segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

12 anos ...


Hoje, o Bloco faz 12 anos ...
Ao longo desta dúzia de anos, o Bloco tem (per)corrido o seu caminho e nunca, como agora e nestes tempos que correm, a sua actuação na política Portuguesa foi tão necessária e premente.
Parabéns e longa, muito longa Vida !!!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Que Futuro ?..


Porque com este Governo não vamos a lado nenhum e a precariedade não pode nem deve ser o futuro, há momentos, nas nossas Vidas, em que temos - Tod@s e Cada Um(a) - que dizer basta !!!
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sábado, 19 de fevereiro de 2011

A censura do pensamento único à moção de censura – II

... xeque aos políticos, aos comentaristas políticos e aos políticos comentaristas!

Percebe-se o tom irritado e a incomodidade que o anúncio da moção de censura do Bloco ao Governo provocou sobretudo por entre aqueles que tinham como certo ser eles a marcar o calendário para a sua apresentação. A notícia alterou-lhes os cálculos e precipitou os acontecimentos, agora vão ser obrigados a exporem-se e a definirem-se mais cedo do que esperavam e lhes era propício (ou a arranjarem desculpas esfarrapadas...), pois deixaram de poder manipular as datas apenas conforme os seus interesses pessoais ou partidários.

Durante muito tempo, perante a desastrosa situação social em que o País se encontra (por opções políticas próprias mas, também, influências alheias), a questão era saber-se quando é que uma moção de censura iria confrontar os responsáveis por tal descalabro. E se, até aí, todos admitiam ela poder acontecer a qualquer momento (comentadores), ou ameaçar desencadeá-la (partidos tradicionais, PSD, CDS, PCP) – a sua concretização dependia apenas do calculismo partidário, às malvas os ‘superiores interesses do País’! – a partir daí a mesma gente, comentadores e partidos, uniram-se para verberar uma posição que qualificam de irresponsável, aventureira, incongruente,... No fim de contas, embora todos a desejassem, ninguém se atrevera a lançá-la! Até agora...

O pensamento politicamente correcto (e até algum desalinhado) apressou-se a condenar a iniciativa, considerando-a (no mínimo) arriscada face à situação de dependência financeira do País, por poder ‘irritar’ ainda mais os sempre susceptíveis mercados! No meio deste alinhamento geral, alguns arriscam apressadas considerações sobre aqueles aspectos da vida real que parecem querer afrontar este estranho unanimismo: o crescente desemprego, a falta de perspectivas (nomeadamente para os jovens), a degradação dos serviços sociais,... A par da manutenção de privilégios corporativos, de remunerações e bónus milionários a gestores, dos benefícios fiscais aos Bancos,... Depressa, porém, retomam a compostura e a ‘normalidade’ do discurso, com receio de perderem credibilidade no meio mediático (ou até, quem sabe, poderem vir a ser considerados... desalinhados). Tudo em nome da estabilidade do País e do receio da ira dos mercados – a que se subordinam reverencialmente!

Não parece que a crítica centrada nos efeitos políticos imediatos de uma moção desta natureza (face à sua demarcação ideológica e dimensão reduzida dos apoios parlamentares) – ineficaz no derrube ao Governo, exposta à detracção pelo momento escolhido, apodada de inconsequente face ao contexto do seu anúncio,... – consiga ilidir a contínua degradação das condições de vida e a crescente insatisfação social. Ou mesmo desvalorizar uma iniciativa política deste tipo no questionamento das medidas para enfrentar a grave crise social. A fronteira entre esta e a eclosão de revoltas populares ameaça ceder, perante a inércia (ou falência?) das alternativas políticas, como o demonstra a contestação que alastra pelo Mundo, incluindo na Europa desenvolvida.

Medir a utilidade de um acto, seja económico ou político, apenas pelo seu resultado imediato (ou mesmo pelos seus efeitos próximos) é cair na armadilha da ideologia do mercado de avaliar tudo pela eficácia, é aceitar, sem as contestar, as regras ditadas pelo pensamento único, a primeira das quais é a inevitabilidade do real – precisamente o domínio do mercado! – de onde decorre a tese da imutabilidade das relações sociais.

Passado o efeito de surpresa deste anúncio e dando-se como certa a sua rejeição, fazem-se já apostas para se saber qual o momento em que o PSD, o partido melhor posicionado e mais interessado na ‘aritmética da coisa’, irá atacar o poder (com ou sem moção de censura), porventura naquele momento em que as políticas (que ele próprio avalizou) se tornem tão insuportáveis que não permitam alternativa à alternância. Até lá, a gestão do tempo que resta, não tenho dúvidas, certamente se regerá pelo aviso de um bem alinhado director de um semanário apelando à não precipitação das hostes laranjas, pois ‘a ideia de que o PSD está ansioso por subir ao poder ser-lhe-á fatal. Mais do que nunca, os sociais-democratas precisam de saber controlar a ansiedade’!!! Desde logo a ânsia, digo eu, de que a execução orçamental desta 'política de ruína' corra mal. Lindo!

E muito edificante, sem dúvida!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A censura do pensamento único à moção de censura – I

Moção de censura às políticas...

Todos os comentários produzidos a propósito do anúncio da moção de censura do Bloco ao Governo acentuam, com raras excepções, a ‘aritmética da coisa’. Num sistema que privilegia unicamente a eficácia, o que importa é o resultado final: o Governo cai ou fica? Tudo se resume à dança das cadeiras, pois neste quadro todos dão por assente, quaisquer que sejam os protagonistas, a continuidade, senão até o aprofundamento, das mesmas políticas. O debate não se centra nas políticas e nas suas eventuais alternativas , apenas nos seus executantes e alternantes. Exercício inútil, tacticismo sem futuro, calculismo inconsequente, foram, pois, apenas alguns dos mimos com que tal iniciativa desde o início foi presenteada.

