sexta-feira, 9 de maio de 2008

Censura(do) ...

Ontém, no Parlamento, José Socrates afirmou ( eu, vi e ouvi ) :
"há motivos de sobra para censurar o Governo..."

Motins da fome

Por forma a que não nos possamos distrair, eis um interessante artigo de Ignacio Ramonet, do " Le Monde Diplomatique", que merece ser lido, por todos e cada um de nós, com a máxima atenção ...

Já são mais de 37 os países em que a insegurança alimentar provocou protestos. Os primeiros tiveram lugar no México o ano passado pelo aumento exagerado do preço do milho. Também em Myanmar (antiga Birmânia) a insurrecção dos monges, em setembro de 2007, começou por manifestações de descontentamento contra a carestia dos alimentos. Nas últimas semanas temos assistido a tumultos em diversas cidades do Egipto, Marrocos, Haiti, Filipinas, Indonésia, Paquistão, Bangladesh, Malásia e sobre toda a África Ocidental (Senegal, Costa do Marfim, Camarões e Burkina Faso).
São rebeliões dos mais pobres e limitadas ao âmbito urbano. O campesinato, por agora, não se amotinou, e as classes médias não se juntaram aos protestos. Mas o farão se os preços da comida continuam a aumentar. E estes vão subir pois o parodoxal desta situação é que nunca a produção agrícola foi tão abundante. Ou seja, a carestia actual não se deve à penúria mas a outros factores. Haverá pois novos motins pela fome e durante um largo período. Os quais se traduzirão em novas ondas de emigração. Pois a comida representa já 75% dos rendimentos das famílias dos países pobres, contra 15% dos países ricos. Ler Mais...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O Estado e as corporações

Não restam dúvidas de que se assiste, hoje, ao recrudescer de um corporativismo póstumo: depois do corporativismo sem corporações de Salazar (até a Câmara Corporativa não passava de um adorno onomástico do regime), as modernas corporações (com Ordem ou sem ela) sentem-se com força para imporem os seus interesses à revelia de qualquer instituído corporativismo!
Trata-se, naturalmente, de um sinal inquietante de alguma desagregação social e que fica a dever-se, por um lado à demonstração de fraqueza do Estado, por outro ao arreganho da força de determinados grupos organizados, vulgo corporações. Mesmo que essa fraqueza se revele ‘apenas’ na ausência de uma orientação normativa da acção dos agentes sociais, o certo é que traduz uma clara demissão das funções que competem ao Estado (por inércia, inépcia ou conivência). Que é aproveitado, como é óbvio, pelos grupos mais poderosos e/ou organizados, que assim ganham uma maior margem de manobra na defesa e promoção dos seus interesses particulares.
Ao contrário, pois, do que se pretende insinuar, o nosso Estado, sendo centralizador e omnipresente, é, contudo, fraco: na regulação dos interesses, cede perante os mais fortes, compensa-se junto dos mais fracos – esta, aliás, a suprema prova da sua debilidade crónica.

Estes preliminares servem para enquadrar um tema muito presente em notícias e factos com que nos confrontamos diariamente. Só para referir os últimos:
– O episódio da designação do novo Director da Polícia Judiciária (já abordado noutro local deste ‘blog’), objecto de reacções epidérmicas de juízes e magistrados, por considerarem invadido suposto território próprio por competências alheias;
– As múltiplas notícias que têm vindo a público sobre as listas de espera para operações às cataratas: da solução... de Cuba (essa mesma, a ilha maldita do não menos ‘execrável’ Fidel, origem do indignado coro das vestais do costume!), à solução do Hospital do Barreiro, através da contratação de um especialista espanhol!
Relata este médico ao DN, indiferente às "críticas" de que diz ter sido alvo dos colegas portugueses: "Eu percebo a preocupação deles e sei porque há listas de espera tão grandes em Portugal. É que por cada operação no privado cobram cerca de 2000 euros". O oftalmologista espanhol, inscrito na Ordem dos Médicos portuguesa, cobrou 900 euros por cada operação realizada no Barreiro!
Mais palavras para quê?

