
( Para ler o Manifesto : clicar AQUI )
O ‘argumento’ e desfecho, há muito anunciados, da mais recente fase da interminável saga da crise global em que nos meteram – o pedido formal de resgate à UE/FMI – teve no inusitado ‘apagão’ ocorrido em Belém um dos seus momentos de eleição. Se não o mais relevante, seguramente um dos mais significativos. A merecer, ainda assim, tímidos protestos nas inúmeras referências dos comentadores de serviço – por pudor, conivência ou receio de melindrarem a instituição!
A ‘classe’ dos ‘working richs’
O discurso das ‘inevitabilidades’


As inúmeras reacções que a manifestação da designada ‘geração à rasca’ suscitou são – como não podiam deixar de ser! – um curioso reflexo do estado actual da mentalidade dominante. O pensamento ‘correctamente’ alinhado, bem pensante e pouco dado a devaneios (os tempos não estão para aí virados, ‘quem manda são os mercados’... ou a Sr.a Merkel por eles!), não poupou nos adjectivos para classificar o despautério de uma movimentação inorgânica, desenquadrada, sem uma ‘cabeça’ responsável, contando, portanto, apenas com os ‘pés’ (literalmente) dos que decidiram sair à rua para se manifestarem contra uma situação que – malgrado as atentas e venerandas opiniões! – ameaça, ela sim, sair fora de controle e transbordar para além da mera insatisfação, desilusão, angústia, ou mesmo indignação. Quando muito condescendem, vá lá (por uma questão de princípio? ou de aparências?), no direito que todos têm a manifestar-se!


... xeque aos políticos, aos comentaristas políticos e aos políticos comentaristas!
Moção de censura às políticas...


A actualidade dos últimos dias tem sido largamente dominada pelas revoltas populares do Norte de África. Sem qualquer aviso prévio, primeiro na aparentemente inofensiva Tunísia (inofensiva por ser a primeira e pela longa tradição de brandura social), agora no já mais perigoso Egipto (pela dimensão do país, localização geográfica e papel de liderança que assume na geopolítica do mundo árabe), populações em fúria manifestam a sua revolta nas ruas, desta feita não por via das sempre mistificadoras razões de base religiosa específicas desta região, mas contra a insustentável situação social de contínua degradação das suas condições de vida. Na base de tudo e sem grandes surpresas, detecta-se o crescente desemprego que, também por aqui, alastra sem freio, com especial relevo para o de longa duração e o dos jovens. Agravado, é certo, por uma crise alimentar gerada por múltiplos factores (catástrofes ambientais, alterações climáticas, especulação financeira sobre os produtos agrícolas,...).
O último discurso da noite foi o do vencedor. É da praxe que o vencedor, seja à noite seja de dia, se apresente magnânimo com os vencidos, que esqueça eventuais agravos, procure aproveitar a onda de vitória para virar a página, unir esforços, reganhar a confiança mesmo entre aqueles que para ela não contribuíram. Pelo menos é essa a norma adoptada pelos homens sensatos, nem é preciso convocar os de espírito superior. Mandaria até a simples boa educação. Faz parte, aliás, das regras (não escritas) da democracia.
Onde fica o Estado Social?
Um político ausente da política
Um sonso empertigado 



A propósito de uma proposta sobre emprego do P. Anselmo Borges