Ao invés, o Bloco, ao centrar a censura nas políticas, mais do que no oportunismo das alternâncias conjunturais, estabeleceu desde logo os termos e pressupostos para a discussão da mesma. Daí que não surpreenda o tom do discurso nas justificações avançadas pelos partidos que já anunciaram a sua rejeição (abstendo-se), mesmo antes de ser conhecido o texto que a fundamenta. Para além do cálculo quanto à oportunidade da sua apresentação, esta mais que previsível reacção decorre tão só da impossibilidade lógica de, os que se identificam e suportam as políticas em causa – executantes ou alternantes – as virem agora condenar.

Deste modo, uma moção de censura que o ‘pensamento dominante’ (a corrente vulgar do pensamento único) desde cedo censurou, apodando-a de ‘maldita’, sob pretexto de inoportuna aos sempre invocados (e muito oportunos!) ‘interesses nacionais’ – esconso onde se acobertam todos os interesses particulares – prepara-se para, muito antes da sua concretização, cumprir o seu papel: o de certificar quem suporta na prática as políticas de austeridade - embora continue a gritar contra elas - o de demonstrar que tais políticas, economicamente recessivas e socialmente discriminatórias, são sustentadas sobretudo pelos dois partidos do centro, PS e PSD (e o seu apêndice CDS).

Talvez então o mais importante dos objectivos que a moção do Bloco visava tenha já sido alcançado com a curiosa mas bem significativa reacção destes partidos à sua apresentação. Tão curiosa que, para o Governo a moção ‘vai ajudar a direita’; para CDS e PSD, pelo contrário, ‘vai ajudar o Governo’! Afinal uns e outros não deixam de ter razão, pois todos eles apoiam a política em curso. O seu único propósito é mesmo, pois, ‘apenas’ mudar os figurantes: todos contra o Governo, mas todos de acordo com as ‘suas’ políticas!

Havia-se instalado no País uma estranha promiscuidade nas críticas a este Governo (muito por culpa da sua própria ambiguidade e do partido que o suporta – socialista de nome, liberal na prática), com a direita frequentemente a assumir posições de esquerda, na mira de capitalizar o descontentamento popular que as medidas de austeridade impostas de acordo com o código neoliberal inevitavelmente provocam. Do lado da esquerda, é certo, nem sempre houve discernimento bastante para evitar tal confusão, para uma demarcação clara. Desta ambiguidade – já ninguém sabia ‘quem era quem’! – se valiam para corroborar a tese da bíblia liberal de que hoje as distinções políticas já não passam pela ‘velha’ divisão entre direita e esquerda, pretendendo-se, com isso, acentuar o dogma da inevitabilidade do mercado e as pretensas soluções técnicas (também inevitáveis!!!) dos planos de austeridade feitos à sua medida.

Para além da oportunidade de um profundo debate em torno dessas políticas, a moção teve, a meu ver, o mérito de (re)estabelecer as fronteiras e uma mais nítida distinção entre os que suportam (fautores e apoiantes) estas ‘políticas de austeridade’ – mesmo dizendo-se contra elas – e todos quantos as desejam combater e as confrontam com ‘opções políticas alternativas’.

Pois se o que verdadeiramente deve ser objecto de censura com esta moção são as políticas, de pouco ou nada vale a simples alternância de protagonistas para as executar.
(...)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Hoje : Zeca Medeiros na Casa dos Açores em Lisboa


E, eu, infelizmente, não vou poder lá estar ... para poder ver e e ouvir, apreciar o Zeca, o Tom Waits da (minha/nossa) querida Ilha de/da Bruma.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sim, é possível !!!


Não percebo, sinceramente, o tamanho “sururu” que (de)corre do facto do Bloco de Esquerda, ontem e no sítio certo, na Assembleia da República, ter anunciado que dia 10 de Março p.f. apresenta(rá) uma moção de censura ao Governo.
E, acima de tudo, não percebo a manhosa (sem aspas) argumentação da grande maioria de analistas, paineleiros (assalariados das TV´s), de políticos etc, etc …
“Colossal irresponsabilidade” classificou José Sócrates; “tiros nos pés” alvitrou Vitorino ( o “garrafa”); “grande desilusão” eis o estado de espírito de Carlos César etc, etc …
É que, antes de mais, a apresentação de uma moção de censura é um direito que assiste a qualquer partido com representação parlamentar e, desde 25 de Abril de 1974, já foram apresentadas 19 (dezanove) moções de censura e uma, só uma, em 1987 e no Governo minoritário de Cavaco Silva, foi aprovada.
Ignora-se, propositadamente, que, antes e de forma clara e inequívoca, o Bloco de Esquerda face aos cenários “idílicos” com que o Governo “analisa” o país que, ao que parece, só serão “vivenciados” pelo primeiro-ministro, desafiou o Governo a apresentar uma moção de confiança que, acto contínuo, foi rejeitada pelo “menino de ouro”.
Só, então, e perante a recusa do Governo em apresentar a moção de confiança, é que o Bloco de Esquerda avançou com a moção de censura.
Que, repito : é um direito que lhe assiste.
O Bloco de Esquerda explicou o porquê da (sua) decisão, o que tem sido propositada e olimpicamente escamoteado por todos os analistas.
Há, para esta decisão, uma determinação e três razões :
- responder ao facto do contrato social de solidariedade estar a ser rasgado, destruindo a vida às pessoas;
- a defesa dos desempregados de longa duração, que não só já não têm subsidio de desemprego nem conseguem trabalho
- metade dos trabalhadores vivem em situação totalmente precária, em falsos recibos verdes, em offshore laboral
- impedir e parar as medidas do governo que vem atentando contra a vida das pessoas que estão a ser vítimas deste governo
Estas são, portanto, e em meu entender, razões mais que suficientes para travar as políticas neo-liberais deste PS que, sem vergonha e de há muito, abandonou a (sua) matriz socialista.
Para acabar com as medidas “vendidas” - com muito marketing politico à mistura – como sendo inevitáveis e com a falta de ética que campeia na vida publica.
Agora, é esperar para ver como se comportarão os outros partidos em oposição a este partido dito socialista.
Haja coragem, pois : sim, é possível …