O papel da 'Baga de Sabugueiro' na crise alimentar

Andávamos nós por aqui às voltas com as razões, as imediatas e as mais profundas, da recente crise sobre a escassez de alimentos, o mundo meio aturdido na busca de soluções, quando afinal a explicação estava mesmo ali, no bolso de um deputado do CDS (não fixei o nome, mas isso de modo algum diminui a importância científica do achado).
No âmbito do debate sobre a moção de censura ao Governo apresentada pelo PCP a propósito das alterações à Lei do Trabalho, o tal deputado de que não fixei o nome decidiu levantar - com total a propósito, refira-se - o problema da crise dos alimentos. E, de repente, lá estava a aterradora descoberta: escondida, é certo, no meio duma enumeração longa de produtos, à mistura com outras tantas percentagens, sobressaíam, sem sombra de dúvidas, as relativas (também não fixei o valor, isso é coisa de especialistas), imaginem, à baga do sabugueiro.
Incrível é como ainda ninguém se tinha lembrado disto!
Agora, porém, tenho a certeza de que inúmeros outros tratadistas, analistas, cronistas e demais especialistas se irão debruçar sobre o alcance de tamanho avanço científico, glosando o tema de mil maneiras.
Uns, tentando explicar o fundamento da ‘coisa’ – mas agora é fácil!
Outros, procurando apoucá-la e até denegri-la – invejosos!

MONSTRA - 7º Festival de Animação de Lisboa

A Monstra é um festival de cinema de animação bem implantado em Lisboa, cuja 7ª edição decorrerá entre os dias 8 e 18 de Maio, tendo como centro nevrálgico de exibições o Teatro Maria Matos.
O objectivo do certame é celebrar a animação em todas as suas vertentes, com uma forte aposta na formação (mais uma vez, estão garantidos workshops e masterclasses com alguns mestres da animação) e apresentando programas que unem o cinema imagem a imagem às artes plásticas, performativas, musicais ou outras.



quarta-feira, 7 de maio de 2008

Futuro Comprometido

FUTURO COMPROMETIDO
One of the penalties for refusing to participate in Politics is that you end up being governed by your inferiors." "A penalização por não participares na política, é acabares a ser governado pelos teus inferiores" PLATÃO

Futuro Comprometido, é o nome do Blogue do José Sousa, um economista meu Amigo que, de resto, está intimamente ligado aqui, ao “Quebrar sem Partir”, pois foi com a sua colaboração que nos aventuramos a “entrar” no Blogger.
Sendo o Zé um estudioso da temática ambiental, o “Futuro Comprometido” é um Blogue muitíssimo bem informado, muito documentado que merece a(s) Sua(s) visita(s).
Ora, e enquanto não sabemos “instalar” os Links de terceiros ( para isso vamos, naturalmente, precisar da colaboração do Zé Sousa), coloque, então e para já, o Futuro Comprometido nos Seus “favoritos”…

"Meninos rabugentos"


A Senhora Dra. Maria José Morgado também é magistrada e aceita o recentemente nomeado Director da Polícia Judiciária ( Almeida Rodrigues ) por ser um operacional de carreira com muita experiência e sucessos em casos de investigação que se tornaram bastante mediáticos.
Parece-me, sem dúvidas, que se trata aqui de competência.
Mas, penso eu e tenho a certeza que também uma grande parte dos portugueses pensará que tinha que vir à baila qualquer coisa que não haveria de estar bem. Infelizmente, já estamos todos habituados a estes desabafos lastimáveis: “Não é um juiz ou um procurador e então, ai jesus!, que temos que nos pôr a pau”.
Afinal onde está o espírito de missão, onde está a tolerância, onde estão todos estes chavões?
Reconheço que é a primeira vez que é nomeado alguém com este perfil e que há outros magistrados nos quadros internos desta polícia mas, e depois?... não há sempre uma primeira vez para tudo? Qual é afinal o complexo destas pessoas, será de superioridade ou de inferioridade?
Por acaso este Senhor que foi nomeado até é licenciado em direito, agora imaginem a bronca que seria se assim não fosse.
Só pretendo deixar aqui a minha opinião e vontade expressa e permitam-me a arrogância de vos transmitir o seguinte:
Eu sou Português, tenho todas as minhas obrigações fiscais zelosamente em dia, procuro aperfeiçoar, diariamente, os meus deveres de cidadania e portanto tenho o direito de poder exigir e dizer, eu quero lá este Senhor, não tenho confiança noutra pessoa qualquer porque este sim, inspira-me confiança, conhece o terreno, tem experiência e sabe como e o que é preciso para o cumprimento das missões da polícia melhor que outra pessoa qualquer.
Deixem o homem trabalhar, deixem-no demonstrar os seus conhecimentos e perícias e depois critiquem o que tiverem que criticar. Já estamos cansados, é sempre a mesma treta! Parecem meninos rabugentos!
Senhor Director, o Senhor vai defrontar dois desafios, os criminosos cá fora e as dores de cotovelo aí dentro.
Desejo-lhe coragem, determinação, liderança e boa sorte.
Só mais uma coisa, devolva aos portugueses a garantia de poderem passear na rua e dormirem à noite, descansados e com segurança.
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José Alberto Carvalho : importa-se de repetir ?..

