da direita sobre a esquerda. Até porque, perante tal desafio, resta à esquerda resolver um problema prévio de não pouca monta: distribuir o quê, afinal?
Temo o desperdício ou o desbarato de pensamento tão profundo, se acaso se confirmarem os piores cenários ao partido que já foi do táxi. Alguém até já afirmou que, por este andar, ainda acaba a andar de trotinete.
O interlocutor, o Saldanha Sanches, esse embatucou, fulminado de tamanha desfaçatez. Conseguiu, é certo, recompor-se a seguir – e até sorrir de outras malfeitorias do género ocorridas na mesma sessão – mas, convenhamos, não é tarefa fácil desconstruir – sem se rir – complexidades teóricas de tal jaez.
Haja pachorra!

Critérios ou interesses?

Na TSF ouço as explicações de Bagão Félix – enquanto ex-responsável ministerial em 2004, ao tempo a que se reportam as conclusões do agora divulgado Relatório Sobre a Situação Social na União Europeia (UE), que dão Portugal como o país da Europa mais desigual na repartição do rendimento – sobre se tinha tido percepção dessa realidade. ‘Não, não tinha consciência disso’, afirma, visivelmente comprometido, o ex-ministro, enquanto esboça mais umas justificações para a incómoda batata quente que de repente lhe queima as mãos, tentando fundamentar a rigidez da coisa.
Na SIC/N, o mesmo Bagão Félix, questionado não se sabe bem em que qualidade (presumo que apenas como especialista de elevado gabarito na matéria), sobre as explicações para este ‘fenómeno’ – e não especificamente sobre a sua actuação enquanto ministro também responsável por ele – responde, bastante mais solto (pudera!), que na sua origem estão os negregados problemas da produtividade, adiantando qualquer coisa como ‘enquanto não atingirmos a produtividade média europeia... blábláblá, blábláblá,...’
Critérios jornalísticos ao serviço de que interesses?

Uma no cravo, duas na ferradura

Afinal, ainda venho a tempo de retomar aqui a entrevista de Campos e Cunha ao DN/TSF, a que me referi em posta anterior. Correndo o risco de destoar já das ondas mais em voga (mas o Borges de Sousa encarrega-se disso com toda a proficiência...), só para não ficar a ideia da tarefa a meio. Apenas para saudar uma concordância em termos de cidadania, reiterar um alerta social (da SEDES, a que o entrevistado preside) e verberar uma sua posição (entre muitas, fiquemo-nos por esta) decorrente de uma visão ultra-liberal .

Concordância com a sua posição perante o TGV. Depois de uma das razões (pelo menos das que, na altura, foram explicitadas) para a sua saída de ministro das Finanças ter a ver com a decisão de Sócrates de avançar para a construção de um novo aeroporto em Lisboa (que o ex-ministro criticava, mas que eu saúdo), desta vez até estou de acordo com as críticas feitas ao TGV. É que, mesmo descontando os impactos ambientais (e não são pequenos), para que serve, afinal, uma nova linha Porto-Lisboa? Será que, para ganhar 15 ou 30 minutos sobre a actual, se justifica um investimento destes? Será então para calar os exasperados bairrismos tripeiros?

O alerta da SEDES, exposto em estudo recente, dá conta de um ‘mal-estar difuso que alastra’ na sociedade portuguesa, ameaçando transformar-se em crise social de contornos imprevisíveis. É óbvio que a SEDES se limita a constatar... o óbvio: tanto ao nível da sua dimensão generalizada, quanto a tratar-se de sintoma que indicia a eventual eclosão de crise social grave. A explicação do entrevistado foi, tão só, reduzi-la aos aspectos formais da política (o mal-estar resultaria da ‘desconfiança dos portugueses nos partidos’), tocando ao de leve no sistema de representação (a democracia não se esgota nos partidos). Só? E a desigualdade social crescente? E o desespero como futuro? Recente estudo de Bruxelas classifica Portugal como o país mais desigual da UE na repartição do rendimento. Não terá isto a ver, também, com os elevados salários auferidos pelos gestores portugueses?

A posição ultra-liberal – que classifica de ‘populista’ (e de 'demagogia', acrescentaram os entrevistadores) quem se atreva a considerar elevados os vencimentos dos gestores – não surpreende, por lógica, mas deve ser veementemente verberada. Mais que não seja por decência e algum decoro perante o resto da Europa. Alguns salários que por aí se exibem tão despudoradamente, não são só uma afronta à miséria, eles próprios a sustentam. Não se trata apenas de uma questão relativa: de acordo com o conceito europeu de pobreza (os que atingem apenas 60% do rendimento médio europeu, 22€ diários), Portugal tem mais de 2 milhões de pobres, dos quais 950 mil (quase 10% da população) auferem por dia... menos de 10€!!! Em contrapartida (e como já foi tema doutra posta) os nossos gestores aparecem muito bem situados no ranking europeu!

Ou será que este ‘mal-estar difuso’ tem alguma coisa a ver, sem que disso se tenha ainda a devida consciência, com a prática imposta por esta ideologia liberal apresentada como pensamento único, universal e de consumo obrigatório?

sexta-feira, 23 de maio de 2008

...tá bonito, ...tá !..

Quinze, quinze minutos ... foi quanto "gastou" a noticia de abertura do Telejornal.
Qinze, quinze minutos ... com a Selecção, com o Cristiano Ronaldo, com o Nani, com uma Japonesa que é fã de Paulo Ferreira, etc., etc...
Ora, isto do Europeu, que ainda nem começou, começa bem, lá isso começa ...

Pobreza em Portugal: "É preciso subir os salários e diversificar fontes de rendimento"

“Um Olhar Sobre a Pobreza” é um estudo do CESIS - Centro de Estudos para a Intervenção Social, coordenado pelo Prof. Alfredo Bruto da Costa que aponta os baixos salários como uma das principais causas que contribuem para a pobreza em Portugal.
Para o Prof. Alfredo Bruto da Costa :
“…todos os projectos são desenhados de modo a não mexer no resto da sociedade. Essa é uma limitação decisiva. Se não há mudança social, não pode haver erradicação da pobreza. Se os programas não tocam no resto da sociedade, tentam resolver a pobreza dentro do universo da pobreza, mas não estão a resolver as causas.”
Ora, leia e com muita atenção, a entrevista ao Público do Prof. Bruto da Costa e, depois e perante esta factualidade, aguardemos o que tem para “arengar” o (nosso) Calvinista …