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Verdade da(s) mentira(s) …


Assim, por junto, BCP, BPI, BES e Santander Totta, os quatro maiores bancos privados a operar em Portugal, tiveram em 2010 um resultado líquido positivo de 1.430 milhões de euros.
Ganharam, por dia, e por junto, 3,9 milhões de euros.
Em 2009, estes quatro bancos, haviam gerado um resultado líquido de 1.430 milhões de euros ( só : - 10 milhões de euros que em 2010) e, assim, e por isso, pagaram 306 milhões de euros de impostos.
Porém, em 2010, e para um resultado liquido em linha com o de 2009, estes bancos, por junto, pagaram menos 56% que no ano anterior, sendo assim a taxa real de imposto para a banca de apenas 9,4%.
Afinal, e por mais que se esfalfe o Governo e, em particular, o Ministro das Finanças em proclamar declarações de fé (?) que as medidas de austeridade são para todos, o facto é que este Governo soube ( e de que maneira) sacrificar salários e prestações sociais, enquanto que, na prática e como se constata, criou condições objectivas para que a banca não esteja a contribuir com qualquer esforço para o equilíbrio orçamental.
3,9 milhões de euros de lucro por dia : é obra.
O governo, este governo, como se constata é forte com os fracos e fraco, muito fraco com os poderosos.
É a vida; é uma questão de opção ...
Ou melhor : é uma questão de política.
E muito pior : de (uma) política neoliberal.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Porque será ?..


O telemóvel entrou de tal forma, qual prepotência (?), nas nossas Vidas que, hoje, já nos é dificil viver sem tal objecto ...
O telemóvel é útil ?
Claro, sem quaisquer dúvidas.
Se, em tempo, o telemóvel foi uma "moda", agora é um aparelho com e de multiplas funcionalidades: faz e recebe chamadas telefónicas, navegamos na Internet, tiramos fotografias, ouvimos musica, serve de despertador etc, etc ...
Pois, isso, essa "modernidade", não nos acarreta nada de grave.
Será ?
Mas, e se o telemóvel (nos) fizer mal à saúde?
Afirmar que as radiações de um qualquer telemóvel podem compromoter a nossa saúde é algo que, pela sua gravidade, precisa naturalmente de ser provado.
O Professor Girish Kumar, actualmente Catedrático no Indian Institute of Technology em Bombaim, apresentou um extenso relatório onde realça que a utilização excessiva do telemóvel coloca os seus utilizadores "numa situação de risco aumentado, nomeadamente face a doenças como o cancer, tumor no cérebro e muitas outras. Risco que é aumentado no caso de crianças e adolescentes".
É óbvio que não queremos convencer quem quer que seja a deixar de utilizar o telemóvel cuja utilidade ninguém, de boa fé, pode(rá) por em causa.
Importa, contudo, alertar as Pessoas para uma correcta utilização dos telemóveis e, assim, evitar-se consequências por demais desagradáveis.
Ao fim e ao resto, importa é denunciar que esta preocupação com a saúde pública deveria, outrossim e de forma muito mais premente e responsável, ser desenvolvida pelos construtores de telemóveis e, acima de tudo, pelas entidades reguladoras.
Pelo contrário, pouco ou muito pouco de faz nesse sentido.
E até nem nos é muito dificil adivinhar as razões para este "deixar andar" .
Porque será ?

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

domingo, 30 de janeiro de 2011

A indiferença de Davos aos protestos do Cairo

A actualidade dos últimos dias tem sido largamente dominada pelas revoltas populares do Norte de África. Sem qualquer aviso prévio, primeiro na aparentemente inofensiva Tunísia (inofensiva por ser a primeira e pela longa tradição de brandura social), agora no já mais perigoso Egipto (pela dimensão do país, localização geográfica e papel de liderança que assume na geopolítica do mundo árabe), populações em fúria manifestam a sua revolta nas ruas, desta feita não por via das sempre mistificadoras razões de base religiosa específicas desta região, mas contra a insustentável situação social de contínua degradação das suas condições de vida. Na base de tudo e sem grandes surpresas, detecta-se o crescente desemprego que, também por aqui, alastra sem freio, com especial relevo para o de longa duração e o dos jovens. Agravado, é certo, por uma crise alimentar gerada por múltiplos factores (catástrofes ambientais, alterações climáticas, especulação financeira sobre os produtos agrícolas,...).

Ainda é cedo para se poder fazer uma análise ou mesmo um balanço prévio sobre tudo o que está a acontecer na região. Os acontecimentos sucedem-se de forma descontrolada e ameaçam alastrar aos países vizinhos (há notícias de protestos pelo menos também em Marrocos, na sempre instável Argélia, no Iémen,...). O poder responde, como era previsto, de forma brutal, mas os manifestantes não parecem dispostos a desarmar até conseguirem o que os determina nesta luta: a queda do poder instituído e a consequente ‘mudança’ de regimes oligárquicos estabelecidos há décadas, implicando o julgamento das seus responsáveis. Se bem que, por agora ultrapassado pelos acontecimentos, o sempre presente fundamentalismo islâmico não deixa de espreitar a hipótese de aproveitamento do estado deplorável, quase caótico, a que a situação social chegou.