Sempre me preocupou o facto da televisão pública (RTP1) colocar os (seus) serviços de opinião ao “serviço” da organização partidária do Estado; dois partidos (PS e PSD e/ou PSD e PS) que, rotativamente lá se vão alternando no poder.
A RTP1, nesta matéria, já nem se dá ao “trabalho” de montar um simulacro de contraditório; para “isso” já tem o “Prós & Contras” cuja falsa alternância não é, de todo, inocente.
Assim, a RTP1, mantém, em exclusivo e sem quaisquer escrúpulos, Marcelo Rebelo de Sousa (MRS), aos domingos, e António Vitorino (AV), às segundas-feiras para, em horário nobre, comentarem em modos ““escolarizantes” a situação politica nacional e não só…
José Alberto Carvalho (JAC), director de Informação da RTP1, foi à Assembleia da República tendo sido questionado pela respectiva Comissão Parlamentar das razões que ditam a que a RTP1 esteja refém deste modelo situacionista e rotativista.
Explicou, então JAC que :
“sempre que encontrarmos comentadores que sejam ao mesmo tempo excelentes comunicadores e com características semelhantes ( a MRS e AV ) não hesitaremos em propor-lhes programas do mesmo género “
Segundo, ainda, JAC esses programas de comentários :
“tornaram a RTP mais livre e mais influente, porque os portugueses sabem distinguir entre o que é opinião e o que é noticia”
Bom, face às explicações de JAC para a falta de pluralismo da/na RTP, no que a programas de opinião respeita, só me resta, mesmo, que ele possa repetir.
José Alberto Carvalho : importa-se, então, de repetir ?..
PS – é que, sinceramente, é hilariante a (sua) justificação avocada para que, na RTP1, não haja lugar a mais e melhor pluralismo politico...

terça-feira, 6 de maio de 2008

Da falha alimentar ao comércio justo … Le fils de l'homme -Magritte!

Pela sua pertinência e importância, tomo a liberdade de reproduzir um excelente artigo da minha Amiga Paula Tavares, subtraído do Ecoblogue :

A pintura de René Magritte “Le fils de l'homme” (1964) exibe parte do que vos quero falar. Os processos que culminam na falha alimentar não estão ainda totalmente à vista. Nem tão pouco as soluções. Não será o fim da humanidade mas o princípio de uma condição, da qual não há memória em muitos de nós. Sabíamos pelos avós, pais e alguns livros falando de inflacionamento de preços e de racionamento alimentar, quando a produção alimentar distava poucos quilómetros do consumidor. E agora? Quanto dista a origem do que consumimos? O que está na base da sua produção? E quem controla a sua distribuição? (Paula Tavares) Ler Mais...

Casa onde não há Pão...