A enorme insatisfação de vidas desaproveitadas, de onde resulta a revolta, parece, por enquanto, focalizada na substituição da classe dirigente, tida como responsável pela situação de miséria actual da esmagadora maioria da população, em contraste com o fausto exibido por aquela, resultado de décadas de sedimentada corrupção. Ora, mais do que explicações baseadas nas circunstâncias – controle social pelo fundamentalismo religioso (islâmico, na circunstância), força do poder militar (o caso do Egipto, na circunstância) - importa aqui, sobretudo, fazer a destrinça entre as especificidades próprias da região e o que se afirma geral ao conjunto da economia mundial.

Com efeito, se por um lado é bem verdade que os poderes instituídos nesta zona do Globo (como noutras, é certo) utilizam o Estado sobretudo em seu proveito próprio, gerando cliques dirigentes que têm vindo a desenvolver níveis de corrupção obscenos (com o beneplácito, se não mesmo o apoio, das ditas democracias ocidentais, apenas empenhadas em preservar o manancial de recursos proporcionado por esses países), por outro, é possível detectar por trás de todas estas manifestações, problemas globais cuja raiz ultrapassa em muito as especificidades sociais, políticas e religiosas da região e se têm espalhado por todo o lado – como a desocupação crescente da população activa, por força da gradual destruição líquida de empregos gerada por ‘esta’ globalização.

Na descrição de um jornalista egípcio ‘as revoltas têm sido em grande medida lideradas por jovens desesperados cansados da falta de oportunidades e da repressão’. Jovens melhor qualificados e cada vez mais informados, sem emprego nem perspectivas de futuro, a quem apenas resta o desespero e a revolta. Sem a almofada que o acesso aos esquemas de segurança social permite e que, por enquanto, tem contribuído para evitar, não obstante alguns indícios ameaçadores, maiores níveis de revolta e de violência entre os jovens europeus. Até quando? O efeito de contágio pode não ficar confinado ao Magrefe e aos países árabes e atravessar, um dia destes, o Mediterrâneo.

Indiferentes aos protestos do Cairo, no Egipto, os banqueiros de Davos, na Suíça, insistem na via da desregulação (a ‘tal’ que conduziu à Crise...) para atingirem maior eficiência nos proveitos – a eficiência pela destruição de empregos que se prolonga na revolta das ruas do Cairo e ameaça alastrar a muitas outras paragens!

Depois de Davos, porém, segue-se mais um Fórum Social Mundial, desta vez em Dakar, a mostrar que é possível – mas bem difícil – construir uma alternativa a esta globalização.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O discurso da Noite!

O último discurso da noite foi o do vencedor. É da praxe que o vencedor, seja à noite seja de dia, se apresente magnânimo com os vencidos, que esqueça eventuais agravos, procure aproveitar a onda de vitória para virar a página, unir esforços, reganhar a confiança mesmo entre aqueles que para ela não contribuíram. Pelo menos é essa a norma adoptada pelos homens sensatos, nem é preciso convocar os de espírito superior. Mandaria até a simples boa educação. Faz parte, aliás, das regras (não escritas) da democracia.

O discurso do vencedor da Noite, porém, foi tudo menos magnânimo, foi tudo menos sensato. Foi, a vários títulos, muito pouco democrático. A condizer em tudo com o perfil do vencedor: mesquinho, convencido, narcísico, divisionista (‘os meus votantes’... e os outros), vingativo, misógino, contabilista, pretensioso. Revelando aquilo que de facto é, um político (mesmo que diga não o ser) paroquial, falho de visão e de estratégia e, o que é pior, de cultura democrática (não tolera a crítica nem admite o erro), preso dos compromissos assumidos, obcecado pelos seus interesses pessoais e os do seu pequeno círculo de amigos, pois – valha a verdade – a pouco mais alcança a tacanhez (para dizer o mínimo) da sua perspectiva política.

No seu ‘discurso da noite’, o vencedor leu nos resultados uma espécie de plebiscito sobre as acusações de que foi alvo na campanha, considerando-os suficientes para o ilibarem de todas as malfeitorias que lhe atribuíam e lhe lavar a honra e a dignidade ofendidas. Na ocasião, para além do fel derramado sobre os seus adversários (e, na sua boca, caluniadores vencidos), reiterou a promessa (?) de que não abdicará de usar todos os seus poderes (!), de que irá intervir mais na vida política (?) através do que designou por ‘magistratura activa’!!!

Se a isto agregarmos o que já havia dito na campanha quando falou na possibilidade de uma crise política grave; os comentários esparsos que foram sendo atirados ao longo da noite pelos seus apoiantes pretendendo reverter quanto antes os resultados apurados na governação do país – o mais inteligente, no dizer de Soares, parece ter sido Passos Coelho, com um discurso de calculado distanciamento (por um lado, o momento ‘queima’, por outro, convém apresentar-se desinteressado do poder, cai bem...); tudo isso tendo por lastro as fartas e impacientes expectativas dos seus fervorosos prosélitos, bem nutridas por um mês de promessas gordas do candidato, facilmente se adivinha o futuro próximo: maior austeridade na Crise instalada, ataque continuado ao SNS (sob pretexto de mais racionalidade nos gastos), gradual fragilização dos direitos sociais (em especial os do trabalho), degradação contínua das condições económicas,...

Com Sócrates ou sem Sócrates, com Passos ou sem Passos,... preparem-se, está aí o triunfalismo cavaquista. A pedir contas dobradas por tanta crença e tamanha devoção. Assim ficou determinado na Noite do discurso triunfante do, até agora, esfíngico Presidente! E a partir de agora?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A cultura do novo capitalismo – III

Onde fica o Estado Social?

A única semelhança entre os programas de Alegre e Cavaco é que, ambos podem ser reduzidos a uma frase, a pouco mais que uma expressão, na prática a um ‘slogan’ de campanha. Mas enquanto o de Cavaco se esgota no endeusamento individualista do seu próprio perfil pessoal – ‘os portugueses conhecem-me’ – agora mais a medo, não vão por aí rebentar mais alguns escândalos que ponham em causa aquilo que se considerava uma fortaleza inexpugnável, a idoneidade do candidato; o de Alegre convoca as energias colectivas num projecto que tem vindo a sofrer fortes ataques por parte do actual poder dominante neoliberal – a defesa do Estado social – tendo como pano de fundo o conflito de prioridades na aplicação dos sempre escassos recursos financeiros públicos.

Não se trata aqui de defender o Estado Social como se fosse o último reduto que ainda subsiste perante a avalanche liberal (ainda que o possa ser verdade). Para além da velha querela entre o Estado opressor e a liberdade individual, entre estatismo e esfera privada, do que se trata mesmo é da defesa de direitos considerados inalienáveis e que merecem uma tutela especial, as mais das vezes consagrados nas constituições nacionais, precisamente por se tratar de áreas essenciais à defesa e promoção da dignidade humana e, porque susceptíveis de exploração económica, sujeitos ao domínio (político, social ou meramente pessoal) dos mais fracos pelos mais poderosos.

Hoje, é certo, ninguém se atreve a contestar a sua necessidade. Daí que a linha de demarcação entre os que assumem na prática o Estado Social e os que apenas proclamam defendê-lo, tem de encontrar-se muito para além da retórica do discurso, detecta-se na coerência da acção concreta de cada um, através da sua história pessoal e dos objectivos que a norteiam. Numa altura em que a palavra de ordem parece ser resistir, Alegre demonstra, pelo seu passado e pela sua história recente, ser o mais capaz de cumprir essa função, de enfrentar a onda liberal que o pretende reduzir ou mesmo desmantelar e assim garantir melhores condições na estruturação de um novo modelo de sociedade.

Gerando, por isso, grandes inimizades mesmo dentro do seu próprio partido. Como foi o caso de Correia de Campos, incapaz de perceber o que efectivamente pode estar em jogo nesta eleição, ou de saber distinguir objectivos políticos de agravos pessoais. Depois de se ter evidenciado como péssimo gestor, enquanto ministro, na condução de um projecto de racionalização do SNS (não está aqui em causa a sua eventual valia intrínseca), aparece agora como político mesquinho e sem visão, preso na emoção primária da sua pequena história pessoal e dos seus ódios de estimação – bem imbuído, diga-se, da cultura ‘cavaquista’. Só isso explica, mais que o elogio a Cavaco, a defesa que faz da estabilidade política como valor superior ao da defesa do Estado Social. Como pretende a direita e, enfim, a cultura do novo capitalismo.

Precisamente a atitude inversa do que se torna exigível para se poderem enfrentar as diferentes crises com que nos confrontamos, financeira, social, moral, cultural,... enfim, uma Crise Global gerada pelas lógicas próprias deste sistema. É aí que a existência e a defesa do Estado Social, nas suas diferentes áreas – saúde, educação, trabalho, a própria justiça,... – se demonstra importante, essencial mesmo à construção de uma alternativa ao actual modelo de sociedade, baseada numa nova cultura democrática. Onde os valores da exigência pessoal e cívica superem os que afirmam a primazia dos benefícios imediatos a qualquer preço (que esta ‘cultura do novo capitalismo’ instituiu), os da sustentabilidade civilizacional sobre os do curto prazo predatório, a solidariedade e a coesão social sobre o individualismo e o salve-se quem puder, a tolerância sobre o fanatismo, a participação sobre a indiferença,...

O que implica uma visão estratégica capaz de delinear, com realismo e a necessária ousadia, as estruturas sociais de uma sociedade mais habilitada a enfrentar o futuro respondendo aos desafios do presente, em domínios vitais para as pessoas como a saúde ou a segurança, a justiça e a educação. Ou tão básicos à coesão social como a organização do trabalho e a garantia do seu acesso a todos os elementos da sociedade. Porque de direitos se trata e não de regalias, como o pensamento liberal teima em praticar – sem a coragem, no entanto, de o proclamar. Porque, enfim, é imprescindível alterar o paradigma económico do actual modelo de desenvolvimento, baseado no crescimento contínuo e é sobre estes pilares que deve assentar a construção de uma alternativa.

Cavaco, fiel ao pensamento liberal, resumir-se-á a proclamar a defesa do Estado Social – mas pouco fará para o proteger.

Alegre, pela sua história, garante lutar pela sua intransigente defesa. E isso é o essencial, por agora.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A cultura do novo capitalismo – II

Um político ausente da política
– ou a sonolenta superioridade de uma fraude

À medida que a campanha avança e forçado pelos acontecimentos, Cavaco tem vindo a destapar a hirta máscara que normalmente lhe afivela o rosto, a pose entre a vitimização e a ameaça velada, expondo propósitos furtivos sem, contudo, ser capaz de apresentar uma ideia nova, uma proposta definida para um próximo mandato. Ao bom estilo do sonso, manifesta-se, sem pejo nem vergonha, isento de responsabilidades pelo estado da situação actual. Mas logo de seguida, no mesmo sítio, à mesma hora, é capaz de produzir a surpreendente promessa de que ‘tudo farei para alterar esta situação’!