Se algumas pessoas estiveram atentas à discussão, ontem no programa “Prós e Contras”, sobre “os maus ventos que se aproximam” no tocante aos produtos alimentares ficara, provavelmente, com algumas dúvidas como eu fiquei, mas também com muitas certezas.
Fiquei com a dúvida sobre se, matar alguém à fome é mais legítimo e não tem cadeia, do que matar gente com armas ou bombas. Também não fiquei esclarecida se, porventura os empresários espanhóis que estão a cultivar olivais no Alentejo, entretanto patentearem o azeite que esse olival produzir, passa a ser azeite espanhol para exportação e Portugal deixa de poder produzir azeite.
Co' a breca, como é que é possível isto acontecer? Será o mercado, será o petróleo, será o dólar ou será a ganância, a especulação, o malfeitorismo, a falta de decência e outras qualificações do mesmo teor ou pior.
Algumas certezas eu tive: Há multinacionais a ganhar fortunas, toda a gente sabe disso e ninguém pode / quer / pretende fazer nada. Mas eu acho que não são só multinacionais, porque há muitos anos já se falava de que a manutenção do preço do peixe, dependia de não se pescar muito e se, por um acaso o peixe “teimasse” em entrar para a rede, deitava-se ao mar outra vez, morto ou vivo, não interessava, o importante era manter o preço em alta, senão “o pessoal” habituava-se a comer “cherne” e “linguado” e isso não podia ser para todos.
Eu para mim tenho que, um dia destes, as pessoas que moram em apartamentos devem começar a pensar numa “hortazinha”, na banheira e aqueles que têm um pouco de terreno à volta de uma casita devem começar a tirar a relva e a piscina ( quem tiver) e semear para colher.
Só espero que a União Europeia, da qual fazemos parte com os nossos mandatários, seja sábia e abra os olhos, os ouvidos e a mente e perceba que, neste estado em que está o mundo, vale tudo para fazer guerra, até um bocado de pão.

A relevância d‘A arte da irrelevância’

Nem sempre estou de acordo com António Barreto, o cronista, o analista, o político, o politólogo, o sociólogo. Não obstante reconhecer a seriedade e até profundidade do seu pensamento (a léguas, portanto, do sr. Gonçalves), encontro-me mesmo muitas vezes em divergência com os seus pontos de vista, nomeadamente sobre aquilo que ele considera relevante.
Desta vez, porém, a sintonia parece completa. Refiro-me ao tema (e à forma de o abordar) da sua última crónica habitual no ‘Público’, aos domingos.
A análise incide no ‘trabalho’ jornalístico dos directos em televisão pelos repórteres destacados para o efeito. Melhor, da total ausência de trabalho nestas peças construídas, as mais das vezes, de ninharias, as mais das vezes também por encomenda (o importante, dizem-lhes, é explorar o sentimento, as emoções, a sensação de ineditismo, afinal é isso que vende), o que se reflecte depois na completa vacuidade do seu tratamento.
E conclui: “O ‘directo’ é o maior incentivo à preguiça que se conhece. Dispensa trabalho e reflexão. Não precisa de inteligência ou estudo. É o que existe de melhor como veículo de emoções, até de histerismo. É finalmente o factor de mutação da notícia em espectáculo(...) e, não sendo “a causa primeira de degradação da televisão, é , sobretudo, a destruição da informação e da inteligência ”.
Eis, pois, o que importa nesta televisão, transformar a vida, os seus pequenos nadas, em espectáculo!
Apesar da recorrência do tema e de todos mais ou menos sentirmos essa estranha sensação de sermos utilizados nesta farsa, vale bem a pena ler o texto (pena não poder aqui fazer a sua ‘ligação’).

A irrelevância do sr. Gonçalves

Vegeta nas páginas do DN (e agora, parece, também da Visão!) um escriba, de nome gonçalves (com minúsculas, que a mais não se abalança a obra deste homúnculo), auto-intitulado sociólogo (porventura na vã expectativa de emprestar alguma credibilidade aos escarros que regurgita), obcecadamente ‘entretido’ em ridicularizar os seus ódios de estimação – estatismo e socialismo – disparando sobre tudo o que ameace o sacrossanto princípio do ‘mercado livre’, esteio, assevera, das liberdades.

Da estirpe do Espada, mais inclinado para a pilhéria e a boçalidade (o outro, empertigado, bebe do fino, não passa cartão à ralé, cultiva o ‘british profile’, empenhado em arregimentar nas altas cavalarias aristocráticas), consideram-se, ambos, investidos na missão de salvar a Humanidade dos malefícios do totalitarismo do Estado (naturalmente, apenas aquele que não promova a ‘liberalização’!) e dos resquícios, pensam eles, do socialismo marxizante. Daí falarem em extirpar o Mal e difundir o Bem, linguagem que, como se sabe, adquiriu um elevado cunho científico na era pós-Bush, de que se assumem fiéis prosélitos, justificando os objectivos sectários destes fundamentalistas esconsos.