Talvez por isso Cavaco tenha admitido há dias que, no mandato que agora termina, se não andou a dormir, andou pelo menos sonolento. É o que se depreende da afirmação, produzida algures no Alentejo, de que ‘irei exercer a minha magistratura activa (?) com MAIS ATENÇÃO (...) do que no passado’. ‘Com mais atenção’? Mas isso significa que, até agora terá andado algo desatento, que pelo menos era possível ter feito melhor, desde logo ter-se mantido, precisamente... ‘com mais atenção’. Que dizer, por exemplo, da triste figura que fez perante V. Klaus? Para que serve um Presidente ausente?

À parte saber-se se da admitida sonolência deste Presidente adveio algum grande mal ao mundo (à parte o episódio checo, pouco se perdeu com isso, pois de uma sua ‘vigilante’ actuação sairia ainda maior asneira, pela certa), por uma vez – há que reconhecê-lo – Cavaco excedeu-se em honestidade: para quem nunca se engana e raramente tem dúvidas, esta inédita nota de auto-crítica, mesmo que involuntária, garante-lhe, para já, um momento de rara humildade democrática – ou apenas uma nesga de lucidez no meio da sua permanente alucinação de superioridade?

Mas onde é que a enigmática fórmula da ‘magistratura activa’ do esfíngico Presidente irá revelar-se? Que acções, que valores, que objectivos lhe darão conteúdo?

Um bom ensaio pode ter sido o 1ª leilão do ano de dívida pública, ocorrido em ambiente de grande expectativa e de dúvidas sobre o futuro imediato. No final, as condições obtidas (procura e preço) constituíram uma boa notícia – não obstante, a prazo, o preço atingido dever considerar-se insustentável. Ganhar tempo parece, nas circunstâncias actuais, a estratégia possível face ao dilema económico imposto pelo contexto externo: solução global europeia ou desintegração da UE. Mesmo os comentários, a propósito, do Nobel Krugman, são sobretudo dirigidos ao conjunto da Economia Europeia – ou à ausência nesta de uma verdadeira política económica (na sequência, refira-se, das críticas que tem vindo a produzir sobre os caminhos trilhados por ‘esta’ UE).

Pois foi este o momento aproveitado pelo douto prof. Cavaco para, antecipando o fracasso da operação e esperando daí colher outros resultados, ameaçar com a possibilidade de uma crise política – o que, por si só e perante o desfecho da operação, para além da leitura política, não deixa de constituir mais uma prova do brilhantismo da sua competência económica. Em lugar de garante da estabilidade, Cavaco passou a constituir mais um factor de incerteza, ficando a pairar, sem ter a coragem de o afirmar, uma possível dissolução do Parlamento após as eleições. Só ainda não se percebe bem, perante o vazio de ideias que o preenche, o propósito real de tal empreendimento...

Com efeito, das 6 candidaturas é possível encontrar propostas concretas em três delas: Alegre centra-se na defesa do Estado Social, Defensor de Moura apela à regionalização, Coelho visa a luta contra a corrupção instalada no poder. Quanto aos restantes, se a candidatura do PC se inscreve na própria matriz programática do partido, Nobre surge eivado de um purificador espírito messiânico e só o futuro dirá qual o saldo desta aventura e os seus efeitos no projecto que ele personifica. Resta Cavaco, e neste cada dia se torna mais evidente o vazio de ideias e de propostas. No início, bastar-lhe-ia apelar ao estereotipado perfil de cidadão impoluto – 'os portugueses conhecem-me’ – encerrando-se aí todo o seu programa. Agora, porém, após a revelação da sua conexão ao escândalo BPN, mais raramente e a medo...

Arrisco dizer que Cavaco ficará na História como uma das nossas maiores fraudes. Pelas expectativas sebastianistas que gerou, face aos resultados que produziu. Apenas um reduzido grupo de ‘amigos’ sai beneficiado. Dias Loureiro e Oliveira e Costa são o verdadeiro rosto do cavaquismo. Vindos do nada, pretensos ‘self-made-men’ que, a coberto de uma rede que foi sendo montada desde que Cavaco ascendeu ao poder, em 1985, foram construindo impérios de interesses a que ‘souberam’ ligar o nome do próprio Cavaco, não obstante a constante profissão de fé na sua isenção, honestidade e seriedade, no meio de um discurso apolítico, pretensamente acima dos partidos!

É mesmo assim, quanto mais distantes e alheados da política se ‘afirmarem’ os políticos, mais caminho abrem aos interesses económicos. Também aqui é visível a cultura do novo capitalismo! Afinal a cultura política de Cavaco.

domingo, 16 de janeiro de 2011

A cultura do novo capitalismo – I

Um sonso empertigado

Enquanto decorre a campanha presidencial, passa ainda nos cinemas o documentário ‘Inside Job – A verdade da Crise’, um impressionante relato apoiado em depoimentos recolhidos junto de alguns dos principais protagonistas da hecatombe financeira iniciada há cerca de 3 anos. Centrado, como é natural, em Wall Street e nos figurões que se entrincheiram nesta espécie de santuário do culto neoliberal. E por aqui se percebe que as crenças e convicções, o esforço matemático e as equações econométricas utilizadas como argumentação justificativa de suporte à desregulação financeira, apenas servem de muleta à boa realização dos interesses pessoais da plêiade de gurus empertigados e convencidos da sua elevada competência.

Não é possível evitar, no final, uma estranha sensação de frustração e desalento – pela impunidade que alardeiam os principais fautores do descalabro, imunes a qualquer punição (escudados num quadro legal criado para os proteger em situações de aperto) e pela presumida impotência em pôr cobro à tendência política que o causou, de novo dominante e sem oposição consistente no terreno (apenas o debate de ideias em torno dessas opções começa a fazer-se sentir). Não obstante a nota positiva com que termina ao enunciar, apesar do aparente retrocesso, que ‘vale sempre a pena tentar lutar’.

Foi também este sentimento de desalento que ‘animou’ o início da presente campanha presidencial. Alimentado na comprovada dificuldade em apear do poder os responsáveis pelo descalabro actual, tanto a nível interno como externo, dadas as regionais/globais ligações económicas e políticas. Nem os factos acusatórios apontados ao principal responsável nacional por esta situação (como mais antigo e mais proeminente actor da política) parecem ter feito grande mossa na couraça de honestidade fabricada ao longo dos anos de um ídolo que, afinal, como todos os ídolos, se comprova ter pés de barro. O ‘candidato Cavaco’ passeia-se pelo País com o à vontade de quem acredita que a impunidade compensa e até pode ser premiada.

Depois do ‘caso da U. Nova’ – salvo pelo ‘amigo’ Deus Pinheiro; do ‘caso BPN’ – ‘apanhado’, com os ‘amigos’, numa mal explicada e intrincada rede de corrupção (de funestas consequências para os contribuintes), surge agora o ‘caso da Aldeia da Coelha’ – onde, mais uma vez, aparece junto com os ‘amigos’ do BPN, numa trapalhada de terrenos e propriedades que o ‘candidato’ não tem interesse em explicar. Ou ainda, para compor o perfil, o rocambolesco (para dizer o mínimo) episódio das ‘escutas de Belém’! São, seguramente, mais trapalhadadas (e de efeitos muito mais gravosos) do que as que trouxeram Sócrates em polvorosa nos últimos 5 anos!

Desfeito o mito da isenção e honestidade de que o próprio se vangloria, o único valor que parece restar ao ‘candidato Cavaco’ é mesmo o de não trair os ‘amigos’, ainda que reconhecidamente corruptos (Dias Loureiro, Oliveira e Costa,...). Mas aí impõe-se, pelo menos, a dúvida: fá-lo por convicção e amizade ou por mero tacticismo na defesa dos seus interesses pessoais (receio de ser arrastado na queda)?

A pose hirta, a plástica de estadista, o perfil de competência e honestidade ‘acima de qualquer suspeita’, a retórica do ‘homem providencial’, tudo isso concorre para a formatação de um ‘boneco’ artificial, afinal, um sonso insuportavelmente empertigado. À imagem dos convencidos de Wall Street na origem da Crise, Cavaco absorveu bem o espírito do actual poder dominante (manha, insinuação, intriga, obtenção de resultados sem olhar a meios, lamechice q.b.,...), daí ele saber interpretar na perfeição ‘a cultura do novo capitalismo’ (título de um estimulante ensaio do sociólogo norte-americano Richard Sennett, sobre as ‘novas’ relações do trabalho): predomínio do curto sobre o longo prazo, eficácia a qualquer preço, avidez pelo lucro imediato, o martelar das teses sobre a inevitabilidade do real (que impedem qualquer mudança)...

A meio da campanha presidencial, o ‘candidato’ Cavaco presume já ter a eleição ganha, não obstante o confronto da vida real que o persegue. Em contrapartida, Alegre aparece cada vez mais convicto da força daquela mensagem final do filme, de que ‘vale sempre a pena tentar lutar’. Para mudar – ou talvez só agitar – este estado de coisas.
(...)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Estado(s) de Alma ...


" Ninguém está obrigado a cooperar em
sua própria perda ou em sua própria
escravatura, a Desobediência Civil é
um direito imprescindível de todo o
cidadão ".

(Mahatma Ghandi)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Carta Aberta a Cavaco ( III) …


Lisboa, 13 de Janeiro de 2011

Olá Cavaco,

Assisti, tal como (te) havia prometido, e com a máxima atenção, à tua prestação televisiva da passada segunda-feira; digo prestação televisiva, dado que, por decoro, e por respeito aos Jornalistas – aos verdadeiros Jornalistas e que, infelizmente, são cada vez menos -, não posso chamar “aquilo” de entrevista.
A funcionária da RTP, a D. Judith, esta, esteve ao seu melhor nível : - prestável !!!
Aliás, e como, de resto, tem sido habitual com a D. Judith quando e sempre que estão em “jogo” alguns dos teus amigos; quem não se lembra(rá), por exemplo, das “entrevistas” que, solicitamente, a D. Judith efectuou a Dias Loureiro, a Duarte Lima e a Alberto João Jardim ???
Mas, enfim, é da tua prestação que (te) quero falar …
Gostei, sobretudo, quando tu, com uma pseudo humildade e uma falsa candura, por mais de uma vez, referiste que:
“ se o Povo Português entender ser merecedor do seu voto e me eleger Presidente da Republica ...”
Foi, acredita, um "momento" chocante …
Não fora, contudo, tudo isso, ser contraditório com o que “apregoas” pelos comícios/jantaradas que promoves pelo País, onde enuncias que queres tudo resolvido à primeira …
E foste ainda mais cândido - diria, mesmo : muito cadinho – nas explicações que (em)prestaste ao/no caso do BPN.
Caro Cavaco,
Tu, lá entendes que deves colocar-te assim como que numa espécie de pedestal e, qual virgem imaculada, manter aquele registo bacoco que, de resto, te é muito peculiar, e refugiares-te em “lugares comuns” para não responderes, de forma clara e inequívoca, às questões que, pertinentemente, (te) têm sido colocadas ...
Então, não é que lendo os Jornais de hoje o BPN e/ou os teus Amigos do BPN voltam a atormentar-te …
Ora, meu caro Cavaco, é preciso ter mesmo azar, senão vejamos :
- no “Destak”, na pag 5, lê-se que “Genro de Cavaco chamado a negociar dívida”, dois meses após a nacionalização do Banco;
- na “Visão”, das pag 31 à 35, é um “fartote” com que é noticiado sobre a Aldeia da Coelha ...
Enfim, não bastava o imbróglio com as acções da SLN e, agora, lá terás que explicar aquilo que a “Visão” de hoje, com plena oportunidade, refere como “O Cavaquistão da Coelha” …
Vou, de viagem, até aos Estados Unidos da América; contudo, regressarei a tempo e horas e por forma a que, com o meu voto, te possa obrigar à segunda volta …
Espero, durante esta minha curta ausência no estrangeiro, que (te) possas explicar – por forma a que (eu) possa perceber – todas estas teias e enredos que vens “orquestrando” com os teus Amigos.
É que, e como deves calcular, múltiplas dúvidas continuam, para mim, a pulular sobre a tua honorabilidade.
Com os melhores cumprimentos,
Carlos Borges Sousa