Duas pérolas respigadas nos dislates expendidos na crónica do DN (‘dias contados’) do último domingo:
– A luta anti-fascista ‘excita as vocações totalitárias’ (pretendendo devolver assim a acusação dos que o apodam de ‘fascista’, por afirmações, diga-se, que os seus epígonos não desdenhariam);
– A obscena ligação que estabelece entre realidades tão dramaticamente diversas como a infâmia da fome, o inaudito episódio austríaco ou... a marcha pela legalização da cannabis (!!!), que ocorreu em diversas cidades .
Na tentativa canhestra de se distanciar do epíteto de que foi acusado, aproveita, no mesmo escrito, para zurzir no Adolf (Hitler, pois claro, mas de mansinho, não desperdiçando a oportunidade para alargar ‘a toda a parte, a toda a hora’ a razão desta beata sacudidela), afinal ‘este’ também era austríaco!

Aqui declaro, para que conste, que apenas suporto a leitura de tais despautérios por me saber bem distante – e imune! – aos efeitos destes, com a vossa licença, excrementos.

CONVITE : 40 anos - Maio de 68

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Novo relatório sobre as alterações do clima

Nicholas Stern lançou o novo relatório "Key Elements of a Global Deal on Climate Change ", no qual expõe de forma ainda mais aguda os potenciais riscos colocados pela inacção. Reconhecendo que o seu anterior relatório subestimou as ameaças das alterações do clima, ela agora apela aos países desenvolvidos para cortarem as suas emissões em 80% até 2050 e para que os países em desenvolvimento estabeleçam metas em 2020.
Para prevenir alterações do clima catastróficas, as emissões globais precisam de atingir o seu pico nos próximos 15 anos e depois ser reduzidas em 20 biliões de toneladas por ano até 2050 e em 10 biliões de toneladas daí para a frente - o objectivo último é obter um nível de emissões per capita de apenas 2 toneladas.
Apesar de Stern considerar que os países em desenvolvimento devem ter mais tempo para se prepararem para metas de emissões realistas, ele acha que também eles devem fazer algum esforço de redução - apela a que metas concretas estejam em prática em 2020. Os países ricos devem auxiliá-los providenciando assistência técnica e financeira, além do investimento em projectos de energia limpa através do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo estabelecido pelo Protocolo de Quioto.
( Retirado de : http://www.ecoblogue.net/ )

domingo, 4 de maio de 2008

What´s wrong about that ?..

Este fim de semana, no Expresso, João Carlos Espada (JCE) disserta sobre o Maio de 68, num artigo que titulou de :
“O arcaísmo de Maio de 68” (sem link).
Ora, com a leitura do referido artigo, que está “pejado” de citações como, de resto, é amiúde (re)corrente em JCE, fico a saber que este :
«prefere a sociedade aberta, cujas origens não estão em Paris, há 40 anos, mas em Atenas e Jerusalém. Chamam-lhe Ocidente, ou Mundo Livre … e continua a mover-se “
Fico, assim, total e devidamente esclarecido com a franqueza, com a “honestidade intelectual” de JCE.
Só não percebi – e, aqui, sinceramente por burrice minha – quem é o outro ?
Que, ao fim e ao resto, acabou por dar título a esta estúpida “posta” …

Se pudesse (re)começar …

Para a Mª. João,
Estou, aqui, plantado à frente do ecran, com os dedos deslizando pelo teclado do computador - como se, outrora e diante de mim, tivesse uma folha de papel - e não sei, sinceramente, o que escrever; escrever o quê (?) nesse dia, para esse dia, o dia do Teu aniversário ?
Assim, e como forma de ultrapassar (?) essa (minha) incapacidade em saber, mesmo, o que (Te) escrever, recorro, na circunstância e abusivamente, a Raul Brandão seleccionando, para o efeito, este excerto que "retiro" do excelente «Se Tivesse de Recomeçar a Vida», e que reza assim :
«Sou um mero espectador da vida, que não tenta explicá-la. Não afirmo nem nego. Há muito que fujo de julgar os homens, e, a cada hora que passa, a vida me parece ou muito complicada e misteriosa ou muito simples e profunda. Não aprendo até morrer - desaprendo até morrer. Não sei nada, não sei nada, e saio deste mundo com a convicção de que não é a razão nem a verdade que nos guiam: só a paixão e a quimera nos levam a resoluções definitivas.O papel dos doidos é de primeira importância neste triste planeta, embora depois os outros tentem corrigi-lo e canalizá-lo… Também entendo que é tão difícil asseverar a exactidão dum facto como julgar um homem com justiça.Todos os dias mudamos de opinião. Todos os dias somos empurrados para léguas de distância por uma coisa frenética, que nos leva não sei para onde. Sucede sempre que, passados meses sobre o que escrevo - eu próprio duvido e hesito. Sinto que não me pertenço…É por isso que não condeno nem explico nada, e fujo até de descer dentro de mim próprio, para não reconhecer com espanto que sou absurdo - para não ter de discriminar até que ponto creio ou não creio, e de verificar o que me pertence e o que pertence aos mortos. De resto isto de ter opiniões não é fácil. Sempre que me dei a esse luxo, fui forçado a reconhecer que eram falsas ou erróneas.»
(Raul Brandão, in «Se Tivesse de Recomeçar a Vida»)
Um Feliz Aniversário !..