sábado, 8 de janeiro de 2011

Carta Aberta a Cavaco (II) ...


Praia do Ribatejo, 8 de Janeiro de 2011

Olá Cavaco,

Pelos vistos, a “campanha suja” não deixa de te atormentar; desta feita, até o Expresso, imagine-se, persegue este desiderato …
Pese embora, e de forma intelectualmente muito desonesta, o esforço titânico de alguns dos teus correligionários
( por exemplo : Marques Mendes ) em procurar branquear o “atoleiro” em que te encontras, o “Expresso” - que acabo de comprar, aqui, no remanço da Praia do Ribatejo – até parece que te quer “tramar” …
É caso para dizer-se : cada tiro cada melro …
Afinal, e segundo o Expresso, ficamos a saber que
– quer tu, seja a tua filha – compraram as acções da SLN ( sublinho : “fora de bolsa”) ao valor nominal de 1€ quando, ao que parece e à data, outros, muitos outros as compraram a, pelo menos, 1,8 € …
Ora, e para mim, esta pequena (?) nuance, esta situação de “favor” terá, também e naturalmente, que ser esclarecida.
Cavaco,

Mais uma vez te peço que não sejas cobarde e não te refugies naquele falso pedestal, qual “virgem pura”, em que normalmente de auto-colocas e responde, de forma clara e inequívoca, às questões que (te) têm sido formuladas...
Já agora, diz aos teus correligionários que, embora castanha, a “merda não tem nada a ver com o chocolate” e que o artigo que o Manuel Alegre escreveu para o Expresso, e que “virou” publicidade para o BPP, é um tiro no “escuro”;

ir por aí, isso sim, é que é campanha suja.
O Director do Expresso, Henrique Monteiro, na página 5 do primeiro caderno, confirma a versão de Manuel Alegre.
Segunda- feira, conto telever a tua entrevista.
Estou na expectativa que a jornalista de serviço esteja à altura dos acontecimentos; i.e : que seja tão “acutilante” quanto soube ser com os outros candidatos e, claro, (te) faça as perguntas que, na circunstância, serão oportunas e (in)convenientes.
Espero, assim, e por isso, que tenhas a oportunidade de esclarecer todas as dúvidas que continuam a pairar sobre a tua honorabilidade.
Com os melhores cumprimentos,
Carlos Borges Sousa

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Carta Aberta a Cavaco ...


Olá Cavaco,

Sou assim como que obrigado a escrever-te, uma vez que não terei o “dom” de nascer duas vezes para te provar – a ti – que, e pelo menos no que concerne ao mercado de capitais, sou uma pessoa muito, muitíssimo mais séria do que tu …
Ora, tu que, “fora de/da bolsa”, compraste 105.378 acções da SLN e dois anos depois, em 2003, as vendeste – igualmente “fora de bolsa” - conseguindo uma mais valia efectiva de 140%., enquanto que eu - bronco e estúpido - exactamente no ano de 2003, tive um prejuízo com a/da minha carteira de acções – compradas e vendidas na BVL - de cerca de 47% …
És, assim e como se pode(rá) constatar um gajo muito, muitíssimo esperto …
E, assim e por isso, por esta tua douta esperteza não te armes em vítima; pelo menos para comigo; percebes ???...
Caro Cavaco,
Não convém, de todo e na circunstância, confundir a esperteza com seriedade;
pois, e enquanto não (me) conseguires explicar como é que conseguiste esta choruda mais valia (+140%, tendo eu, em 2003 “perdido” -47% ), não terás quaisquer condições para ser Presidente.
Assim, e por isso, não te refugies cobardemente em (me) remeteres as (tuas) respostas a todas as minhas dúvidas para o sítio da Presidência; pois, ao sítio, já lá “fui” e, este, não esclarece porra nenhuma...
A ganância é uma coisa má; isso aprendeste, tu, na catequese …
Agora, tu, enquanto profissional da política, deverias saber que o crime é bem pior.
Aguardando as (tuas) respostas a todas as questões que, publicamente, te têm sido colocadas, os melhores cumprimentos,
Carlos Borges Sousa

PS - independentemente de tudo isso, da tua (in)conveniente falta de esclarecimento(s), nunca e em quaisquer circunstâncias votaria em ti; para que conste ...
CBS