sábado, 3 de maio de 2008

Porque, hoje, é (o) dia 3 de Maio …

Para a minha Filha,
Precisamente, há 23 anos que (eu) deixei de fazer "anos", e precisamente há 23 anos que (eu) procuro entre nomes de flores, de cidades, de estrelas, sei lá de mais o quê (?), das coisas, de todas as coisas que, vendo e vivenciando, se foram amontoando no (meu) imaginário e, ainda, não encontrei nada …
Não encontro nada, entre todas essas coisas mas, e ainda assim, persigo-as com a aplicação do alquimista porquanto, um dia – sabe-se lá quando (?) – terei condições, ainda, de compor, para Ti, um poema .
Escusado é dizer-Te que, por enquanto e até lá, é dentro de mim que habita uma enorme rosa de fogo, que não se vê do lado das palavras…
Parabéns, Filha !..

PS - e, hoje, e nem de propósito, é o Dia Mundial do Sol !..

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Fórmula


Bebé é qualquer ser desde o seu nascimento até determinado tempo.
Na nossa espécie, é neste verdadeiro limiar de vida que considero estar a salvação da humanidade.
Neste início pode estar guardada a pureza de um futuro cristalino dos verdadeiros valores e referências.
A nós, adultos, só nos resta reflectir onde erraram os Homens e ensinar-lhes, no imediato, a fórmula que repara os danos já quase irreversíveis do nosso legado, pobre do importante, e rico do fútil.
Em casa, na escola, onde quer que seja, vou dizer-lhes e ensinar que todos nascemos e morremos nus e assim, para quê, a ganância ?
Vou dizer-lhes tudo sobre a liberdade, a fraternidade e a igualdade.
Vou dizer-lhes que há pretos, brancos, amarelos e encarnados mas, que todos são pessoas.
Vou dizer-lhes que se Deus existir, Ele não será só de alguns, mas de todos.
Vou só dizer-lhes tudo o que for bom.
O que é mau, já me esqueci!

A Liberdade de Imprensa

A Freedom House é um grupo de reflexão americano sobre o jornalismo e a liberdade da imprensa.
Num trabalho, recentemente editado, verifica-se que apenas 18 por cento da população no/do mundo tem acesso a uma imprensa livre; isso mesmo : 18 por cento.
Neste relatório sobre a liberdade de imprensa, fazem uma análise ao conteúdo do que é impresso, radiodifundido e do jornalismo on-line em/com relação ao enquadramento político e legislativo de cada país e às pressões políticas e económicas que podem ter impacto em organizações noticiosas.
Segundo o relatório, o nível de liberdade de imprensa piorou no ano de 2007 e pelo sexto ano consecutivo.
A Europa é, na circunstância, o continente mais livre, sendo a Finlândia a primeira do ranking na/da liberdade de imprensa.
Portugal, para nossa vergonha, é um dos países onde a liberdade de imprensa diminuiu; e, agora, com a aprovação da nova lei (aprovada pelo PS) que obriga os jornalistas a revelarem as suas fontes, só pode(rá), mesmo, é piorar
Depois, só nos resta(rá) e por curiosidade, saber o que terá, então, para argumentar o (nosso) ministro da "propaganda", Santos Silva ?

2 de Maio : para mim e sempre, o Dia da (minha) Mãe

M ã e : P a r a b é n s. F e l i z A n i v e r s á r i o !..


Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente, esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
P'ra que o dia fosse enorme
bastava toda a ternura
que olhava nos olhos de minha Mãe...
( de : José Régio )